23 março, 2016

[RESENHA] - ANGRA "HOLY LAND" (1996)

Em 1500, ou por volta disso, os portugueses cruzaram os mares em busca do rico comércio indiano. No entanto, num erro de rota acabaram tomando um caminho diferente e encontraram algo que foi, sem dúvidas, muito mais interessante. Uma nova terra, uma terra santa. Um grande impacto pluri-cultural surgiu ao descobrirem um povo jamais visto anteriormente por eles, com traços e tradições totalmente diferentes. Daí, nasceu uma história que dura mais de meio milênio chamada Brasil. O que outrora fora uma terra santa, hoje cabem dúvidas a respeito disso, mas uma banda, há exatos vinte anos resolveu gravar definitivamente essa grande aventura lusitana em uma mágica forma de música. O resultado disso é a perfeita obra "Holy Land", do Angra


Alguns colocam o álbum como o auge definitivo da banda, mas eu acredito que a banda alcançou esse topo com outro trabalho futuro, mas não é nenhuma incógnita de que "Holy Land" figura entre os maiores álbuns já feitos no Brasil, e seria justo se também fosse citado em alguma lista dos melhores discos de Metal Melódico do mundo. É impecável e imaculado em cada nota. Um grande e genial trabalho de toda a banda, que estava pronta para colocar o Angra entre as melhores bandas de Metal da história.

O vocalista André Matos e o guitarrista Rafael Bittencourt escreveram letras sensacionais para "Holy Land", que narram essa chegada das embarcações lusitanas e esse choque de culturas entre portugueses e os nativos brasileiros. Para as melodias faltam adjetivos. Todo o arranjo das canções são muitíssimos bem elaborados e afloram criatividade e inspiração. A bateria de Ricardo Confessori é poderosa, que faz um estrago junto com o baixo de Luiz Mariutti. Os riffs e solos da dupla Kiko Loureiro e Bittencourt são explosivos, empolgantes e belos. Destaque também para os instrumentos de apoio que surgem ao fundo e por vezes tomam a frente, enchendo nossos ouvidos de música em sua mais pura e honesta essência.

Formação clássica da banda, com (a partir da esquerda) Rafael, Ricardo, André, Kiko e Luiz

É uma missão ingrata ter que destacar apenas uma ou outra música. Eu diria que "Nothing to Say" é minha preferida, por trazer um peso e uma melodia sem igual. Mas a beleza de "Carolina IV", com toda a orquestração beirando a perfeição, o lindo piano de Matos e seu vocal potente e afiado deixam a música em um espaço especial no topo. Sem dúvidas, essa faixa de inspiradores 10 minutos e 36 segundos é uma das músicas mais bem executadas e mais criativas do Brasil.

A faixa título mistura elementos tipicamente brasileiros com um lindo arranjo de piano. A mistura do fruto de dois povos em forma de música. O resultado? Genial. A banda também não perde a passada e coloca a dose suficiente de peso nos momentos ideais. Sem dúvidas, o Angra está transbordando inspiração nessa fase da carreira de cada músico dessa formação.

"Make Believe" foi o primeiro single lançado pela banda. É uma canção muito bonita, bem elaborada, marcante e tem um refrão poderoso. O vocal de Matos rouba a cena nessa faixa, assim como se destaca em todo o álbum. Agudo e forte, super afinado e alcançando notas impressionantes, que intimidam qualquer vocalista que tente o imitar.

Sim, parece exagerado usar tantos adjetivos, mas a genialidade empregada pela banda neste disco é realmente de se emocionar, obrigando-me a usa-los. É um disco marcante para a história do Metal Brasileiro. Perdi muito tempo de minha vida sem conhecer Angra, e quando resolvi mergulhar no meio de tantos discos sensacionais que a banda lançou, descobri um novo conceito de Metal, de não seguir rótulos, e sim de criar novas tendências. "Holy Land" é isso, uma total inovação na linha de Metal Melódico brasileiro, permitindo a adição de diversos elementos, puxando a tipicalidade folk, a beleza do sinfônico, a velocidade do power e veracidade do heavy. Juntando tudo isso, somando uma criatividade musical ímpar, temos o Angra, e então temos o "Holy Land".

Feliz 20 anos para todos aqueles que se envolveram na criação desta obra-prima do Metal, desde as gravações na Alemanha até as realizadas aqui. Em especial, parabéns aos músicos que registraram um dos melhores momentos criativos da vida deles.


MÚSICOS
André Matos - vocal, piano, teclado, órgão e arranjos orquestrais
Rafael Bittencourt - guitarra, vocais de apoio e percussão adicional em "Holy Land"
Kiko Loureiro - guitarra, vocais de apoio e percussão adicional em "Holy Land"
Luis Mariutti - contra-baixo
Ricardo Confessori - bateria e percussão adicional em "Holy Land"


FAIXAS

01. Crossing (intrumental)
02. Nothing to Say
03. Silence and Distance
04. Carolina IV 
05. Holy Land
06. The Shaman
07. Make Believe
08. Z.I.T.O
09. Deep Blue
10. Lullaby for Lucifer
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