Entrevista: Alexei Leão (Célula Showcase)

Conversamos com Alexei Leão, proprietário da Célula Showcase, uma das casas mais culturais de toda a capital catarinense. Fora isso, "Xei" como é carinhosamente chamado pelos músicos, amigos e simpatizantes da casa, também é vocalista da Stormental, uma banda autoral muito respeitada de Santa Catarina. No bate-papo abordamos conversas sobre a cena atual, decepções, surpresas, projetos e muitas outras coisas bacanas, confira:




Fala Alexei, agradecemos a disponibilidade. Só para o pessoal te conhecer melhor, quem é o "Alexei Leão"?

Alexei Leão: Sou vocalista, compositor, produtor musical e sócio da Célula Showcase em Florianópolis.

Antes da fundação do "Célula Showcase" você se dedicava a banda Stormental, ter uma banda autoral teve algum envolvimento para fundar a casa?

Alexei Leão: Eu sempre trabalhei e vivi envolvido com música. A banda foi sempre a forma artística de me expressar, mas montei meu estúdio de gravação (AML Estúdio) e posteriormente entrei de sócio na Célula Showcase para estar envolvido no meio musical e trabalhar nessa área.

Stormental criou vida em 2006, como foi ter uma banda muito respeitada no cenário? E como é ter uma banda com um irmão, afinal, o Andrei Leão era um dos integrantes.

Alexei Leão: Sim, surgimos em 2006 e sempre foi um prazer enorme tocar com meu irmão. Ele é o melhor baixista que eu conheço e já toquei junto. A gente é bem do tipo irmãozão, quebra aqueles paus de família mas 10min depois já tá dando risada hahaha. Entre 2006 e 2013 fomos muito ativos com o Stormental, gravamos 2 cds, 2 eps, 2 dvds, 2 turnês internacionais, vários shows pelo Brasil e uma turnê pelo SESC. 2014 eu mudei para os EUA, onde me formei em Engenharia de Áudio, e o baterista Marcos Feminella mudou para Berlim, onde vive até hoje. Não digo que a gente acabou, estamos apenas sem tempo e sem possibilidade de nos juntar para tocar, mas quem sabe ainda gravaremos algo e faremos alguns shows.

Antes de abordar sobre a criação do "Célula", queria parabenizar pois no ano de 2017 foram mais de 150 shows autorais, não é mesmo? Como foi organizar todos esses eventos?

Alexei Leão: Sim cara e em 2018 não será diferente. A gente acredita que temos quase um dever de dar espaço para bandas autorais. A maior dificuldade em organizar eventos assim é pagar as contas, por isso temos que revezar com outros tipos de evento, mas é uma luta diária porém que dá muito orgulho.

Ainda sobre os 150 eventos autorais, você teve retorno esperado do público?

Alexei Leão: Alguns sim, alguns não. Para um evento dar certo a banda tem que fazer o papel dela e pegar junto com a casa na divulgação e organização de tudo. Então varia bastante.




Hoje uma casa no Brasil, consegue viver 100% do autoral?

Alexei Leão: Praticamente impossível. As contas são muito altas e precisamos pensar sempre nos números e botar na balança o que a gente quer fazer de evento, o que a gente gostaria e o que temos que fazer para pagar as contas no final do mês.

Um projeto da casa que era muito bacana, era o "Palco Célula". Qual o motivo do programa não ter tido continuidade? Pensam em voltar no futuro?

Alexei Leão: Adoro o palco célula. Paramos de fazer por falta de tempo e também de retorno. Todo mundo ali trabalhou por amor a causa, sem nenhum dinheiro! Porém, a qualidade de vídeo e áudio principalmente é igual a um DVD de valor alto. As mixagens eu sempre fiz no meu estúdio com o maior cuidado possível, são muitas e muitas horas de trabalho envolvido. Daí todo mundo envolvido ficou um pouco decepcionado com alguns números. Alguns programas tiveram pouco mais de 300 views e teve banda que nem membro dela compartilhou, por isso a coisa esfriou. Quem sabe mais pra frente a gente volte a fazer, gosto muito do formato 

Entre algumas decepções, quais os shows marcaram esses dez anos de "Célula Showcase"?

Alexei Leão: Vish hahahahahaha... São algumas, mas honestamente a maioria das vezes nem são os shows em si, mas alguns membros de bandas, alguns produtores arrogantes e alguns técnicos de som que se acham maiores que as bandas! Minha dica quanto a isso é, não conheça seus ídolos, você pode se decepcionar e perder bandas que gosta de ouvir na sua playlist hahahaha.

Agora deixando tudo de lado. Queremos saber como você. Como o 'Alexei Leão' vê a cena independente autoral atual?

Alexei Leão: Temos a melhor safra da história! Muitas bandas excelentes produzindo materiais de alta qualidade e fazendo shows animais. Temos que buscar o público e divulgar bastante para que isso se transforme em números (público, casa noturnas, etc).

Alexei, obrigado pela disponibilidade cara, desejamos muito sucesso ao Célula Showcase, afinal, cobrimos muitos eventos na casa e estamos ai sempre que possível, Alguma mensagem para os leitores?

Alexei Leão: Apoie a cena local sem fazer favor pra ninguém, mas sim pela qualidade das bandas que existem, que estão na ativa e produzindo coisas boas! Vida longa a'O SubSolo.

Heavy And Hell Press: 4° edição da compilação “Collection” disponivel

5 anos de muita luta e dedicação, assim caminha a HEAVY AND HELL PRESS completando mais este aniversário e claro que não poderíamos deixar de brindar quem nos acompanha com mais uma edição da coletânea “Collection”.



A capa do trabalho foi novamente desenvolvida pelo artista Everson Krentz em um trabalho mais rustico, nos moldes dos anos 90, trazendo aquela áurea simples, mas eficaz.

Ao total são nove petardos dos mais variados estilos que agradará em cheio os fãs do bom e velho som pesado.

Tracklist:
01 Carniça (RS) – Terrorzone
02 Methademic (PA) – River Of Blood In My Hands
03 Bloody Violence (RS) – Visceral Memories
04 Dislexia (PA) – Desonesto
05 Dust Commando (RS) – Parallel Realities
06 Dark New Farm (SC) – L.O.V.E.
07 Wael Daou (PA) – Mira
08 Balde de Sangue (RS) – Instinto Homicida
09 Embrio (PR) – Paradox Of Our Time

Faça o download agora mesmo e perca o pescoço de tanto bangear:
http://www.mediafire.com/file/zxijwvhobhuendw/Heavy+And+Hell+Press+Collection+Vol.+04.rar

Agosto Negro: próximo final de semana (18 e 19) marca o retorno do lendário festival sul catarinense

O Agosto Negro Produções volta a realizar o seu clássico festival "Agosto Negro Rock Festival", evento este que sempre estava carimbado no calendário headbanger no mês de Agosto de todos os anos.



O festival ocorrerá neste final de semana, nos dias 18 e 19 de Agosto, no Clube de Campo em Laguna/SC. Local que é responsável por receber as últimas edições e virando assim, o lugar ideal para o evento.

Após um breve cochilo, o gigante Agosto Negro voltará mais vivo do que nunca, forte e com muita fome de Rock 'n Roll e Heavy Metal. As escolha das bandas foram a dedo e com a equipe da Agosto Negro Produções renovada, a expectativa de um festival que ficará marcado novamente, aumenta a cada dia que passa. 

As atrações principais deste ano se dividem entre bandas locais e atrações de fora do estado, como: AlkanzA, que irá representar as bandas locais e Tanatron, banda do Maranhão chegando como surpresa do evento. Entre essas bandas, teremos Chicospell, Antítese, The Undead Manz, Attitude HC, Texas Funeral que já passaram pelos textos d'O SubSolo e muitas outras bandas de grande qualidade que serão muitíssimo bem recebidas, ressaltando as grandes Rhestus e Horror Chamber dentro deste cast, grandiosas bandas do cenário nacional.

CONFIRA O CRONOGRAMA OFICIAL


Acompanhe o evento no facebook;
https://www.facebook.com/events/195805957872541/
Acompanhe a página oficial do "Agosto Negro Produções";

Resenha: Dethronement Of All Icons - Silent Empire (2018)

Não estamos falando apenas de uma das bandas mais emblemáticas dos últimos anos do Death Metal nacional, estamos falando de uma banda que tem como um dos principais nomes do Metal catarinense de todos os tempos. O guitarrista e vocalista Ivan Agliati por muitos anos teve como principal atividade um dos maiores eventos do sul do país, o Steel Festival que era realizado na cidade de Criciúma em Santa Catarina. 




Do antigo disco lembro de ter ouvido uma ou outra música, até ficar impressionado com a sonoridade que o grupo apresenta, mas quando paramos para ouvir um disco para analisarmos, muita coisa muda e o ouvindo tem que ficar atento a tudo. Impossível não prejulgar o disco, sabendo o time que está por trás, nomes como Aline Iladi e Arthur Neto, me chamam muito atenção, claro, por motivos diferentes.

Aline Iladi acompanhei muito vendo shows de suas bandas, mas pasmem, geralmente eram bandas Punk e o que ela faz aqui na Silent Empire, é incrível. Já o Arthur Neto, vi pela primeira vez a frente das guitarras solos da The Undead Manz, o que também corre um pouco fora do proposto aqui, mas o que vale ressaltar que na Silent ele é baixista, o que ele busca como harmonia de uma banda ele tem que apresentar de preso para auxiliar a cozinha de outra.

O disco não é muito longo, mas nem tão curto. Beirando seus quase trinta e cinco (35) minutos, apresenta-se oito faixas e elas sofrem diversas alterações, não seguem um rótulo ou uma mesma linha. Temos um Death marretando bons riffs e ao mesmo tempo encontramos riffs mais harmônicos e cadenciados. A cozinha é segura, tem um excelente trabalho de Arthur Neto, junto do baterista Israel Horstmann, por mais que as vezes pareça muito um arroz com feijão, como os mais conservadores do Metal, porém gosto de chamar de objetividade, pois conto mais com o feeling que a música apresenta do que alguns músicos tentam nos obrigar a digerir.

Talvez a maior característica da Silent Empire seja essa, fazer música com objetividade. Para muitos o Metal apenas necessita de peso para bater cabeça, já discordo. Acredito que música é música, ela transmite uma mensagem e não só faz bater cabeça e entrar no mosh, essas duas coisas são apenas consequência do que você suga com a música, mas, concordo que música boa mexe a cabeça e não a bunda.

A essência do Death Metal é respeitada da primeira a última música, vocais agressivos e presentes, baixo massacrante e guitarras em perfeita sintonia, um duelo de serrotes. Uma bateria bem organizada, nítida e fazendo o seu papel, não nos obriga a engolir aquela linha que soa igualmente em todas as músicas como muita coisa do Death e do Black vem apresentando nos últimos tempos, tudo aqui soa como uma equipe e cada um soma ao que o outro faz, isso acrescenta muito em qualidade no disco.


FORMAÇÃO
Ivan Fabio Agliati (vocal e guitarra)
Aline Iladi (guitarra)
Israel Horstmann (bateria)
Arthur Neto (baixo)

TRACKLIST
01) Unique and Primordial
02) Abolish the Reins of Men
03) Blessed by Wisdom
04) Unscathed Before the Unknown
05) Hail the Legions
06) I Am the Empire
07) Conquest the Throne of Blasphemy
08) Among the Faceless

Topfive: cinco bandas para ouvir neste final de semana #89

Mais um sábado chegou e, com ele, um dos nossos quadros de maior sucesso. São cinco indicações de bandas nacionais para vocês conhecerem e pirarem no final de semana! Com vocês, o Topfive: cinco bandas para ouvir neste fim de semana! Aumentem o som e bom show! 



01) Insane Driver - Metal (São Paulo/SP)

A banda paulista de Metal com influências do progressivo, groove e uma sonoridade mais moderna, lançou em 2016 o seu primeiro álbum intitulado 'Insane Driver'. Após o lançamento do álbum, a banda participou de vários festivais e começaram a se destacar no cenário nacional. 


02) Jack Devil - Thrash/Heavy (São Luis/MA)

A banda maranhense de Thrash/Heavy foi formada em 2010 pelo vocalista e guitarrista André Nadler e o baixista Renato Speedwolf. A formação oficial da banda foi estabelecida em 2011, quando o guitarrista Ric Mukura e o baterista Filipe Stress se juntaram à banda. 
Em 2014 a banda lançou seu primeiro full-lenght 'Unholy Sacrifice' que rendeu ótimos reviews da mídia especializada. 


03) Hellpath - Heavy/Death (Londrina/PR)

A banda londrinense de Heavy/Death foi formada em 2006 por alguns amigos de faculdade e desde então, a Hellpath tem desenvolvido sua própria identidade musical. A banda lançou seu primeiro álbum 'Through The Paths Of Hell' (2017) e conseguiu uma boa resposta da mídia especializada. 


04) Spleenful - Dark Metal (Porto Alegre/RS)

A banda porto-alegrense de Dark Metal foi formada em 2012 pelo vocalista e compositor Thiago Alano. A banda lançou seu primeiro EP 'Bittersweet' no ano seguinte, em 2013. O resultado do EP rendeu comentários positivos na cena nacional e internacional. 



05) Slasher - Thrash Metal (Itapira/SP)

A banda itapirense de Thrash Metal foi formada em 2008 e lançaram seu primeiro álbum 'Pray For The Dead' em 2011, que rendeu ótimas críticas para o grupo. Seu segundo full-lenght 'Katharsis' chegou em 2014 e colocou a banda em um patamar muito acima no cenário nacional. 



O Groove de Julie: lançando single de "A Noite Fria"

O Groove de Julie é uma banda formada em 2015 em São Paulo/SP.



Mantendo sua formação atual desde 2017, Groove de Julie inclusive lançou recentemente seu novo single, a música intitulada "A Noite Fria".

Oriunda da Zona Leste paulista, a banda é formada por Diogo Melo nos vocais, Dado Marques na guitarra, Gustavo Franco na bateria e Paulo Genaro no baixo, juntos buscam influências nacionais e internacionais do mais variados estilos, desde a era de ouro até a contemporaneidade. 

O novo single "A Noite Fria" foi gravada no Hataka Studios, com produção de Fábio Hataka. Marcando como primeiro single do projeto "Noites de Vênus", que consiste basicamente no lançamento de músicas ao longo do ano, todas envolvendo uma unidade sonora que caracteriza a banda.



“A Noite Flui” também está disponível em plataformas digitais como Spotify, Deezer, Apple Music, iTunes e SoundCloud.


Stream de “A Noite Flui” - http://smarturl.it/anoiteflui
Contato - ogroovedejulie.contato@gmail.com

Mattilha: lançado segundo álbum, ‘Crônicas do Underground’

‘Crônicas do Underground’ é o caloroso e definitivo manifesto do Mattilha, que expõe paixões, sufocos, angústias, glórias e perseverança. O segundo álbum da carreira de intensos oito anos do quarteto paulistano, lançado nas principais plataformas digitais em parceria com o selo e produtora de Loudfactory, refina a amálgama do hard rock com o heavy metal, exaltado por meio de letras fortes sobre o próprio ofício na música e temas cotidianos, cantadas em português. Ouça aqui: https://ONErpm.lnk.to/Mattilha.



Gabriel Martins (voz), Victor Guilherme Firmino (guitarra), Andrews "Andy" Einech (baixo), Ian Martini (bateria) estão, mesmo, afiados em ‘Contos do Underground’. São 9 faixas, algumas diretas e retas, outras com peso extra, além de baladas, no entanto, todas canções com jogo pujante entre baixo, bateria e guitarra.

Com o famigerado – mas verdadeiro e suado – amadurecimento, o ataque do Mattilha em ‘ Crônicas do Underground’ é certeiro, reforçado em diversas músicas com integrantes de bandas que trilham juntos a rota do rock autoral independente.

Fábio Laguna (Angra, Hangar) toca órgão em ‘Cachorro Louco’. Os amigos de longa data da Sioux 66 participam em ‘Sem Tempo Ruim’, que celebra uma parceria de mais de 5 anos. Já na balada ‘Pronto pra Rodar parte 2’ conta com a voz de Cyz Mendes, que ganhou destaque nacional no programa Canta Comigo, da Record, além de cantar no álbum ‘Ópera das 12 flores amarelas’, dos Titãs.

O álbum transmite o Mattilha da estrada nos últimos anos; que se dedica ao extremo, como espirito de banda grande, mesmo, para ser autêntico e relevante na cena do rock pesado brasileiro”, exalta o quarteto. É uma carreira que contabiliza quase 200 shows, passando por 7 estados e mais de 40 cidades diferentes. Os números na internet também são expressivos: 3.700 milhões de plays só no Spotify e no YouTube.

‘Crônicas do Underground’ é o resultado de um processo criativo de quatro anos, gravado, produzido, mixado e masterizado nos estúdios Loudfactory e no Mr. Som Studio por Wagner Meirinho e Tiago Assolini. A concepção gráfica do álbum é assinada por Mauricio Leone, apostando na linguem HQ. A referência aos seriados do Netflix tem chamado bastante atenção sobre a identidade visual da banda.

SHOW DE LANÇAMENTO

‘O show de lançamento de ‘ Crônicas do Underground’ acontece dia 11 de agosto, em São Paulo, na quinta edição do próprio festival Canil Fest, no Olga 17 (Barra Funda), na companhia das bandas Sioux 66 e Forte Nortes.   

TOUR

As primeiras datas da Crônicas do Underground Tour 2018 estão agendadas. Após o show de lançamento do álbum, o Mattilha toca em Santos (24/8) e depois Araucária/PR (8/9). O quarteto tem pela frente mais 10 shows, entre a capital paulista e o interior. Tem Mogi das Cruzes (14/9), Campinas (15/9), Ribeirão Preto (5/10), Araçatuba (6/10) e de volta a São Paulo no dia 11/10. A tour recomeça em Bauru (12/10), vai para Marília (19/10), São José do Rio Preto (27/10), mais uma vez São Paulo (21/10) e, até o momento, tem como show derradeiro o de Mococa (10/11).

Para esta turnê, uma ausência. O baterista, compositor e membro fundador Ian vai passar alguns meses fora do Brasil a trabalho e, no lugar, a banda convocou um amigo de longa data que há anos já acompanha o Mattilha, Roger Katt.

Acesse as redes sociais do Mattilha para conferir o local, hora e bandas convidadas em cada uma das apresentações da Crônicas do Underground Tour 2018: www.facebook.com/BandaMattilha, www.instagram.com/mattilha_crew e https://twitter.com/mattilha.

Tracklist:
1 - Crônicas do Underground (intro) ft. JP Corsini
2 - Bico Sujo
3 - O Ritmo e o Corre
4 - A Carne é Fraca
5 - Cachorro Louco feat. Fabio Laguna
6 - Qual é o seu Veneno?
7 - Depois das 3 (Rua Augusta)
8- Pronto pra Rodar pt 2 feat. Johaine e Marcos Marques
9 - Sem Tempo Ruim  feat. Sioux 66

Fonte: Tedesco Comunicação

Lobos de Calla: "Às Vezes Eles Voltam" marca retorno da banda

A cena independente brasileira é movimentada com artistas que transformam a música nacional em um reduto do talento. Não obstante, a cidade de Belo Horizonte (MG) apresenta mais um grupo para acender a chama do rock na capital mineira. Depois de um hiato de três anos, a Lobos de Calla está de volta ao cenário, lançando o disco inédito “Às Vezes Eles Voltam” – já disponível nas principais plataformas digitais de música.


Composta por Eduardo Ladeira (guitarra e vocais), Bernardo Silvino (baixo) e Diego Mancini (bateria), a Lobos de Calla mostra um rock de várias vertentes, sem rótulo específico. A sonoridade é marcada pela diversidade, somando as variadas influências de cada integrante. A banda trilha o seu caminho em busca de apresentar um som único, com o objetivo de trazer de volta os tempos áureos do rock nacional.

Formado em 2010, o power trio lançou no mesmo ano o primeiro disco “Querozene”, para em seguida divulgar o segundo álbum “Cores e Nuvens” (2011). O resultado foi uma sequência de shows importantes, dividindo o palco com nomes como Lulu Santos, Capital Inicial, Tianastácia, Nasi e Uns e Outros; além da indicação da canção “Trilhar” para o Prêmio de Música Minas Gerais. No ano de 2013, a banda pausou as atividades para futuros projetos dos componentes, no entanto a saudade foi mais forte. Para o vocalista Eduardo Ladeira, isso se deve à ideia de que, independente de uma grande exposição repentina, a arte pode ser descoberta pelo público com o tempo.

“Durante o período de hiato, percebemos pessoas descobrindo a banda por meio da internet, e isso nos levou a querer fazer algo a mais. Acreditávamos ser necessário um trabalho definitivo, bem escrito, bem arranjado, bem produzido. Precisávamos deixar como legado da banda um disco profissional, que contivesse todo o potencial. Independente dos trabalhos musicais paralelos, a Lobos de Calla precisava dar o seu recado definitivo”, revela ele.

O resultado é o novo álbum “Às Vezes Eles Voltam”. Eclético, o disco viaja nas raízes da banda e mescla as influências musicais dos integrantes. É notória as referências a estilos e movimentos musicais diversos, como o rock nacional dos anos 90, o rock britânico dos anos 60, o punk rock e até mesmo elementos do rock progressivo. Segundo o baixista Bernardo Silvino, o momento que passaram distantes serviu para aprimorar ainda mais o som: Foi um período de amadurecimento muito grande. Voltamos com uma outra mentalidade para encarar a coisa. Dar o nosso melhor para a música e todos os outros elementos que são necessários para o projeto…”, diz o músico.


Da mesma forma, a entrada do multi-instrumentista Diego Mancini no conjunto exibe entusiasmo. O músico traz empolgação e otimismo na nova fase do trio mineiro. “O disco novo tem muito da pegada do anterior, mas ter uma pessoa diferente na banda levou o trabalho numa outra direção”, reflete o baterista.

O título do registro – assim como o da banda – é inspirado em uma obra do autor norte-americano Stephen King. O álbum e sua arte gráfica trazem uma pegada de humor e adota a linha de horror zine. Fãs do gênero, os músicos utilizam o parâmetro com o terror para ficar ainda mais envolvidos com o trabalho como um todo. A ideia é explorar o horror esdrúxulo dos anos 80, algo que é feito mais para divertir do que para assustar, por isso, o conceito de zumbis como caricaturas da banda.

Toda a elaboração da capa e o cuidado na produção das faixas demonstra que o grupo tem a percepção de que o mercado musical é cíclico, ou seja, que os gêneros vão anexando influências e se misturando; acompanhando as mudanças do mundo e descobrindo novas fronteiras e desafios - mesmo ainda existindo a essência. 

Por isso, o rock perdura ao longo de décadas, sobrevivendo às mais diversas revoluções culturais. A música deve ir além do entretenimento; música é cultura, e cultura é, ou deveria ser, educação. Trazer arte ao dia a dia do povo é ajudar no enriquecimento e desenvolvimento do país. O rock, gênero musical que representa o questionamento, a insatisfação com o status quo imposto, a união em prol dos interesses sociais, a paz, a valorização do ser humano e a propagação do amor entre as pessoas são essenciais nesse cenário”, articula Eduardo.

A dedicação e a nova fase da banda expõe a vontade dos integrantes para voos mais altos. Com o lançamento de “Às Vezes Eles Voltam”, o grupo já estuda uma possível turnê nas principais cidades do Brasil, levando o trabalho para o maior número de pessoas possíveis e subindo em diversos palcos do país. O lema é trabalhar e se divertir no processo, viver o momento e toda a plenitude, com amizade e música, recheada de pequenos e grandes momentos que façam todo o esforço valer a pena.

ACOMPANHE A BANDA:
Bandcamp: https://goo.gl/XiSMBF (download gratuito das músicas)

Resenha: Sabbath Brazil Sabbath - Secret Records (2018)

Não sei para vocês, mas para mim (esse que escreve essa resenha), o Black Sabbath junto do Iron Maiden formam a dupla das maiores bandas do Heavy Metal mundial de todos os tempos. Perante a isso, a Secret Records idealizou uma Coletânea em Homenagem ao Black Sabbath, trazendo grandes nomes da cena nacional como Aneurose, Orquídea Negra, Korzus, Voodoopriest, Leviaethan, Taurus, Ancesttral, Attractha, Hellish War, Uganga e muitas outras bandas.




O mais impressionante é que não são covers e sim versões, o que torna a homenagem ainda mais surreal. As bandas pegaram as músicas e colocaram suas características em cada música, sem desfigurar os clássicos ou desestruturar essas fantásticas obras. Como por exemplo, os vocais do Black Sabbath eram limpos e muitas bandas não abriram mão de seus drivers e guturais, dando ainda mais peso as músicas.

Fica difícil citar todas as bandas, quem tem um carinho especial pelo Black Sabbath, dificilmente aceita coletâneas com esse objetivo proposto, porém, as músicas tomaram uma naturalidade tão gigante, que difícil o headbanger não se apegar a essas versões maravilhosas. Quem tem influência dos caras, sabe que no fundo é bacana você pegar uma música e adicionar pitadas da sua banda, afinal, Sabbath foi o responsável pelo surgimento de muitas bandas boas, entre elas o Judas Priest.

Existem bandas nesse projeto, como o Orquídea Negra, que fez uma releitura tão original, que nem parece cover. No fim, todos sabemos o quanto essa banda catarinense e lendária, combina arduamente com esse projeto, desde vocais até instrumental, cada detalhe. Vale destacar a presença de outros grandes nomes do Metal com versões fantásticas, como Uganga em Voodoo, Hellish War com Get a Grip, Leviaethan com Children of the Grave, Korzus com Neon  Knights, Jailor com After Forever, Genocídio com Tomorrow's Dream e Ancesttral com Sabbra Cadabra. Cito essas bandas pois apesar de acreditar que todas tenham em suas veias, influências dessa excelente banda (para mim, a maior de todas junto do Iron Maiden), não imaginava uma sonoridade dessas em suas responsabilidades, cada banda foi escolhida a dedo e isso deu um destaque profissional ainda maior ao trabalho.




Todo o objetivo da Secret Records (que infelizmente anunciou recentemente sua retirada desses projetos), foi alcançado. Fica difícil citarmos banda por banda e opinião por opinião, mas a real é que esse disco terá um lugar especial na história do Metal nacional, não estamos falando de qualquer banda, estamos falando de Black Sabbath uma das maiores bandas de Metal de todos os tempos e estamos falando de TRINTA PARTICIPAÇÕES de bandas de todos os cantos do Brasil.


TRACKLIST
01) The Wizard - por OBSKURE
02) Children of the Grave - por LEVIAETHAN
03) Heaven in Black - por TAILGUNNERS
04) Tomorrow's Dream - por GENOCÍDIO
05) Voodoo - por UGANGA
06) Sabbra Cadabra - por ANCESTTRAL
07) Heaven and Hell - por ORQUÍDIA NEGRA
08) Iron Man - por CHEMICAL DISASTER
09) Get a Grip - por HELLISH WAR
10) Digital Bitch - por FOR BELLA SPANKA
11) Supernaut - por KING BIRD
12) Black Moon - por SYREN
13) Neon Knights - por KORZUS
14) I - por PANIC
15) War Pigs - por MALEFACTOR
16) Symptom of the Universe - por SILVER MAMMOTH
17) Cornucopia - por TAURUS
18) The Mob Rules - por MX
19) In For The Kill - por VULTURE
20) Electric Funeral - por HEADHUNTER D.C.
21) Sabbath Bloody Sabbath - por DROWNED
22) The Shining - por STEEL WARRIOR
23) After Forever - por JAILOR
24) Hole in the Sky - por ANTHARES
25) TV Crimes - por VOODOOPRIEST
26) N.I.B. - por ATTRACTHA
27) Headless Cross - por REVENGIN
28) Loner - por SEXTRASH
29) Psychophobia - por ANEUROSE
30) Paranoid - por DEMONS OF NOX


Topfive: mulheres no underground #03

Uma das características desse Topfive é mostrar a diversidade, portanto, temos bandas de Metal, Hardcore, Pop Rock e até White Metal e Black Metal misturados, por qual motivo não poderia? Aqui o único intuito é mostrar que a nossa cena é diversificada e que machismo é coisa de gente de cérebro minúsculo, que precisa TENTAR diminuir as mulheres para se sentir "mais homem", no fim, só demonstra o quanto é pirralho.



Vamos as indicações deste #03 Topfive, nos comentários sugira bandas para postarmos nas próximas edições.

01) Anfear - Metal Melódico - São Paulo/SP

Anfear é uma banda que investe em letras diferentes. Toda a sua composição são inspiradas na cultura brasileira, envolvendo nossas histórias, seja elas em literatura em geral ou nosso folclore. Contamos com a excelente vocalista, Andressa Lé, que com toda a certeza sabe como fazer um espetáculo com seu rosto pintado e suas roupas muito bem escolhidas, dando mais brilho aos shows da Anfear. Não conhece? Vale o play!






02) Threesome - Rock - Campinas/SP

Threesome é um quinteto original, que traz boas composições e esteticamente é influenciada pelo Rock dos anos 60's e 70's, com referências no Blues, Acid Jazz e no Indie. Sua vocalista Juh Leidl é também jurada do programa Canta Comigo na TV Record, encanta a todos com sua voz e sua atitude Rock 'n Roll, uma frontwoman moderna, porém raiz.







03) Ramyrez 77 - Punk Rock - Rio de Janeiro/RJ

Ramyrez 77 é uma banda de Punk Rock na linha do Old School, com influências de Ramones, Sex Pistols, Dead Boys, Stiff Little Fingers e por ai vai. A banda foi formada em 1997, com várias trocas de formações, cervejas ingeridas, se metendo em várias furadas, porém, continuam firmes e fortes. Com a formação atual, a banda conta com Yasmin Ramirez nos vocais e Isa Ramyrez nas guitarras. No ano de 2018 a banda se reinventa e começa a ganhar maior espaço, sempre com três acordes, histórias de amor, cerveja, piadas nerds e total loucura pelo underground.





04) Alucinia - Metal Alternativo - Laguna/SC

Formada em 2017 em terras catarinenses, Alucinia é uma banda natural de Laguna. Uma das principais características na sonoridade da Alucinia, são os vocais de Lenita Cardozo que destacam-se em meio ao peso e cadência dos instrumentos. Voz suave, que busca silêncio em meio a pancadaria, dando toda uma característica ímpar a todo o som que a Alucinia vem desenvolvendo.





05) Soul Torment - Thrash Metal - Campo Bom/RS

Originária de Campo Bom/RS, a Soul Torment foi formada por grandes amigos que costumavam a se reunir para fazer um som sem pretensão. Como qualquer banda de estrada, passou por mudanças na formação e até que, Deisi Wolff assumiu os vocais. Por mais que sempre tenha tido vocais masculinos, o Soul Torment criou uma nova identidade e hoje, é melhor vista sob os comandos da poderosa voz de Deisi Wolff e toda a sonoridade que a banda dispõem. 




Major Moment: projeto reúne brasileiro, americano e russos

Quando você imagina brasileiros, americanos e russos reunidos em um projeto, logo pensamos em campeonatos esportivos, mas não dessa vez, a banda Major Moment reúne um brasileiro, um americano e dois russos.




Tudo começou nos Estados Unidos, que tem um pequeno e longo passo para tudo acontecer. Lá todos os membros se conheceram e resolveram mesmo com suas culturas totalmente diferentes, se entregarem e dedicarem a um mesmo sonho juntos: fazer música.

As influências da banda trazem excelentes nomes, como 30 Seconds to Mars, Nine INch Nails, Linkin Park e muitas outras bandas, mas tendo como principal essa trinca. A missão da banda é encorajar o público a seguir seus próprios sonhos e aprender a apreciar a vida da forma que ela deve ser apreciada, lembrando que possivelmente temos está única chance, vai saber.



Nesse mês de setembro a Major Moment trará para todos o "One Small StEP ", um EP com vários pontos interessantes, como: relacionamento, perspectiva e perda. Com o aclamado produtor Kevin Billingslea e com o vencedor de seis Grammy's, Adam Ayan.

O que faz o trabalho ser diferente e de certa forma ainda mais especial, é estar dedicado ao Chester Bennington do Linkin Park. Uma das maiores inspirações da banda. "One Small StEP" (Pequeno passo) possui #MakeChesterProud, como Slogan; Mostrando que Major Moment é um grupo genuíno e atencioso e é assim que eles esperam em ser lembrados.

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Entrevista: Khorium (Volta Redonda/RJ)

O Khorium mistura Rock e Hardcore, mescla Rap, adiciona pitadas de Metal, mas acima de tudo, é uma banda de opinião forte e não fica em cima do muro. Não apenas na sua vida fora dos palcos e sim, principalmente neles, a banda deixa sua opinião e visão. 

Suas composições são fortes e notáveis, e portanto, a banda vem se destacando. Conversamos desta vez com a banda inteira e o bate-papo foi bacana, você pode conferir agora:





Como se originou a Khorium?

Glaydson Moreira: O Khorium surgiu no início de 2017. Iniciei o projeto convidando dois amigos, Dré Almeida para o baixo e Shalon Webster na bateria, que eu já conhecia de outros trabalhos que passaram pelo estúdio que possuo. Uma curiosidade é que ao contrário da maioria das bandas que começa tocando covers primeiro para só depois partir para autorais, o Khorium já nasceu direto com autoral. A banda já nasceu junto com o 1o single "Quem vai pagar" (que fez parte da coletânea O Subsolo vol. 3). 

Shalon: Exatamente isso! Em 2016 conheci o estúdio do Glaydson ensaiando com outros projetos que participava na época. Cheguei a gravar lá e a sintonia foi boa. O resultado foi o convite em 2017 pra tocar na Khorium. Não só a musicalidade, as idéias, e muito do que pensamos hoje sobre música casaram bem. 

Sobre o que gostam de compor? O que inspira vocês?

Dré Almeida: Acredito que as letras com conteúdo de política revelam a época em que vivemos. Vivemos em um mundo de caos onde os valores são invertidos. A corrupção moral virou tema comum. Acredito que a melhor forma que nós como músicos podemos expressar são através de uma temática pesada e letras de protesto. Isso facilita o processo de criação das músicas.

Glaydson Moreira: O EP tem uma temática que expressa nossa insatisfação com o estado atual das coisas, a superficialidade que é o zeitgeist dos tempos atuais, e sempre sem preocupação de desagradar quem quer que seja. A arte deve provocar alguma sensação, reação ou reflexão, nem que seja causar um incômodo. E como misturamos elementos de vários estilos, rap, metal, hardcore e punk, temos liberdade para abordar qualquer tema. 

Como a banda se comporta fora dos palcos? Como é o planejamento interno de vocês?

Glaydson Moreira: Nosso planejamento é feito pensando na qualidade. Nosso interesse é sempre apresentar o melhor, seja em músicas, arranjos, arte de capa, vídeo clipes ou produtos de merchandising. Também atuamos sempre na divulgação da banda. Mesmo quando nós não estamos nos apresentando, os trabalhos não param. Nessa questão as redes sociais tem ajudado muito a alcançar um número maior de pessoas. 

Vocês tem umas letras muito fortes contra o sistema. A ideia foi essa desde o início? Em quais bandas vocês se influenciam?

Glaydson Moreira: Sim. A banda já nasceu com essa intenção de expressar uma visão crítica e provocar uma reflexão. Isso influenciou inclusive na decisão de cantar em português, ainda que isso reduza nosso espaço aos países lusófonos. Quanto às influências, são muito diversas, até pela diferença de idade entre nós. São gerações diferentes de músicos, com gostos e trajetórias bem diferentes. Dré Almeida e Shalon Webster podem detalhar suas influências e gostos. Quanto a mim, eu tenho intencionalmente procurado colocar no Khorium uma série de referências que trago dos anos 90 como Pavilhão 9, Cambio Negro, Stuck Mojo, Prong, Clawfinger, Ratos de Porão, Pantera e RATM. 

Shalon: Com relação as influências realmente existe um leque muito grande. Gostaria primeiro de frisar que a vida em si é muita inspiradora. Um café com um amigo, uma conversa no ponto de ônibus com um desconhecido, um filme, um livro, o dia-a-dia, tudo influencia na vida e isso acaba se refletindo na musicalidade de alguma forma. Mas claro, há também as influências musicais mais diretas. Pra não ficar muito abrangente citarei minhas principais influências dentro do universo do rock, que vai um pouco da escola do new metal dos anos 90 como P.O.D, Blindside, Korn, Creed até o post-hardcore e metal-core com bandas como Killswitch Engage, Demon Hunter, Alexisonfire, Bring Me The Horizon. Lembrando que isso é só dentro do rock, existe vida fora também (rs)!  

Dré Almeida: Tenho influência diretamente de rock mais leve. Amo Red Hot Chilli Peppers, Muse, Green Day e por aí vai. Gosto muito do Groove que temos criado na banda. Essa liberdade enquanto a composição deixa tudo mais fácil de trabalhar e desenhar a sonoridade da banda.

Com a atual situação política e econômica do nosso país, acham importante os artistas se posicionarem?

Glaydson Moreira: Sim. Não dá pra simplesmente fingir que nada está acontecendo. Com todo respeito à quem faz música tratando de desilusões amorosas ou seres mitológicos antigos, mas o nosso interesse é provocar reflexão, instigar o questionamento da ordem estabelecida e a estrutura social vigente. Sem ser panfletário ou partidário quanto a qualquer lado (até porque vemos falhas e extremismos alimentados por superficialidade em ambos os lados). A massa tem sido cada vez mais manipulada, e os poderosos se garantido cada vez mais impunes. O maior sinal de que estamos conseguindo causar desconforto e reflexão são as ofensas  que recebemos de extremistas de todos os lados: liberais, conservadores, de direta e de esquerda. Se eles estão se doendo é porque estamos acertando as feridas. 

Shalon: Com relação as letras, realmente a ideia desde o início foi apontar as mazelas do nosso país. Estamos tão cercados por essa triste realidade que fica até difícil fazer uma música onde a veia não seja de rebeldia e protesto. É um assunto que não fica batido! Mas acredito que em outros trabalhos poderemos abordar outros temas, sem problemas. 

Como vocês enxergam a "evolução" da música, analisando antigamente com os dias de hoje?

Glaydson Moreira: Ao mesmo tempo que hoje existe uma diversidade muito maior, tudo ficou ainda mais segmentado.
O fato de existir acesso amplo à musica através da Internet reduziu a cadeia produtiva necessária para chegar até o ouvido das pessoas. O desafio hoje é outro: como ser relevante com uma massificação tão grande de novos lançamentos todos os dias? Um aspecto positivo e que nos ajudou é que hoje existe muito mais abertura para misturas. O  Khorium encontrou público entre ouvintes de metal, de rap e até de punk. Pessoas sem preconceitos com a mistura. Coisa impensável no passado.  Claro que tudo isso dentro desses nichos. Mainstream ainda continua nas mãos de poucos. A música das massas ainda é produto comandado por interesses meramente financeiros. Mas isso sempre foi assim. Não melhorou nem piorou. 




Pelo fato da internet dar maior acesso as bandas, vocês acham que o cenário já não é mais tão "underground" assim? Pois antigamente eram a base de fanzines impressos a xerox, cartazes pelos muros e postes e etc.

Glaydson Moreira: Isso é uma evolução natural. Os meios hoje são outros. E profissionalizar o underground é algo positivo. Inclusive ainda há muito o que avançar nesse ponto. O lado 'ruim' é só o exagero. Não é difícil encontrar bandas que antes mesmo terminar de compor a primeira música, fazer o primeiro show ou sequer  completar os integrantes da formação já tem business plan, estratégia de marketing etc. A moda do momento são os gurus de music business e marketing para bandas. Mas é muita teoria pra pouco case de sucesso. A música deveria vir sempre em primeiro lugar. 

Quais as maiores dificuldades de ter banda independente no Brasil?

Shalon: Ser uma banda independente, significa que você tem que fazer tudo! Essa é a glória e também a maior dificuldade! Pessoas que não valorizam isso, e não dão o devido respeito ao seu trabalho, atrapalham a evolução da caminhada do artista. Mas não deve ser motivo pra parar. Quem quer fazer, da um jeito. Vá e faça você mesmo!

O que falta para termos uma cena mais justa e unida?

Glaydson Moreira: A cena brasileira tem muita gente boa, muitos bons músicos com trabalhos de qualidade. Mas falta incrementar e interligar a "cadeia produtiva" do setor. O mainstream hoje é praticamente todo dominado pelo sertanejo, e que se mantém forte porque existe toda uma indústria ao redor dele que gira muito dinheiro. Os produtos e shows tem muito consumo. Dentro do underground é preciso  pensar formas de ligar quem toca com quem produz eventos, com quem notícia, com quem tem casas de entretenimento e a partir daí, criar um ciclo que se sustente. Não dá pra manter uma imagem 'romântica' das coisas, falando em união e etc se a cena não se sustenta, se não tem grana girando. E criar esse "consumo" das bandas no underground passa pela melhoria dos eventos, das posturas das bandas, enfim de tudo que é oferecido ao público.  Sempre vejo músicos reclamando da falta de valorização das bandas underground pelo público. Mas é uma postura esdrúxula. Se você abre uma sapataria e o consumidor compra sapato em outro lugar o erro é do cliente ou da sua sapataria? A galera das bandas precisam se reinventar, agir diferente. O mesmo vale pra quem produz shows etc. Reclamar do público não resolve. Atuar com mais inteligência e criatividade sim.

Quero agradecer por terem topado essa conversa. Alguma mensagem aos leitores?

Glaydson Moreira: Nós que agradecemos pela oportunidade da entrevista e pelo espaço que O Subsolo sempre abriu para o Khorium. Para nós foi uma honra poder integrar a coletânea vol. 3 do portal, o que nos trouxe excelentes resultados na divulgação da banda. E agradecer a todos que tem nos apoiado através da internet, nas redes sociais e pessoalmente. O EP tem sido muito bem recebido e o público tem nos encorajado a cada vez mais produzir novos materiais e seguir em frente!

Shalon: Agradecemos o espaço, parabéns pelo trabalho!



Colaboração na matéria de: Caio Botrel.
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