23 novembro, 2017

Entrevista: AlkanzA (SC Metal Fest - Otacílio Costa/SC)

Salve, salve, rapaziada! Como estão? Aposto que já estavam ansiosos pelas matérias exclusivas que fizemos no SC METAL FEST, né non? Pois bem, a ansiedade chegou ao fim e, a partir de agora, declaramos aberta a COBERTURA OFICIAL SC METAL FEST: O SUBSOLO!

A partir de hoje até domingo (26/11), teremos matérias incríveis que rolaram durante a cobertura do evento realizada pelas nossas redatoras Thabata Solazzo e Karine Nunes.

E, para começarmos os trabalhos, a Thabata conversou com esses caras incríveis que são um poço de humildade e lição de garra e perseverança. Banda de Tubarão/SC que começou suas atividades em novembro de 2013; os caras tocam um Thrash Metal com muito Groove, letras ácidas e riffs marcantes. Estamos falando deles: AlkanzA!


Para aí o que tu tá fazendo e saca só essa entrevista, com direito a novidade exclusiva para o Subsolo, hein? Curte aí:

Galera, pra gente é um prazer estar trocando essa ideia com vocês aqui no SC METAL FEST. Satisfação define! Mas agora contem aí: A banda lançou um álbum novo recentemente, "O céu da boca do inferno", qual evolução vocês perceberam do primeiro álbum "Destroyed the System", pra esse?
Thiago: Po, a gente é quem agradece! Então, ninguém compôs um “Powerslave” do nada, né, isso vai da experiência de outras composições até "acertar", assim como foi com o Iron Maiden. Do "Destroyed the System" até "O Céu da Boca do Inferno", foi uma evolução gradativa. O primeiro álbum, como de qualquer banda que está começando, é muito difícil de se produzir. A cena é difícil, todo mundo quer um Iron Maiden pronto... Nós bancamos tudo, lançamos pra download pra galera. Então, a evolução do primeiro até aqui, eu diria que foi aprender a maximizar o tempo, saber como construir as coisas em pouco tempo, na verdade. Vários fatores se somam: a entrada do Ramon, começarmos a ensaiar mais, enfim, a essência da banda sempre foi a mesma, o que mudou foi a experiência que só o passar dos anos nos traz. 
As pessoas que conhecemos do primeiro álbum pra cá também são de suma importância pra que a gente pudesse chegar onde estamos hoje.

Vocês são uma banda relativamente nova, porém já conseguiram gravar três álbuns. Qual o maior desafio de uma banda underground para se estabilizar e conseguir gravar/divulgar seu trabalho? Ainda mais longe de um grande centro...
André: Nossa principal dificuldade sempre foi a financeira, nós bancamos tudo do nosso próprio bolso. Pelo bem do Metal e por que a gente gosta mesmo. Na hora de compor, a raiva é tanta que as outras coisas ficam pra trás (risos).

Thiago: Graças ao nosso trabalho e ao nosso esforço, estamos conseguindo entrar num mercado mais profissional, assim dizendo, mas o underground é aquele negócio né: às vezes, os caras, ao invés de irem ensaiar, só ficam enchendo a cara e não focam no que realmente importa... É o amadorismo tanto por parte de bandas quanto do público... Promotores que não pagam... Bandas que não cobram... Enfim, é complicado falar, né? Nós sempre procuramos fazer o nosso melhor. Não fazemos por dinheiro, fazemos por amor, amor pelo Metal e amor pela cena. Nós somos uma banda que tocamos o que gostaríamos de ouvir e não ouvimos, então, por isso que eu acho que temos essa identidade mais diferenciada. Outro ponto é o seguinte: nunca espere a mesma coisa da gente, se você gostou do álbum, escute ele, vão vir coisas novas e diferentes dessas. Nossa conduta é fazer o que achamos ser verdadeiro. Tudo que falamos ou escrevemos é verdadeiro. A gente fala o que a gente acredita e conhece: São muitos anos entrando num mosh até poder subir num palco.

Certo, e o que vocês acham da cena e dos festivais catarinenses? Aqui, nós temos esse diferencial dos outros estados que são os festivais com camping, que tem essa pegada mais europeia...
André: Desculpa a expressão mas, pra mim, a cena aqui é uma merda! Não pelo produtores em si, longe disso. São pelas pessoas que se dizem amantes do Metal, amantes de festivais, mas não aparecem nos eventos. Os caras preferem ficar em casa falando um monte de besteira no facebook do que comparecer à um evento. Evento tem, têm vários. Enquanto tá rolando um evento na cidade dos caras com banda independente à dez pila a entrada, eles estão o quê? Tão escutando o cdzinho deles, reclamando da cena na página do facebook deles. Acho isso muito errado.

Thiago: Na minha opinião, tem muito evento, muita banda de qualidade... Porém, oportunidade, nem sempre tem. Aqui tem muita panela, muito preconceito sobre tudo. Mas meu, aqui, os produtores estão de parabéns! É muito foda tu meter a cara e fazer um evento do zero. É difícil... Pra mim, panela só serve pra fazer comida, se não tiver comida dentro, ela não serve pra nada. A galera precisa começar a dar oportunidade pras bandas. Tem muita banda foda ai só esperando a sua vez. O rolê precisa ser livre de panelas, independente de qualquer coisa. Mas enfim né, é como eu sempre falo pra galera na AlkanzA: se fosse fácil, não seria pra gente.

E como a AlkanzA conseguiu se encaixar dentro do cenário de bandas aqui do estado?
Thiago: É, a gente começou dando soco em pedra. Mas sempre tivemos certeza que valeria a pena. Foi muita virada de cara, foi muito “não”, foi muita gente não dando espaço por que não gostava ou por que tinha inveja... Mas olha, uma coisa eu digo, nós entramos pela porta da frente. Entramos sem pedir nada pra ninguém, tivemos oportunidades de pegar patrocínio com político e coisas assim, mas nunca aceitamos.
AlkanzA é uma banda consciente, nós não espalhamos o ódio ou a raiva, o que nós sempre falamos é a questão da rebeldia porém de forma consciente, com atitude, não só com palavras. Não devemos ficar esperando nada de ninguém, nem de governo ou de qualquer coisa do gênero. Nossa luta é árdua, como eu te disse no início, começamos dando soco em pedra, mas rígido do que pedra eu acho difícil (risos).
Nós devemos cuidar do que é nosso. Só o headbanger pode salvar a cena. Se o funk tá bom, bom pra eles. Nós devemos nos importar com o que é nosso. 

André: Nós só temos o que agradecer, na verdade. Agradecer a todas as pessoas que nos apoiaram e nos apoiam, que nos ajudaram a chegar até aqui. Sempre com dignidade e trabalho duro.

Thiago: É o que eu sempre falo né, cara. Nosso lema é a gratidão eterna. Sempre que estamos em cima do palco e olhamos lá pra baixo, somos extremamente gratos. É aquela né, nós só tocamos a música, quem faz o show é o público, se eu tiver em cima do palco sem público, o que é de mim? Nós sempre procuramos fazer o nosso melhor. A gente pega o nosso melhor e dá para as pessoas, sabe? Dinheiro nenhum paga o que a gente faz por amor.

Divulgando o álbum novo, quais os planos pro ano que vem? Alguma novidade? Alguns show já confirmados?
André: Nós temos uma novidade, e eu vou aproveitar a oportunidade e anunciarei em primeira mão pelo O SubSolo: ano que vem a AlkanzA sairá em turnê! Estamos planejando sair ali por março/abril, então, todos os produtores de evento do Brasil: entrem em contato aí! (risos).

Thiago: Então, estamos com vários projetos pro ano que vem; composições novas, gravação e lançamento de clipe (outra informação exclusiva), nossa turnê que o André acabou de anunciar, estamos com um projeto também com outras bandas do estado, onde vamos nos unir e fazer algumas parcerias ai, enfim, vamos fazer o que os que muitos falam e poucos fazem: promover o Metal e promover a união.

De onde surgiu a inspiração pras letras da banda e principalmente de onde veio a ideia das letras 100% em português?
André: A ideia do português foi uma parada muito louca: Nós tínhamos gravado o Destroyed the System e nós estávamos fazendo o Colonizados pelo Sistema, aí, o Thiago compôs a “Brasil”, que até então era a única cantada em português, aí ele disse “velho, vou dar minha cara à tapa, mas vamos começar a compor em português, eu assumo todo o risco e toda a responsabilidade”, e deu certo né, cara. O Thiago tem uma baita cabeça, escreve umas letras fodas pra caralho, deu muito certo!

Thiago: Cara, eu penso que pra tu poder fazer algo, você precisa ter moral pra aquilo. Eu não vou fazer como muitas bandas fazem pra ganhar o mercado: escrevem letras prostituindo tanto a música quanto o país em que vivem. Gringo não vai vir de fora resolver nossos problemas; não adianta eu falar mal do meu país pra gringo, eu tenho que falar dos meus problemas para o meu povo. A única arma que eu tenho é a palavra, então é dela que eu vou me valer. Se eu cantar em português, eu vou ser a AlkanzA, se eu cantar em inglês, eu vou ser só mais um. Eu não quero que as pessoas cantem o que eu canto, eu quero que as pessoas pensem no que eu canto; pensem, e tirem as suas próprias conclusões. 

E justamente, este é o ponto: o que vocês acham sobre essa ideia da letra e tudo que ela representa ser jogada direto nos ouvidos do público sem a necessidade de uma tradução?
Thiago: É que na realidade é assim: boa parte dos headbangers têm aquela mentalidade europeia, né? Porra, se os caras mandarem tu se foder em inglês, muitos estão lá rindo e batendo palma, sem entender. Então assim, quando tu fala em português, tu tá falando diretamente pro seu povo. Muitos também reclamam né, de ser difícil fazer música em português e não sei o quê: Cara, se tem um muro na tua frente – quebra. Cabe à você tirar essa barreira.

O AlkanzA já teve baixas de integrantes, sendo o SC Metal a despedida do guitarrista André Guterro. Como a AlkanzA lida com essas trocas e o que podemos esperar do futuro da banda?
André: É complicado né cara, às vezes a vida faz a gente fazer umas escolhas... Mas meu, minha saída da banda é algo provisório. Eu tenho alguns compromissos particulares que atrapalhariam a banda, o público não merece alguém que não se doe 100%, por isso dessa "saída".

Thiago: Essa saída é o que ele diz, né? Uma vez AlkanzA, é AlkanzA pra sempre! (risos). Então, como fundador da banda, eu posso te afirmar que assim, em todas as formações, sempre houve uma evolução. Hoje eu posso te dizer com toda a certeza: Eu tenho os melhores. Os melhores que eu preciso e isso me basta. Eu vejo muitas bandas sucumbirem por isso. Muitas vezes a AlkanzA só estava comigo, e mesmo assim eu persistia, eu lutava. Nunca desisti. Isso é amor. Isso é justo. Todos da banda são bem direcionados. Todos sabem o que querem. O público não merece ninguém desmotivado em cima do palco. Já fui em muito show gringo em que os caras estavam lá só por estar. Porra, música pra mim é minha vida. O público pra mim é o meu maior bem. São todos meus amigos!

Poderiam deixar um salve pro pessoal que curte o som de vocês e pros leitores d'Osubsolo?
André: Quero agradecer aos nossos fãs, deixo aqui o meu muito obrigado! Ao pessoal que curte a AlkanzA, entrem em contato com a gente, nós vamos até vocês. Como eu disse, ano que vem nós estamos saindo em turnê e a gente quer fazer o melhor pra cena! Obrigado!

Thiago: Cara, primeiramente eu quero agradecer ao SubSolo que sempre nos apoiou. Pra mim, hoje é a melhor mídia da região sul, vocês não fazem por amizade, vocês fazem por ser justo e correto, e isso eu admiro muito! Minha gratidão ao SubSolo sempre será eterna!
Agradecer à Nani que sempre está produzindo excelentes eventos aqui em Otacílio Costa; agradecer também à todos os produtores do estado que sempre estão se esforçando e dando a cara à tapa!
Quero também aproveitar a oportunidade e agradecer à Tatuaria Ink Garcia e a R. Nandi pelo apoio de sempre!
E ao nosso público? Meu, eu só tenho que agradecer! O pessoal que se dispõe a sair de casa, empenhar dinheiro que, nós sabemos como anda a situação no país, né. Nossa, não tenho nem palavras, sabe? Eu acho que uma banda que não tem o seu coração cheio de gratidão pelos seus fãs, nem merece os fãs que tem. Pra hoje, nossos fãs podem esperar uma bomba nuclear em cima do palco, vai ser destruição total. Nós não somos melhores que ninguém, somos todos irmãos e sempre vamos juntos!

E aí, curtiu? Segura que essa é só a primeira dessa semanada de Cobertura, viu? Te liga!

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21 novembro, 2017

Trayce: "Miragem" é música-tema de novo clipe da banda

A banda Paulista Trayce prepara apresentação de mais um vídeo clipe para a era do álbum lançado em abril. Miragem, faixa que batiza o terceiro disco do grupo, ganhará vídeo oficial dia 30 de Novembro.


Dirigido pelo vocalista da banda, Raphael Castejon, Miragem é a terceira música do CD a ganhar videoclipe e será disponibilizado no Youtube. Os antecessores na videografia são Domadores e O Culto.

Miragem fala de pessoas que se apoiam nos paradigmas religiosos contra os problemas materiais e ilustra  a dualidade entre o conceito de sagrado e a coerência científica.

“No clipe uma atriz simboliza a personificação da natureza como Ser. Uma brincadeira, pois o Ser que me refiro é o Todo e o Todo não pode ser representado. Ela elucida a lei natural da vida, já que a musica cita "seu santo se quebrou" uma metáfora as pessoas que se apoiam em crenças esperando que seus problemas materiais se resolvam, explica Castejon.

O clipe de Miragem coroa a boa fase da banda que vem de recente apresentação no Rock na Praça para cerca de 10 mil pessoas. O festival se consolidou como um dos maiores do gênero em São Paulo.

Antes do lançamento do clipe Miragem, Trayce que além de Castejon conta com Rafael Palmisciano (baixo), Fabricio Modesto (guitarra), Cadu Gomes (bateria) e Alex Gizzi (guitarra), cumpre agenda de show em 03 de dezembro no 46 Fest III, evento que marca o lançamento de “TR3S” disco novo do Project 46, no Tropical Butantã. 


Serviço Trayce no 46 Fest III
Quando: 03/12
Horário: 16h
Onde: Tropical Butantã (Av. Valdemar Ferreira, 93. Butantã)
Ingressos: de R$ 45 a R$ 120 
Vendas on line: bit.ly/trayce-46fest

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Entrevista: Busic (São Paulo/SP)

Mais uma quarta-feira chegou e com ela, a nossa entrevista da semana! Hoje, trazemos ao nosso time de leitores um bate-papo com a Banda Busic, de São Paulo/SP! Tá curioso? Então, vem com a gente!



Galera, para nós d’o Subsolo, falar com vocês hoje é uma baita honra, porque somos muito fãs do trabalho da banda Busic. Obrigada pelo tempo dispensado. Agora, para iniciarmos, vamos ao que todos querem saber: como surgiu a ideia da banda?
Andria Busic: Eu e meu irmão, como vocês sabem, fizemos a tour de despedida do Dr.Sin e após isso ficamos um tempo parados e tínhamos algumas músicas que não usamos, outras inacabadas e outras que estávamos compondo no estúdio. Mas não tínhamos nada programado. Então um dia peguei uma das músicas que tínhamos gravado apenas baixo e bateria, gravei umas guitarras e coloquei umas vozes em português. Quando o Ivan chegou e ouviu ele não entendeu nada, pois parecia minha voz, mas não conhecia a música. Então pedi para que ele colocasse as vozes dele no refrão e curtimos demais. Esse foi o pontapé inicial da banda que depois veio a se chamar Busic, pois a partir desse momento nos empolgamos tanto que em 20 dias tínhamos feito o CD inteiro.

Zeca: Eu fui convidado a participar da banda e fiquei muito contente, embora um pouco confuso na hora, pois sou baixista e vocalista de formação (inclusive, Ivan já havia gravado as baterias no CD da minha ex-banda, o Mundo Cao). Aí, eles me explicaram que precisavam de alguém para fazer as bases, violões, backing vocals e, eventualmente, alguns teclados. Topei na hora!

Uma das diretrizes bases da banda é “não comentar sobre política, futebol e religião”. Inclusive, a banda “perdeu”, há um tempo atrás, um de seus membros por conta disso, como se deu essa saída?
Andria Busic: Só não queremos nos envolver em nenhum assunto que não seja exclusivamente a nossa música e respeitamos a opinião de todos. Quando pedimos para que não falasse sobre política, ele preferiu deixar a banda.

Zeca: Cada um tem suas posições políticas, sua religião e seu time do coração, mas isso não é discutido em público. É muito fácil entrar numa polêmica por bobagem, então decidimos falar apenas sobre música, que é o que sabemos fazer de melhor. Isso sem contar que há quem vote em fulano ou no ciclano depois de ouvir um artista dizer que vota em tal pessoa. Mas quem disse que a opinião do artista é a correta?

Aproveitando o “gancho” da pergunta anterior, como foi a seletiva para o novo guitarrista, Thiago Melo?
Andria Busic: Na verdade foi uma tarefa muito difícil porque nos deparamos com muita gente talentosa e já estávamos com um amigo nos ajudando nos shows que estavam marcados e não teríamos tempo de procurar por outro. Trata-se de um excelente guitarrista e grande amigo, Jaeder Menossi, da banda Pop Javali, e somos muito gratos, pois nos ajudaram demais nesse momento. A escolha do Thiago foi pelo seu estilo de tocar e também porque nos demos muito bem desde o início. O Thiago é um talento inacreditável e uma pessoa muito boa. Uma escolha muito feliz.

Ivan Busic: Na realidade foi uma experiência magnífica ver a quantidade de talentos e de pessoas interessadas em entrar na banda Busic. Assistimos mais de duzentos vídeos na seletiva de que realizamos para encontrar um novo guitarrista e no final sobraram 24 monstros para a audição final. Vários poderiam estar no posto hoje, mas o Thiago Melo sintonizou conosco em todos os sentidos naquele momento. Mas todos eram realmente geniais. Thiago é um dos melhores guitas que já vi na vida com certeza.

Zeca: Thiago impressionou a todos pelo seu bom gosto, técnica e timbre. Lembro de ter comentado com amigos sobre sua audição logo depois de sair do estúdio. E olha que para se destacar entre todos os guitarristas que participaram do processo de audição não era tarefa fácil - era um melhor que o outro! Sem contar que ele é uma pessoa do bem. Em poucos meses de convivência nos tornamos grandes amigos! E já sou fã dele!

Quais as influências de vocês? Quais são as bases para a banda Busic existir? 
Andria Busic: As nossas maiores influências e nossos heróis são e sempre serão as bandas dos anos setenta como Led Zeppelin, Deep Purple , Queen, Black Sabbath, Rush, Kiss e tantas outras .

Ivan Busic: Influencias dos anos setenta com certeza são mais presentes na sonoridade da banda, mas a gente ouve de tudo desde Blues até as bandas mais atuais e de todos estilos. Mas, claro, com Rock sempre como carro chefe na disqueteira do carro (risos).

Zeca: Minhas influências são o hard rock americano, como KISS, Van Halen e Bon Jovi. Entretanto, gosto muito de um cantor e guitarrista country americano chamado Brad Paisley. Ouvir suas músicas é como respirar ar fresco depois de sair de um bar cheio de fumantes!

Quais os próximos projetos da banda Busic? Podemos contar com coisa nova da banda pro ano que vem?
Ivan Busic: Temos um livro que deve sair ano quem e que está sendo escrito por Paulo Pontes. Agora, em breve, teremos o relançamento do CD Busic já com os solos do Thiago Melo e uma faixa bônus.

Para encerrarmos, poderiam deixar algumas palavras pro público d’O SubSolo?
Andria Busic: Saibam que no que depender de nós faremos o possível e o impossível para mantermos a chama do rock acesa com muito amor, pois é o único jeito que sabemos e queremos fazer. E como o mestre Dio dizia: Long live Rock and Roll!

Ivan Busic: Obrigado a vocês e continuem fiéis ao rock e a tudo que é feito de coração e com verdade!

Zeca: Eu já havia entrado no portal algumas vezes e sempre gostei de ver o tamanho do espaço que vocês dão às bandas independentes. Isso prova que há público disposto a conhecer essas bandas. Fica aqui registrado meus parabéns pelo trabalho e um agradecimento ao público d’O Subsolo pela força que ele dá à cena de rock independente brasileira! Nos vemos na estrada, pessoal!


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20 novembro, 2017

Gabi e Os Supersônicos: novo single "Cirand’alma" é lançado com videoclipe

Angústias existenciais, as dores da vida na cidade grande e uma busca cíclica, recheada de encontros e desencontros consigo mesmo são os temas pautados no mais novo trabalho da banda Gabi e Os Supersônicos.




 
Gravada no estúdio “Da Pá Virada” e com produção do renomado produtor Marcio Nigro (Karnak, André Abujamra, Zeca Baleiro, Arnaldo Antunes, Hélio Ziskind), o single Cirand’Alma explora a mistura rítmica entre a musicalidade brasileira e as várias vertentes do rock, traduzindo a sonoridade característica da banda: misturar a força do rock com o peso das percussões brasileiras.

“O processo de produção foi fantástico, o Márcio ouve muito as ideias da banda, e agrega com elementos belíssimos pra musica, fazendo com que a liberdade musical que nos é tão importante seja bastante respeitada” diz a vocalista Gabi Albuquerque sobre a canção.

Com uma temática bastante reflexiva, a canção já vinha sendo apresentada nos shows e apresentando uma resposta altamente positiva pelo público da banda, sendo apresentada inclusive em programas como Tock Independente, gravado em junho de 2017.

O lançamento vem acompanhado de um clipe, produzido em parceria com a Infest Filmes, que conta com a direção de Paulo Marques Jr. O curta apresenta uma fotografia belíssima e traz a dança como linguagem para retratar de forma extremamente poética a angustia da vida na cidade, trazida pela canção, agregando ainda mais força pra mensagem proposta pela banda.

Assista Cirand’alma: 

19 novembro, 2017

Alter Ego: em apenas um ano, muitas conquistas foram alcançadas

Formada no inicio de 2017, pelo músico Kim Zanoni junto de Jaime Telles, a banda teve raízes expandidas em Balneário Camboriú/SC. Com menos de um ano de existência o grupo já carrega no currículo, um single, um videoclipe e um disco com cinco faixas, sem falar que atualmente ainda contam com oito mil seguidores em sua página no facebook e mais de trezentos inscritos na conta oficial no YouTube, isso em curto tempo. 


Uma mescla entre o New Metal, Nu Metal, Djent, Metalcore, Metal Alternativo e com pitadas modernas de Rap e Hip-Hop, toda essa miscelânea de influências só agrega numa sonoridade ímpar imposta por um projeto ousado e criativo. A proposta ousada se deve a compor desde o inicio, sem essa de iniciar com covers, criar raízes no cenário e só depois compor, não, desde os primórdios a ideia foi apresentar suas músicas com protestos sociais, ideologias e tudo aquilo que sentiram necessário falar.

Todo esse trabalho focado e sério, os levou ao Top 5 das votações do "Prêmio Catarinense de Música 2017" na categoria "Artista Revelação", sendo as outras bandas: Bruna Martini, Disaster Cities, Orquestra Manancial da Alvorada, Royal Roots Corporation. (você pode votar clicando aqui).



Maturidade, foco, ousadia e persuasão, são algumas das características do Alter Ego, sendo a maior delas, a criatividade, capaz de encantar, expandir e cada vez mais aproximar um publico que procura por sonoridades novas. Quem deu seus primeiros passos no Rock/Metal ouvindo uma sonoridade progressiva, alternativa e capaz de encantar, se identificará com o trabalho dessa dupla super comprometida com seus ideais, e a única certeza, é que se em um ano fizeram tudo isso, imagina no segundo?

18 novembro, 2017

Topfive: cinco bandas para ouvir neste final de semana #58

O Clássico do seu fim de semana chega arrematando 5 bandas do nosso mercado. Pesada ou leve, Rock ou Metal, o importante é aproveitar o fim de semana com as melhores. Segue as indicações:




01) Doidivanas - Pelotas/RS


Começo com a "balada" mais nova desta super banda. A Doidivanas retorna com material inédito e, na minha opinião, um dos seus melhores CD's lançado dentro do aspecto composicional e musical. A banda traz sua clássica fusão entre o rock, elementos da cultura regional gaúcha e, neste som, uma participação especial que combina com este fim de semana. 




02) Pastore - São Caetano/SP



O rumo de minhas indicações começam a tomar peso, e dentro delas não poderia faltar o mestre Pastore com seu mais recente trabalho. São mais de 28 anos que este guerreiro detona dentro do Metal e suas vertentes. Pesado, equilibrado e muito bem cantado, mais um grande trabalho que alça o guerreiro para o mundo do Metal.




03) Wild Witch - Curitiba/PR

Não é de hoje que tenho uma amizade e respeito pelo trabalho de Arthur Migotto. A Arthorium Records vem trazendo grandes bandas e alçando elas no puro profissionalismo e dedicação. Sendo assim, recebi este belo presente: Wild Witch. Esta que lança seu primeiro Full Length no puro Speed/Thrash metal. Um power trio que me pegou de surpresa e mostrou que está aqui para detonar.




04) Carniça - Novo Hamburgo/RS


Eu estava realmente ansioso por este trabalho. E quando escutei, não ficou nada a dever. Uma discografia que vem desde 1991 crescendo e que agora, na minha opinião, lança o seu melhor álbum. Este que é o quarto disco e que traz grandes composições que não saem da minha cabeça. Fica aqui meu agradecimento ao Rodolfo Centeno da loja Rock Animal que me deu este grande presente.




05) Dark Avenger - Brasília/DF


Definitivamente meu TopFive mais pesado de todos já redigidos aqui. E para selar o que digo, trago estes mestres do Heavy Metal nacional. O interessante desta faixa é que a banda trata muito bem de um assunto atual que persiste a trazer vítimas dentro do nosso país e que merece um cuidado forte. Definitivamente na cena nacional, o ano foi do som pesado.



16 novembro, 2017

Krisiun: Por que a banda está pela segunda vez consecutiva no Maniacs Metal Meeting?

Por Clinger Carlos (Heavy Metal On Line).

Fotos: Kubometal Fotografia

Quando falamos em festivais de música pesada no Brasil, o Maniacs Metal Meeting é destaque nacional, pois já é considerado um dos principais eventos do Brasil. Aliando música pesada, em seus 3 dias de evento, onde estarão se apresentado 30 bandas de várias vertentes dentro do heavy metal nacional e internacional, o festival ainda apresenta algumas peculiaridades, que são as atrações nas imediações da Fazenda Evaristo, localizada na zona rural da cidade de Rio Negrinho-SC.

Um fator interessante que irá ocorrer nesta edição 2018, que quase nunca acontece em festivais de heavy metal pelo Brasil, foi a escalação do Krisiun, nosso maior representante do metal extremo, para se apresentar pela segunda vez consecutiva no festival, já que a banda esteve presente na primeira edição do festival no ano passado.

Em conversa com a equipe de produtores do festival, os mesmos relatam o porquê trazer a banda novamente para o festival: “É simples, existem bandas que por onde passam deixam seu legado, sua boa impressão, não só da sua música ou do seu show, mas também da facilidade de se relacionar com eles.” Não é a primeira vez que vemos Krisiun se apresentando repetidamente em cidades e casas de shows pelo Brasil, levando seu trabalho com dignidade e respeito para quem assiste suas apresentações. Ainda sobre o assunto a produção do festival relata: “Sentimos que a banda tem gratidão por quem se arrisca a organizar um festival, eles lutam para solucionar pequenos problemas junto com a produção, coisa que não vemos em muitas bandas menos reconhecidas que eles”.

O fato interessante é que se rodarmos o Brasil iremos encontrar histórias marcantes sobre o trio, que há muitos anos viajam pelo pais levando sua música e seu legado, que inclui humildade, amizades de longa data, respeito pelos fãs e muito profissionalismo com sua música. Em cidades do nordeste do país, como Fortaleza por exemplo, existem produtores que declaram abertamente seu respeito pela banda, por serem as mesmas pessoas que eram antes de alcançar o que alcançaram.

O Maniacs Metal Meeting acontecerá nos dias 8, 9 e 10 de dezembro, na Fazenda Evaristo, em Rio Negrinho e a apresentação do Krisiun, será no dia 10 as 21 horas.


MANIACS METAL MEETING 2017
2° LOTE DISPONÍVEL. VALOR FINAL SEM TAXAS ADICIONAIS:
- R$ 225,00 - Passaporte Meia Entrada
- R$ 235,00 - Passaporte Promocional*
- R$ 400,00 - Passaporte Inteira
*Promocional válido somente mediante entrega de 1kg de ração para cão ou gato.
Compras APENAS online: http://shop.maniacsmm.com/
- Sem taxa de serviço;
- Formas de pagamento: Débito online, boleto bancário e cartão de crédito em até 12x;
- Camping Incluso;
- O passaporte dá direito aos 3 dias do festival.

15 novembro, 2017

Entrevista: Andreas Kisser (Sepultura / De La Tierra)

Falar de Metal nacional e não falar de Andreas Kisser beira a heresia. O icônico guitarrista esteve nos tempos de ouro do Sepultura e até hoje é responsável por manter a maior banda de Metal do Brasil no topo, apesar das diversas mudanças que se passaram ao longos anos. Além das obras com a clássica banda mineira, Kisser já dividiu palcos e trabalhos com incontáveis músicos renomados de nosso país, continente e mundo, e se firma cada vez mais entre um dos mais influentes guitarristas do Metal. Recentemente, sua banda paralela De La Tierra foi nomeada ao prêmio de Melhor Álbum de Rock do Grammy Latino 2017, o que consagra o trabalho feito por Kisser no ano passado, quando trabalhou na gravação e produção dos álbuns "II", de seu supergrupo, e do "Machine Messiah", do Sepultura. 

Com muita coisa pra contar, tivemos a oportunidade de bater um papo com Kisser e ele nos contou um pouco sobre como é sua rotina dividindo tempo com as duas bandas e suas experiências com elas ao longo destes anos.


Andreas, muito obrigado por dedicar um tempo aqui pra conversar conosco, em meio a essa sua rotina de correria, fazendo show em todo canto. Inclusive, está conduzindo agora a turnê promovendo o "II" do De La Tierra, que começou lá no México com um show que foi totalmente beneficente, em pró das vítimas dos terremotos que devastaram inúmeras famílias mexicanas. Como foi essa iniciativa e esse show?

Andreas Kisser: Eu que agradeço o espaço, cara. Esse show foi muito legal, principalmente porque foi além de nossas expectativas em termos de arrecadação. Além de termos dedicado todo o valor das entradas para ajudar as vítimas dos terremotos, conseguimos um patrocínio que para cada ingresso vendido ele adicionou cinco pesos mexicanos, então aumentou bastante o valor arrecadado. Além disso, foi um show muito divertido pra nós, que voltamos o México com o De La Tierra após um longo tempo. A casa estava lotada, o público muito empolgado e pra nós foi um ótimo show. Estamos com um novo baixista no lugar do Sr. Flavio, e estamos aproveitando bem o que o Harold Hopkins vem trazendo pra gente. Sr. Flavio toca com os Fabulosos Cadillacs, enquanto Harold toca com o Puya, que é mais próximo ao Metal. Sr. Flavio trouxe muitas ideias por tocar coisas como ska, rock, reggae, e isso somou bastante no som que trabalhamos no D.L.T., e o Harold vem tocando isso que ele criou na banda, mas com seu jeito mais de Metal. 

E o De La Tierra na verdade está num momento fantástico, né Kisser? Recebeu essa nomeação para o Grammy Latino...

Kisser: Sim, fantástico. Era uma coisa que não era esperada, o disco foi lançado no ano passado e não tivemos a oportunidade de divulga-lo com turnê da forma que queríamos, já que sempre é difícil conciliar agenda em um supergrupo. Mas relançamos o álbum agora, pela Sony Latina e pudemos então começar a marcar shows e então veio essa nomeação ao Grammy Latino. Tem sido difícil conciliarmos nossas agendas, isso desde a criação da banda, mas sabíamos disso, são dificuldades de se ter um supergrupo, mas como gostamos de tocar, gostamos desse projeto, a gente vem tentando, desde o passado, arranjar tempo pra ensaiar, pra gravar, pra fazer show... tanto é que lá no começo, nós lançamos o álbum de estréia em janeiro e só fomos fazer nosso primeiro show em Bogotá, com o Metallica, em março. Mas como disse, como a gente tá curtindo a gente dá um jeito, e tá dando certo assim.

Realmente imagino o quão difícil deve ser conciliar essas agendas, mas vocês estão com uma turnê agora, com passagens por alguns países da América Latina, inclusive Brasil. 

Kisser: Isso, Bolívia, Chile, São Paulo. Mas a gente está tentando ir pra Europa, porque temos o intuito de quebrar essa barreira que tem por lá, não vemos as bandas latinas tendo grandes participações na Europa, e queremos encontrar algumas datas lá pra podermos promover nossa cultura, que é o grande intuito do De La Tierra. A gente vê bandas como o Rammstein que só canta em alemão, pois essa é a proposta deles, assim como a nossa é cantar em espanhol, algumas coisas em português. A gente criou esse projeto com a intenção de mostrar uma musicalidade diferente, essas influências latino-americanas, então a gente quer levar isso lá pra fora também, além de claro, promover o que a América Latina tem pra oferecer de Metal.

E acredito que essa nomeação ao Grammy por conta de vocês também tende a trazer um grande impacto nessa cena latino-americana de Metal, trazer mais atenção pras bandas desse estilo.

Kisser: Sim, sem dúvidas. Isso tem uma influência grande pra esse cenário e também proporciona a chance de levar o De La Tierra pra outros vôos.

Voltando ao tópico da conciliação de rotinas, 2016 deve ter sido um ano bastante corrido pra você, que esteve à frente de duas bandas que estavam em estúdio gravando novos álbuns, ainda tendo shows no meio disso tudo. Com o D.L.T. você lançou o "II" em 13 de novembro, e exatamente dois meses depois, o "Machine Messiah" pelo Sepultura. Como que você fez e faz pra conseguir dar conta disso?

Kisser: Bom, a data de lançamento do "Machine Messiah" na verdade foi adiada, originalmente seria em outubro e acabou sendo em janeiro, mas no final isso foi bom, pois iria criar um conflito ainda maior de agendas, e saindo no começo de 2017 tornou melhor a divulgação do álbum. Mas o que mais facilita é que o pessoal do Sepultura trabalha junto com o pessoal do De La Tierra, até tem alguns que trabalham pras duas bandas, principalmente pessoal que cuida das tours, então, isso ajuda a fazer essa conciliação. Mas ainda assim é quase um quebra-cabeças, principalmente pro D.L.T., mas é uma situação que a gente respeita muito, pois sabíamos bem que ia ser assim desde o início, já que estamos falando de bandas muito ativas, que são Sepultura, Maná, A.N.I.M.A.L. e Fabulosos Cadillacs... assim seria o D.L.T., não tinha outro jeito. Mas isso acaba ajudando um pouco, pois nos recicla, e a gente tem um privilégio, sabe, de não cansar um do outro...

Realmente, vocês conseguem evitar esse desgaste da convivência e ainda trazem cada um sua experiência em suas outras bandas.

Kisser: Exato. O De La Tierra é exatamente isso, então, a gente tem consciência disso e assim conseguimos curtir, sabe? O show no México foi fantástico, e saindo do palco peguei um carro e fui direto pro aeroporto, onde peguei um avião e fui até Bogotá e de lá pra São Paulo, onde peguei outro carro e fui tocar na gravação do DVD do Dudu Braga, com participação especial do Roberto Carlos. Então, velho, pra mim, qualquer oportunidade dentro da agenda, se tem um buraco ali que dá pra fazer algo, eu acho que vale a pena. Sempre há possibilidade de algo dar errado, como cancelamento de vôo e etc, mas não vou perder uma oportunidade por causa de um risco desse, sabe? Se há possibilidade de fazer, como aconteceu e deu certo, é porque é possível. Tem que ter força de vontade, porque pra mim é um privilégio poder tocar com músicos como o Andrés Giménez, Alejandro González, Sr. Flavio, o Harold... pra mim é simplesmente espetacular, estar nisso é como se eu tivesse com 17, 18 anos com uma banda nova, porquê, mesmo com toda nossa experiência, é uma banda nova. São idéias novas, propostas novas, então isso tudo motiva bastante a seguir mesmo com essas questões de agenda.

Aliás, com 18, 19 anos, nessa sua época de jovem, foi quando você entrou no Sepultura. O que chama mais atenção no Sepultura é que a banda se adaptou muito bem com o tempo, que começou com tendências de Death Metal, transitou pro Thrash Metal nos discos seguintes e quando chegou no "Roots" passou a puxar muito pro Groove Metal também. Essas mudanças na sonoridade da banda sempre foi algo natural de vocês que fazem parte do Sepultura? Como que vocês iam e vão encarando essas transformações?

Kisser: Quando a gente começou realmente a gente era muito jovem, então tínhamos uma cabeça, e estávamos inseridos em uma realidade que mudou muito com o passar do tempo. O que a gente sempre buscou foi fazer música, e inserir coisas novas faz parte dessa arte, que deixa mostrarmos nossas influências. Quando saímos do Brasil, mudamos muito nossa perspectiva dessas coisas também, pois a gente curtia só o Heavy Metal que vinha do exterior, e lá fora passamos a entender a grandeza da musicalidade brasileira, que traz muita riqueza, mas a gente não curtia essas coisas como carnaval como curtíamos Iron Maiden, Judas Priest e Black Sabbath... mas então a gente passou a prestar mais atenção nessas coisas, como a bateria de uma escola de samba, que é uma cacetada, quem já viu sabe o quão explosivo aquilo é. Então, foi a partir daí que passamos a explorar e ter essa característica mais percussiva em nosso som. Fora que também, a gente nunca teve medo de arriscar, a gente tomou isso como uma coisa positiva e passamos a utilizar elementos que nunca tinham sido usados no Metal, porque é isso que é a arte, novamente dizendo, não tem isso de "ah, mas é Metal, não pode misturar com isso". Música é arte, a gente sempre procurou explorar esses elementos, e foi muito por isso que conseguimos chegar a um lugar de destaque com o Sepultura, sendo diferente de várias outras bandas do estilo.

Esse é um ponto que acho muito interessante de se mencionar, inclusive. Até no "Machine Messiah" fica claro isso, que o Sepultura nunca mostrou medo em inovar, em trazer novos elementos. Agora vocês trouxeram muitos elementos orquestrais, teclados, seguiram essa linha de atualizar bastante a sonoridade da banda.

Kisser: Isso a gente deve também bastante a termos trabalhado com produtores fantásticos ao longo de nossa carreira. Caras que nos prepararam tecnicamente para termos a melhor performance em estúdio, caras que nos passaram a confiança que precisávamos, que vinha de fora e comprava a briga, por que muitas vezes, como no "Roots", a gravadora começava a arrancar os cabelos, e até a gente também, afinal, ninguém sabia o que ia acontecer! É que o processo foi simplesmente acontecendo, e da demo inicial até o resultado final foram mudanças drásticas. Então, eu acho que essa falta de medo, essa coragem pra arriscar, faz parte da arte da coisa, né? Isso de explorar, inserir novidades, não existe isso de "não pode"... Uma orquestra é nada mais do que isso, diversos instrumentos juntos e organizados, então, em uma banda isso não é diferente.

Ainda falando sobre o último álbum do Sepultura, uma coisa que me chamou muita atenção foi a questão da temática abordada. Vejo que foi direcionado a um ponto onde aborda essa certa devoção e dependência de uma boa parcela de nossa população a tecnologia, que se faz cada vez mais presente no nosso dia-a-dia. Como foi que vocês chegaram nesse conceito e falaram "olha, isso vai render um álbum muito bom"?

Kisser: Eu cheguei com essa ideia bem cedo, foi bem no momento em que a gente tava juntando as coisas para compor, escrever, de colocar as ideias juntas. E esse conceito nada mais é do que aquilo que a gente vê hoje, né? Temos o privilégio de viajar pelo mundo desde 1989, mas antes disso a gente só estava dentro do Brasil, e a hora que saímos vimos como era diferente lá fora, e ainda assim, havia muita mudança entre um país e outro. E até hoje a gente nota muito isso, pois vamos a países como EUA, Alemanha, Japão, que são países onde a tecnologia se faz muito presente, enquanto em outros países tem fãs nossos que precisam fazer um grande esforço financeiro pra poder ir em show nosso, ou comprar uma camiseta... sabe, são coisas que não chegam pra gente através do Discovery Chanel ou Jornal Nacional, tá ligado? A gente tem essa conexão direta, com o cidadão do país pra onde vamos. Gostamos de nos conectar com a cultura dos países, de nossos fãs, o que cria uma conexão mais complexa e profunda, e a tecnologia nos ajuda nisso de alguma forma. A gente vê a importância desses avanços em diversas áreas, a ciência ajuda muitas pessoas de diversas formas. Vemos isso no dia-a-dia, nos Jogos Olímpicos com atletas utilizando próteses, pessoas que conseguem levar uma vida melhor, a se locomoverem melhor... mas em contra-partida tem essa escravidão ao smartphone, laptop, tablet... a gente vê mesas de restaurante onde ninguém se olha, ninguém conversa com ninguém. Muitas pessoas estão ficando com falta de vontade de pensar, ficam dependentes de aplicativos pra comer, aplicativos pra dizer se tem que ir pra esquerda ou direita. Então a verdade é que os "robôs" não estão levando a gente a desenvolver muito o intelecto, e alguns se prendem muito a isso. O foco está saindo, digamos, da frequência, energia espiritual, isso cabe a como cada religião chama, certo? Mas os robôs, tecnologia, estão desviando esse foco de nosso equilíbrio, parece. 

Como disse, esse é um tema que me interessa bastante, e achei muito bem colocado o seu ponto de vista e vejo muita verdade nisso. Pra encerrar, você diz estar viajando mundo à fora desde 1989, desde novo você tem feito shows, desde aqui no Brasil até festivais enormes lá fora. Hoje você toca com seu filho Yohan no Kisser Clan, e com ele já tiveram oportunidades de tocar em eventos com públicos grandes, até no palco da Rock Street do Rock in Rio. Você, quando tinha a idade dele, imaginava que um dia estaria a frente da maior banda do Metal Brasileiro e seria um dos músicos mais respeitados e influentes do Metal internacional?

Kisser: Ah velho, olha, nem em sonho! Acho que nem tinha informação suficiente pra imaginar as coisas que aconteceram e ainda estão acontecendo (risos). Sabe, só de o Sepultura sair pra tocar fora já foi algo inimaginável, então, a gente foi aprendendo as coisas com o passar dos dias, até coisas como de quanto em quanto tempo deveríamos trocar as cordas da guitarra... foram coisas que fomos aprendendo com a vivência. Então, foi uma grande escola pra gente. Fomos pra Europa tocar com o Sodom, e saindo pra ir em um bar por lá a gente encontra o Lemmy (Kilmister), que paga cerveja pra gente. Então, é uma faculdade que a gente pediu a Deus.

O sonho foi se moldando aos poucos...

Kisser: Isso, a gente se prepara e acontece, então... sabe, é muito foco e energia boa, né cara? A gente sempre foi uma banda muito profissional, sempre levamos muito a sério, desde horário de ensaio, hora de estar pronto no palco, isso sempre tivemos em cabeça desde o começo. A gente se preocupava em estar sempre muito bem preparados, por isso sempre ensaiávamos bastante, batíamos cartão praticamente, era realmente o nosso trabalho. Isso que a gente nem tirava grana com os shows ainda, tínhamos ajuda de nossas famílias, mas éramos muito profissionais nesse aspecto. Por causa de nosso preparo, acabamos aprendendo a nos virar em qualquer tipo de situação, e tivemos que passar por elas, como tocar com qualquer tipo de equipamento. Isso foi muito positivo pra gente, pois aprendemos a fazer acontecer. Eventualmente, fomos tocar em Cuba, em 2008, ou 2009, e as condições eram muito precárias, então tivemos que ajudar, levar equipamento, enfim... aprendemos a tomar conhecimento de como funcionam as coisas de um show para podermos fazer por nós mesmos, que foi o que aconteceu na época. Tudo isso fez parte desse processo de aprendizagem pelo qual passamos ao longo de nossas carreiras.

Andreas, só tenho o que agradecer, espero que tenha gostado da conversa, agradeço muito, principalmente como fã do Sepultura, e se quiser deixar um recado aí pro pessoal que vai estar lendo.

Kisser: Meu, eu que agradeço pelo espaço, gostei muito sim. E claro, quero sempre agradecer o apoio de sempre de nossos fãs espetaculares, são eles que mantém o Sepultura sempre na ativa, tocando, com motivação, ao longo desses quase 34 anos e pelos próximos que estão por vir. Muito obrigado a todos vocês!

Agradecemos especialmente à Fernando Becker, vocalista da banda Underworld Secret, por nos ajudar à chegar até Andreas Kisser e tornar possível esta entrevista. 

14 novembro, 2017

SC METAL FEST: banda Captain Cornelius confirma presença

Atração confirmada: banda Captain Cornelius


"Unindo a força do rock (baixo, bateria, guitarra) e a diversão da Música Tradicional Irlandesa (bandolim, banjo, acordeon e flautas), com pitadas de Folk Metal e Punk, estamos na estrada para beber, brigar, festar, pular, dançar e o que mais vier, junto com vocês!"

Em comunicado na data de ontem, 14/11/2017, na página oficial do evento, os organizadores do festival informaram a baixa da banda Skinlepsy por motivos de saúde de um de seus membros e, como substituição, tivemos a feliz inclusão da banda Captain Cornelius.

Confirme presença no evento AQUI!


Bull Control: a intolerância política fez mais uma vítima

Todos sabemos que a partir do momento que ouvimos música, compramos a camisa de uma banda ou procuramos conhecer os gêneros mais a fundo, que cada um tem a sua ideologia, você conhece a do Hardcore? Muitas bandas do Hardcore registram sua posição política, as vezes até assiduamente, não é o caso do Bull Control.




O Bull Control é uma banda formada por veteranos do Hardcore, sabendo das filosofias de cada um que segue a banda, o grupo prefere se abster de discussões políticas até em suas redes pessoais. Recentemente a banda foi contratada para tocar em um festival na cidade de Limoeiro do Norte/CE, a organização criou alguns folders com protestos como em apoio ao LGBT e também um "morte ao mito", lembrando que a confecção dos cartazes de divulgação é de responsabilidade da organização. Mesmo com o festival estando com todos os alvarás para o evento ocorrer, e tinha acatado as recomendações do ministério público, não teve conversa, o evento teve que ser encerrado com um dia antes.

Em um vídeo ao vivo em sua página oficial, o membro Giovanni Feitosa, guitarrista da banda, deixou claro que: "Não aconteceu por "ser frouxo" / alguns partidários foram atrás para cancelar o evento e o prefeito que "queria manter o voto dessas pessoas talvez", acatou a solicitação da minoria" e ainda para finalizar o mesmo disse: "Se você não apoia a temática, o flyer ou o evento, fique em casa e não prejudique quem está na luta...".

Como a vida segue e a banda mantém sua cabeça erguida e consciência tranquila, se preparam para a próxima apresentação no 4º Quintal Abrigo no Abrigo Nuclear Estúdio, confira detalhes no flyer a seguir:




13 novembro, 2017

SC Metal Fest: novo festival em Santa Catarina acontecerá em Otacílio Costa

Na primeira edição do evento, participarão 20 bandas. O festival acontecerá entre os dias 18 e 19 de novembro de 2017, no Parque Cambará, na cidade de Otacílio Costa/SC.

O cast do festival contempla vários gêneros, todos, com bandas autorais. Teremos nomes que estão se destacando na cena catarinense como AbomiNação e AlkanzA, além de nomes já consagrados no meio underground como Fire Strike, RevogaR, Skinlepsy, e SLASHER.

Confira o flyer completo desta edição que tem tudo pra ser sensacional:



Sem dúvida, será um final de semana para ficar na memória de todos os presentes e O SubSolo estará lá, é claro! Faremos a cobertura do evento e estamos preparando entrevistas para algumas bandas, para garantir o material mais completo para os nossos leitores. 


Nos vemos em Otacílio Costa!

E você? Já confirmou presença no evento? CONFIRME AQUI!

Heitor Vallim divulga singles Crashing Waves e O Abismo PM


O cantor santista Heitor Vallim acabou de lançar as canções Crashing Waves e O Abismo. O novo trabalho contou a masterização de Ricardo Ponte, engenheiro de gravação e mixagem que faturou o Grammy Latino de Melhor Álbum Rock com a banda Scalene em 2016.  

As sessões de gravação aconteceram no Red Studio, em Santos. Na ocasião, os músicos, Heittor Jabbur, Raphael Lapetina e Maru Mowhawk, respectivamente, tocaram bateria, baixo e teclado. Segundo Vallim, “as duas músicas foram escritas no fim do ano passado. Elas vêm com uma parada mais introspectiva e atmosférica que o meu trabalho de estreia”, afirmou.

Ambas faixas já estão disponíveis nas principais plataformas de streaming, tais como Spotify, DeezerSoundcloud, entre outros.  Assista o lyric-video de Crashing Waves no link

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Resenha: Strange Feelings - Dirty Shot (2017)

Dirty Shot é formado por duas garotas e três garotos, uma banda formada em 2012 com sede de fazer Rock. Com o envio do disco físico recebemos um encarte com o release da banda, o que facilita o trabalho de um redator, parabéns a banda pelo profissionalismo e preocupação com os redatores nesse quesito.



A proposta da banda exposta em seu release é de fazer um Rock 'n Roll, é Rock, mas não tão "n Roll" assim. Acredito que a banda se encontre mais enraizada no Alternativo, próximo ao Indie. Suas músicas não tem riffs de guitarra memorável ou uma bateria mais marcante, sendo que as primeiras músicas do tracklist soam parecidas. Os vocais femininos chamam a atenção, mais falta um pouco mais de alternação nas linhas vocais, trazendo um pouco mais de caracterização para a banda.

As linhas de baixo cumpre com o exigido, faz uma cozinha impecável, as vezes até sozinho. A qualidade da captação da bateria atrapalha um pouco na performance do disco, as vezes o chimbal fica mais alto outrora mais baixo, assim como a caixa e alguns tons em suas viradas. Talvez o intuito do grupo tenha sido fazer algo fácil de ouvir e digerir, o som não é ruim, só não tem nada de novo ou característico. 


Os riffs de guitarra em certas vezes fica enjoativo, mas mesmo assim são criativos e também peca na hora captação, pois as vezes não está no volume exato e sendo que uma vez ou outra até some. As músicas tem uma boa ideologia, só falta aquela pitada de que faça que quem ouve o disco, sugue algo característico do grupo, como por exemplo uma música que se destaque no disco e seja o ápice de todo o trabalho. O disco é bom, a banda aparentemente entrosada, só falta uma lapidada em alguns erros, que tenho certeza que o próximo trabalho será ainda melhor.




Sobre a arte da capa, achei bem interessante a proposta apresentada, tanto a logo quanto a capa e contra capa. A proposta de um trabalho gráfico simples e objetivo sempre encanta, sendo que a cartilha que enviam junto do disco com informações da banda, é uma mão na roda para os redatores, então fica o agradecimento e elogio para que outras bandas sempre pensem em facilitar nossas vidas. Parabéns Dirty Shot!


TRACKLIST
01 – Sun Goes Down
02 – Free Space
03 – Ugly Tattoos
04 – March Of Liberty
05 – Can’t Listen
06 – Dead And Gone
07 – Live Fast
08 – D.I.O.
09 – Little Nightingale

FORMAÇÃO
Rosana Metler - vocal
Rafael Negri - guitarra
Rafael "Tatá" - baixo
Juliana Brizola - guitarra
Fernando Medrado - bateria

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