02 fevereiro, 2016

[ENTREVISTA] - PETE BERWICK, O PIONEIRO DO COUNTRY PUNK





Conhece a junção entre punk rock e country? Isso aconteceu já faz muito tempo e até fizemos uma matéria especial aqui no site sobre isso, vale a pena dar uma conferida, porque agora o registro é mais especial ainda. Um bate papo com um dos precursores do CowPunk! Peter Berwick, o pioneiro! Falando de sua trajetória, influências musicais e fazendo críticas duras a industria musical! 



1-      Oi Pete Berwick, estamos muito felizes pela oportunidade dessa conversa. O primeiro ponto gostaríamos que explicasse para nós, brasileiros, o que seria o country punk?

O prazer é meu em ser entrevistado por você, todo o meu melhor para o país mais lindo e de boas pessoas, o Brasil. Eu realmente espero visitar um dia. Country Punk, ou Cowpunk, como tem sido rotulado, é basicamente, a música country com uma condução, uma linha mais dura da tradição punk rock. A música tem uma pegada bem mais pesada, é tanto na atitude da performance, como a sonoridade. Como qualquer música é entregue torna o que é. Eu posso cantar uma canção de Johnny Cash e mantê-la tradicional, ou eu posso cantá-la com de maneira mais nervosa, guitarra destorcida, mais “suja”, e colocar uma batida de condução mais pesada para ela e ela vai assumir um som mais punk. Tudo veio naturalmente para mim, porque quando era jovem eu me considerava um punk rebelde, muito antes de ser chamado de punk. Eu usava jeans rasgados e usava sempre a mesma camisa que eu tinha, e se rebelava contra conformidade. Eu tinha esse hall de influência musical na minha mente desde criança, no início dos anos 60, e terminou por se fundir com o som de música country. Não há um estilo estritamente definido do que é ou não é Cowpunk. Eu sempre me considerei um compositor e artista do rock de raíz, mas de alguma forma essa definição rótulo de Cowpunk foi passada para mim, o que é bom. Chame do que quiser, eu apenas tento escrever canções que atingiam pessoas nas bolas.


2-    Podemos afirmar que você foi um precursor do gênero, não é?

Bem, eu estava trabalhando com este tipo de música muito antes de ser rotulado. O lance é, eu era mais jovem e ainda estava lutando para ter shows e atenção, enquanto outros artistas foram lá, fazendo coisas com o rótulo, como Jason & The Scorchers e outros. Eu estava ralando aperfeiçoando o meu ofício e tentando criar um novo som. Claro, todos nós temos nossas influências, mas eu estava tentando encontrar a minha própria voz, apesar das influências óbvias na minha música. No final dos anos 70, quando eu estava fora por conta da minha música, muito poucas pessoas entenderam. Foi confuso para as pessoas ouvirem música country de uma forma tão dura, alta e estridente. Alguns pensaram que irreverente e desrespeitosa. Eu só queria rock. Eu gostei Iggy Pop, bem como Hank Williams Sr. Ambas são boas músicas para mim, e parece muito natural para combinar os grandes sons e estilos de ambos os artistas.

3-    Quais artistas estão entre as maiores influências dos teus trabalhos?

Bob Dylan foi quem me inspirou a pegar uma guitarra e escrever canções. Ele foi e é o maior compositor que já andou do planeta. A música “folk” é a base e núcleo de tudo o que faço. Eu toco guitarra como um baterista, eu tenho mesmoum estilo de tocar de pegada mais dura e pesada. Eu sou um bom tocador da verdadeira guitarra base, e essa é base dá minhas músicas e álbuns que de condução e da linha mais consistente. Então, sim, Dylan, Johnny Cash, Iggy Pop, Lou Reed ... Na verdade, isso pode parecer estranho, mas Dean Martin foi uma grande influência para mim como criança. Gostaria de vê-lo na TV com uma bebida em uma mão e um cigarro na outra, e ele teria uma garota ao seu lado e estar contando piadas e cantar e ele parecia ter o seu público de jeito. A vida que eu queria ... as luzes, as bebidas, o palco. Dean Martin me fez querer entrar em show business.


4-    Pode nos conta como foi sua relação com música durante a juventude?

Bem, eu tive aulas de piano do jardim de infância até a oitava série, mas eu odiava fazer isso. Apesar de que hoje penso que gostaria de ter ficado nas aulas. Fora isso, sou autodidata. Sozinho eu aprendi a tocar guitarra com os livros de acordes e fazendo barulho até que encontrar os acordes e notas certas. Eu não tinha muitas discos, mas me lembro de ter "Sticky Fingers" dos Rolling Stones, e então aprendi a tocá-lo. Esse álbum teve uma grande influência sobre mim. Foi o álbum clássico do rock afinal. Tinha uma pegada country/folk e rock nele, e foi uma grande experiência de aprendizagem absorver o som cru e original desse registro. Até hoje ele é um dos meus álbuns favoritos de todos os tempos. Como eu disse anteriormente, eu sempre tive música na minha cabeça, como um grande amplificador preso em meu cérebro e eu gostava de sair pela casa fazendo esses ruídos estranhos através da minha boca desde que eu era um garotinho. Minha mãe estava preocupada com isso, pensava que tinha alguma coisa errada comigo. Hoje eles provavelmente me rotular como tendo Déficit de Atenção/TDAH e me colocar em uso de medicação. Minha boca era uma guitarra, e eu estava tentando traduzir o amplificador na minha cabeça usando minha boca, e os seus leitores não podem ouvi-lo como eu explico, mas que seria "dododododododo", que era música punk. Todos as batidas, tudo rápido, assim como os Ramones fizeram mais tarde.


5-    Como foi o processo de construção do seu público? Você tocava apenas para roqueiros ou os fans da música country te aceitaram bem?

Eu toquei em todos os lugares e para quem eu podia. No meu primeiro show com uma das minhas primeiras bandas, estava cantando para velhinhas em um bazar de igreja. Nós fomos pagos em hambúrgueres, e eu imagino que eles nos odiaram. Até hoje eu toco em qualquer lugar e em todos os lugares. Assim é que eu ganho a vida, por isso não posso dar ao luxo de ser exigente. As pessoas na América nem sempre fazem as melhores audiências. Muitos são indiferentes a tudo o que fazemos. Mas eu faço isso de qualquer maneira, e em todos os lugares. Eu não me importo. Eu sou um bom anfitrião, e eu trabalho duro para obter minhas conquistas, embora nem sempre fácil. Eu nunca pensei minha música apenas para este grupo de pessoas ou para aquele grupo. Há bastante estilos diferentes o suficiente em minha música para agradar a pessoas. As pessoas que não gostam de música country como as minhas coisas, e as pessoas que não gostam de música punk como as minhas coisas. Eu estouro seus ouvidos quando menos esperam, haha!


6-    Hoje você tem uma banda que te acompanha ou se apresenta sozinho fazendo sons acústicos?

Só acústico, só eu. Mantendo uma banda pra acompanhar é chato e caro. Eu posso fazer uma vida melhor realizando isso sozinho, e eu posso fazer mais shows e não tem que chamar três outros caras para ver se eles podem fazer o show ou não, ou se são capazes de irem para a estrada. Eu poderia colocar uma banda de apoio um dia, mas não há planos para agora. Se eu alguma vez tiver a oportunidade de ir para o Brasil tocar, seria absurdamente mais barato e mais possível para ir só eu e minha guitarra, em vez de uma banda inteira com tambores e amplificadores e todas esses equipamentos. Eu nunca tive uma banda em que alguém não reclamou de alguma coisa. Eu fazia todo o trabalho duro e então alguém ia chorar por ter de estar no bar cedo para passasr o som ou coisa do tipo. Eu trabalho melhor sozinho. A maioria dos músicos não têm idéia do trabalho envolvido com a construção de um nome, o que é bom, e eu posso entender. É uma vida difícil e dolorosa de compromissos. Não é uma boa vida, de qualquer forma, pelo menos não para a maioria das pessoas. Estou acostumado com isso, mas poucos podem pendurar ali o tempo suficiente para fazer o que precisa ser feito para construir seu nome. É preciso mais do que apenas aparecer e ligar a sua guitarra. Qualquer um pode fazer isso. Poucos continuam investindo nos próximos anos e décadas para os outros trabalhos pesado. Eu faço. Gosto de trabalhar e realizar sozinho. É solitário, especialmente na estrada, mas eu não tenho que responder a ninguém e ouvir reclamações, e eu fico mais cerveja grátis. Essa é a melhor parte!


7-    Você parou sua carreira por um momento, certo? Não viveu apenas de música, escreveu alguns livros, conte-nos como é o escritor Pete Berwick?

Sim, a partir de 2010 até 2015 eu escrevi quatro romances. Foi muito demorado e difícil, mas era algo que eu precisava fazer, e estou feliz por isso. Gostaria de manter a escrita, mas, infelizmente, muito poucas pessoas lêem livros. Todo mundo é viciado em smartphones e da internet e é difícil para as pessoas interessadas em livros. Meu primeiro romance, "The Bar Singer," é o meu favorito, e é sobre um cantor esgotado profissionalmente que sai viajando e cantando em bares, como eu sempre fiz e ainda o faço agora, com a frustração, solidão e mágoa de tudo. É ficção, mas baseada em grande parte da minha vida. Eu recomendo esse livro, é um passeio selvagem e louco em que se vai e volta do inferno. Eu amo escrever e eu li um monte de livros. Eu coleciono livros. Meu escritor favorito clássico é Ernest Hemingway. Ele influenciou muito a minha escrita e minha visão sobre a vida. Para mim, ele era o malvado. Nem sempre a melhor pessoa, ele tinha muitos defeitos, mas ele agarrou a vida pelas bolas e viveu dez vidas em uma só vida. Eu tento fazer isso eu mesmo, sempre tento. Uma vez que você está morto você não tem nenhuma chance de tentar de novo, e aí é tarde demais.


8-    Estamos passando por momentos de muitas mudanças políticas e sociais, você sempre teve a imagem de uma figura subversiva, inserido em no ambiente bastante conservador da música country, como vê a relação entre a rebeldia e as tradições do cenário country?

Não tenho certeza de como responder a isso, além do que, não há mais nenhuma relação, e não há tradição na música country mais. É tudo fraco, sem gosto e aguado. Johnny Cash e Waylon Jennings e outros “outlaws” nos anos 60 e 70 foram rebelde e subversiva, e as corporações de música country lutaram contra isso, e eles ainda o fazem hoje. É tudo sobre como fazer dinheiro para as corporações de música, não a pela arte genuína e real, pelo menos não mais. Não tenho certeza se eu estou respondendo a esta pergunta certa ou não. Música country de hoje é controlada por banqueiros e burocratas investidores. Não é real. Caras estão cantando tudo sobre o seu trator e suas calças jeans e nada de importância ou significado. Eu não ouvi, e eu não tenho nenhuma relação com Nashville ou daquele lado da indústria da música. Eu sou realmente o inimigo desse corporativismo, que é o que faz da minha música real. Eu controlo o que eu gravo. Se eu fosse assinado com uma grande gravadora eles gostariam de me limpar e fazer o meu som mais atraente, e menos duro e irregular nas linhas.


9-    E para encerrar, diga-nos quais álbuns você indica para as novas gerações escutarem.

Meus álbuns, todos os seis.


10-  Foi uma honra em conversar com o pioneiro do cowpunk, muito obrigado!

            Obrigado, o prazer e a honra foram todos meus


In English:

1- Hi Pete Berwick, we are very happy for the attention. The first point we would like to explain to us, Brazilians, what is the country punk?
It is my pleasure to be interviewed by you, and all my best to the beautiful country and good people of Brazil. I truly hope to visit one day. Country punk, or Cowpunk as it has been labeled, is basically country music with a driving, hard edge in the punk rock tradition. The music has twang as well as crunch, and it is as much in the attitude of the performance as well as the music. How any song is delivered makes it what it is. I can sing a Johnny Cash song and keep it traditional, or I can sing it with hard-edged anger and grit and crank the guitars up and put a harder driving beat to it and it will take on a punkier sound.  It all came naturally to me, because as a youngster I considered myself a rebellious punk, long before it was called punk. I wore ripped jeans and wore a shirt only when I had to, and rebelled against conformity. I had his wall of sound in my head since I was a kid, in the early 60s, and eventually merged that sound with country music. There is no one style that is or is not Cowpunk. I always considered myself a roots-rock songwriter and performer, but somehow that label definition of Cowpunk was passed on to me, which is fine.  Call it what you want, I just try to write songs that hit people in the balls.


2- We can say that you were a precursor of the genre, is not it?
Well, I was working with this music long before it was labeled anything. Thing is, I was younger and still struggling for gigs and attention while other artists were out there doing things with it, such as Jason & The Scorchers and others. I was cutting my teeth and honing my craft and attempting to create a new sound. Of course, we all have our influences, but I was trying to find my own voice despite the obvious influences in my music. In the late 70s, when I first was out performing my music, very few people understood it. It was confusing to people to hear country music in such a hard-edged and loud and raucous fashion. Some thought it irreverent and disrespectful. I just wanted to rock.  I liked Iggy Pop as well as Hank Willams Sr. It was all just good music to me, and seemed very natural to combine the great sounds and styles of both artists.


3- Which artists are among the biggest influences of your works?
Bob Dylan was the one who inspired me to pick up a guitar and write songs. He was and is the greatest songwriter to ever walk the planet. Folk music is the base and nucleus for all I do. I play guitar like a drummer, I have a real hard and solid rhythm style of playing. I’m a real good rhythm guitar player, and that foundation gives my songs and albums that driving and solid edge. So yeah, Dylan, Johnny Cash, Iggy Pop, Lou Reed… Actually, this may seem strange, but Dean Martin was a huge influence to me as a kid. I would see him on TV with a drink in one hand and a cigarette in the other, and he would have some chick at his side and be telling jokes and singing and he seemed to have his audience by the balls. I wanted that life…the lights, the drinks, the stage. Dean Martin made me want to get into show business.


4- You can tells us how was your relationship with music at a young age?
Well, I had piano lessons from kindergarten through eighth grade, but pretty much hated most of it. I wish I had stayed with it though. Other than that, I am self taught. I taught myself how to play guitar with chord books and by banging away until I found the right chords and notes. I didn’t have many records, but remember having “Sticky Fingers” by the Rolling Stones, and I played that one to death. That album had a big influence on me. It was the ultimate roots-rock album. There was county and folk and rock on it, and it was a great learning experience absorbing the raw and rootsy sound of that record. To this day it is one of my all-time favorite albums. As I said earlier, I always had this music in my head, like a big amplifier was stuck in my brain and I would go around the house making these weird noises through my mouth ever since I was a little kid. My mother was worried about it, thought I had something wrong with me. Today they would probably label me as having ADD and put me on medication. My mouth was the guitar, and I was attempting to translate the amplifier in my head into a wall-of-sound guitar, using my mouth, and your readers cannot hear it as I explain it, but it would be “dododododododo,” which was punk music. All down strokes, all fast, just like the Ramones did later on.


5- How was the process of building your audience? Did you play just for rockers or fans of country music accepted you well?
I played everywhere and to anyone I could. My very first gig with  one of my early bands was singing to little old ladies at a church rummage sale. We got paid in hamburgers, and I imagine they hated us. To this day I play anywhere and everywhere. This is how I make my living, so I can’t afford to be choosy. People in America don’t always make the best audiences. Many are indifferent to whatever you do. But I do it anyway, and everywhere. I don’t care. I am a good entertainer, and I work hard to get the room on my side, though not always easy. I never thought my music just appealed to this group of people or that group. There are enough different styles in my music to appeal to enough people. People who don’t like country music like my stuff, and people who don’t like punk music like my stuff. I sneak it into their ears when they least expect it, haha!



6 Today you have a band that accompanies you or show only the acoustic sounds?
Solo acoustic, just me. Keeping a band going is tiring and expensive. I can make a better living performing alone, and I can do more gigs and don’t have to call three other guys to see if they can do the gig or not or are able to go on the road. I might put a band back together one day, but no plans for now. If I ever get the chance to come over to Brazil and perform, it will be a hell of a lot cheaper and more possible for just me and my guitar to fly over there instead of an entire band with drums and amplifiers and all the rest of it. I have never had a band where someone didn’t complain about something. I would do all the hard work and then someone would cry about having to be at the bar early for sound check or whatever. I work best alone. Most musicians have no idea the work involved with building a name, which is fine, and I can understand. It is a hard and painful lifetime of commitment. It is no good life, anyway, at least not for most people. I am used to it, but few can hang in there long enough to do what needs to be done to make a name for themselves. It takes more than just showing up and plugging in your guitar. Anyone can do that. Few invest in the years and decades of all the other grunt work. I have. I enjoy working and performing alone. It gets lonely, especially on the road, but I don’t have to answer to anyone and listen to complaining, and I get more free beer. That’s the best part!


7- You stopped his career for a while, right? Not only lived music, wrote some books, tell us about Pete Berwick as the writer?
Yes, from 2010 through 2015 I wrote four novels. It was very time consuming and hard, but it was something I needed to do, and am glad it is done. I would like to keep writing, but sadly, very few people read books anymore. Everyone is addicted to smartphones and the internet and it is hard to get people interested in books. My first novel, “The Bar Singer,” is my favorite, and it is about a burned-out singer who travels around singing in bars, like I always have and still do now, and the frustration and loneliness and heartache of it all. It is fiction, but based on much of my life. I highly recommend that book, it is a wild and crazy ride through hell and back. I love writing and I read a lot of books. I collect books. My favorite classic writer is Ernest Hemingway. He influenced a lot of my writing and my view on life. To me, he was the ultimate badass. Not always the best person, he had many faults, but he grabbed life by the balls and lived ten lives in one lifetime. I try to do that myself, always have. Once you are dead you have no chance to try again, and it is too late.


8- We are going through times of many political and social changes, you always had the image of a subversive figure, set in the very conservative country music environment, how do you see the relationship between the rebellion and the traditions of the country scenario?
Not sure how to answer this, other than, there is no relationship, and there is no tradition in country music anymore. It is all weak and tasteless and watered down. Johnny Cash and Waylon Jennings and other outlaws back in the 60s and 70s were rebellious and subversive, and the country music establishment fought against that, and they still do today. It’s all about making money for the music establishment, not the art and the genuine realness of it, at least not anymore.  Not really sure if I am answering this question right or not. Today’s country music is controlled by bankers and bean counters. It is not real. Guys are singing all about their tractor and their blue jeans and nothing of importance or significance. I don’t listen to it, and I have no relationship with Nashville or that side of the music industry. I am really the enemy of the commercial establishment, which is what makes my music real. I control what I record and what it sounds like. If I were signed to a big label they would want to clean me up and make my sound more appealing and less harsh and jagged around the edges. 


9. To finish, tell us what albums you indicate to the new generations hear.
My albums. All six of them.


10- It was an honor to talk to the pioneer of cowpunk, thank you!
Thank you, the pleasure and honor was all mine! 

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