10 maio, 2016

[RESENHA] - GIANT GUTTER FROM OUTER SPACE - BLACK BILE (2016)

Giant Gutter From Outer Space é uma banda no mínimo curiosa. Além do nome peculiarmente grande e por ser formada apenas por baixo e bateria, o som dos caras é realmente de outro espaço. É confuso, complexo, pesado, extremamente grave e... assustadoramente impressionante. Se dispor à ouvir "Black Bile", o último lançamento do duo curitibano, é topar entrar numa viagem astral de quarenta minutos e voltar apenas depois disso. No meio dessa jornada, não tem parada nem opção de voltar, apenas de continuar enquanto o som consome sua mente a cada segundo que passa.

São seis faixas instrumentais que realmente te tomam por inteiro, dominando seu ouvido com essa experiência nascida da fusão entre um contra-baixo ousado e insano e uma bateria possuída e igualmente insana. O resultado disso não poderia ser nada além de um caos sonoro com requintes de uma estranha beleza. Chega a ser difícil se encontrar no meio disso, talvez se o ouvinte se preocupar em tentar entender acabará perdendo o proveito da trip astral, sendo recomendado apenas deixar as músicas falarem por si só, sem rótulos, sem preocupações, apenas a essência criativa dos dois músicos.

Provavelmente é um álbum que agradará aqueles que curtem coisas mais progressivas, e para aqueles que curtem músicas experimentais é um prato cheio. Não diria que é uma banda para você bater cabeça, mas sim para permitir o som estonteante dessa dupla ir tomando conta dela, no meio dos passeios que os músicos fazem em seus instrumentos.


Hernan Rodrigo é o responsável pelas cordas, enquanto Johnny Rosa destrói na bateria
"Black Bile" foi o terceiro lançamento do Giant Gutter From Outer Space em 2016. O álbum foi lançado de modo digital pelos paulistas da Sinewave Net Label, pelos finlandeses da Terranean Recordings e pelos os sérvios da Splitting Sounds Records. A Lombra Records será encarregada da reedição do lançamento físico, em vinil - a primeira e limitadíssima edição esgotou na pré-venda. As gravações foram realizadas no Estúdio Clínica, em Curitiba, e a produção ficou por conta do músico de flamenco Murillo da Rós. A arte do disco é de uma beleza simples e enigmática, sendo creditada ao fotografo Cesinha Marin.

A própria banda definiu seu som como "cacofônico, distorcido, disforme, vil, torpe, barulhento e, de certa forma, feio", enquanto eu prefiro resumir como arte. Uma arte contemporânea, que você pode não entender, não gostar, fazer cara feia, mas no fim tem que admitir que chamou sua atenção de alguma forma. O desconexo som do GGFOS é estranhamente bom, e acabou ganhando meus ouvidos até o final dessa viagem.




TRACKLIST
1. Circles of Interference
2. Whether If It Was a Dream or Not
3. Joy and Misery
4. Funeral Under My Window
5. Opium and Reminiscence
6. Memory, my Enemy 

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