08 junho, 2016

Entrevista: Dani Nolden, vocalista da Shadowside

A banda brasileira de Heavy Metal Shadowside chegou na Suécia para a gravação de seu 4º álbum de estúdio. A banda esteve nos últimos meses focada na pré-produção de seu novo álbum e já está no Fredman Studio, em Gotemburgo, onde iniciou esta semana as gravações oficiais deste novo álbum, que contará com a estreia oficial do baixista sueco Magnus Rosén (ex-Hammerfall).

O grupo já está reunido com o produtor Fredrik Nordström (Arch Enemy, Evergrey, Bring me the Horizon, Hammerfall), o mesmo do álbum anterior "Inner Monster Out", para trabalharem juntos durante as próximas quatro semanas até a conclusão do álbum.

O novo álbum da Shadowside já tem uma participação de peso anunciada e trata-se de Andy La Rocque, guitarrista mundialmente conhecido pelo seu trabalho no King Diamond. O renomado músico, que também fez algumas aparições ao vivo com o Motörhead, escreveu algumas músicas em parceria com Magnus Rosén que farão parte do novo trabalho da banda.

Para conversar sobre esse momento e o passado da banda, tivemos a honra de entrevista a talentosa vocalista Dani Nolden, que nos contou sobre o clima desse disco e a proposta por trás dele, além das inspirações que farão este disco ser, como ela mesmo garantiu, melhor que "Inner Monster Out". Confira!


O SubSolo: E mais uma vez, O SubSolo tem o prazer de estar com uma banda santista. Dessa vez, estamos com a Shadowside, banda de um heavy metal poderoso e que tem três álbuns gravados, sendo o primeiro em 2005 e o mais recente em 2011. Agora, a banda foi até a Suécia para registrar mais um trabalho. Como foi essa ansiedade pré-estúdio?

Dani Nolden: Ainda não caiu a ficha muito bem (risos). Como tínhamos trabalho a fazer até o momento da viagem, acho que só percebemos de verdade o que está acontecendo no momento de entrar no estúdio. Começaremos a gravar em alguns dias, mas tudo ainda parece tão distante... minha ansiedade na verdade é com relação a ver o álbum pronto e finalizado. Eu quero mostrar logo. Gravar é o de menos (risos).

O SubSolo: Não é o primeiro contato de vocês com a Europa. Aliás, na própria banda tem um europeu, que vem exatamente do país onde vocês vão fazer as gravações. Como foi que um cara com a bagagem do Magnus Rosen chegou ao posto de baixista da Shadowside?


Dani: Nós conhecemos o Magnus no show que fizemos em Gotemburgo ao lado do Helloween e do Gamma Ray, porém foi um contato superficial na época. Nós sempre o admiramos como músico, então quando nos deparamos com a necessidade de chamar um novo baixista para a banda, imediatamente pensamos nele, inicialmente apenas como um músico para gravar o novo álbum. Entramos em contato com ele, conversamos um pouco sobre a banda, mostramos algumas músicas e acabamos percebendo que ele na verdade seria perfeito como membro efetivo da banda, então perguntamos se ele tinha interesse em ser nosso novo baixista e não apenas um músico de estúdio. Felizmente, ele disse que sim e aí estamos!

 O SubSolo: Magnus já trabalhou com grandes gigantes do metal melódico. É um músico com estilo bem marcante e dono de uma técnica que impressiona a muitos. Como é estar trabalhando ao lado de uma personalidade dessa?

Dani: O Magnus é extremamente dedicado, perfeccionista, cheio de ideias e tem sido muito fácil trabalhar com ele. Ele tem se mostrado ser uma pessoa simples, sempre preocupado em deixar todo mundo feliz. Todos nós já sabíamos que ele faria a parte musical de forma impecável, afinal ele é um dos melhores baixistas do mundo, mas ficamos surpreso com o fato de que além disso ele é bastante humilde e gentil com todos.

O SubSolo: Aliás, estar ao lado de grandes nomes é algo que vem desde os primeiros anos da banda até as turnês mais recentes. Bandas renomadas já contaram com a Shadowside abrindo para elas. Todas essas experiências influenciam na hora de gravar um álbum?

Dani: Sim, muito! Aprendemos muito com essas experiências. Amadurecemos muito com conselhos de outras bandas e artistas, com o que passamos na estrada, com o que observamos. Sem dúvida alguma, nosso maior aprendizado foi na estrada, aproveitando cada oportunidade para evoluir um pouquinho mais. Tocamos com bandas como Iron Maiden, Sepultura e W.A.S.P., seria muita arrogância da nossa parte não aproveitar esses momentos para aprender tudo que fosse possível. Valorizamos bastante essa interação entre os artistas, inclusive com artistas com menos tempo de carreira que nós... muitas vezes, é o pessoal que começou depois que aparece com as ideias novas e acho que todas as bandas podem aprender umas com as outras.

O SubSolo: Santos é uma cidade que parece não cansar de exportar grandes bandas. Como é a sensação de estar numa cena poderosa como a da Baixada Santista e também já estar fazendo turnês pela Europa?

Dani: Santos é uma cidade artística por natureza, então termos uma cena talentosa é algo natural. Alguns dos melhores músicos do Brasil estão na Baixada, então é um orgulho e uma honra poder tocar com a Shadowside em turnês internacionais levando o nome da cidade e da região.

O SubSolo: O som da banda traz diversas influencias. Temos riffs extremamentes pesados, que remetem bastante a um Thrash Metal, mas que em determinados momentos a guitarra e o baixo se permitem fazer belas melodias, coisa mais do Power e do Heavy. Aliás, tenho que destacar que seu vocal se encaixa muito bem em todos os momentos. Como que vocês chegam a essas misturas que resultam no som autêntico da Shadowside?

Dani: É bem legal que você tocou nessa questão da mistura! Isso acontece porque nós abraçamos as tão famosas diferenças musicais. Nós nunca brigamos por diferenças musicais e dificilmente você vai ver isso como uma causa de mudança formação da Shadowside, porque nós realmente gostamos disso. Temos gostos e influências muito diferentes dentro da banda, mas todos têm a liberdade para dar ideias, fazer mudanças em todas as partes da música, fazemos todas as músicas como um grupo e não paramos de trabalhar em algo enquanto todos não estão satisfeitos, e como você deve imaginar, é bem difícil agradar a todos quando esses gostos são tão distintos! É um desafio enorme agradar, ao mesmo tempo, alguém que gosta de thrash metal, alguém que gosta de hard rock, alguém que gosta de pop anos 80, alguém que gosta de metal moderno e outro que não suporta (risos). Chegar a um equilíbrio não é fácil, mas quando conseguimos, acabamos criando algo diferente, longe de todas as nossas bandas favoritas, mas com elementos de tudo que cada um de nós escuta.


O SubSolo: Nesse novo álbum que está por vir, o que os admiradores da banda podem esperar? A banda vai apostar em um lado mais pesado nas composições ou vão buscar riffs com bases mais cadenciadas e melódicas?

Dani: Ambos! O álbum está cheio de riffs muito pesados, mas também está bem musical. É a evolução natural do “Inner Monster Out”, porém muito mais maduro e com muito mais atenção aos detalhes.

O SubSolo: Podemos esperar a mesma pegada do "Inner Monster Out" neste novo álbum? Ou podemos ser surpreendidos com outra sonoridade?

Dani: A sonoridade será similar, mas é um álbum mais equilibrado, mais maduro, como eu dizia. É mais musical, com uma atenção bem especial ao refrão, aos solos e aos riffs. É mais pesado e veio com uma personalidade própria. Quem gostou do “Inner Monster Out”, com certeza vai gostar do novo trabalho, mas ainda assim vai se surpreender. Eu sinto que foi um salto bem grande na qualidade da composição.

O SubSolo: Por falar no "Inner Monster Out", é considerado o melhor trabalho da banda até o momento? Afinal, no ano de 2011 chegou a ser escolhido como o melhor álbum do ano por vários meios de comunicação. Foi considerado o grande ápice da banda? Como foi produzir?

Dani: Sem dúvida, ele é considerado nosso melhor trabalho até hoje, não apenas pela mídia e pelos fãs, mas também por nós. Nós achamos que o novo será melhor e espero que vocês concordem com a gente (risos). Mas enquanto ele não é lançado, com certeza o “Inner Monster Out” foi nosso momento mais alto. Chegamos às paradas dos álbuns mais vendidos no Japão e dos mais tocados nos Estados Unidos, algo que nunca sequer havíamos sonhado em conseguir.

O SubSolo: Quais os planos e objetivos que a banda traçou para este ano de 2016? Tem algo que podem nos contar com exclusividade?

Dani: Como estamos completamente concentrados no álbum, ainda não paramos para traçar em detalhes o restante do ano, mas com certeza vai envolver uma turnê após o lançamento do álbum e vamos fazer de tudo para que ela seja ainda mais longa do que a do “Inner Monster Out”, que teve mais de 50 shows ao redor do mundo e no Brasil. Queremos dedicar o máximo de tempo que pudermos para a estrada, pois é o que mais gostamos de fazer: tocar. Todas as nossas músicas são compostas pensando no show, então queremos passar muito tempo tocando ao vivo.

O SubSolo: Desejamos uma boa turnê, que possamos marcar outra conversa após a realização desta, estamos ansiosos pelo novo álbum da banda. Agradecemos a oportunidade de conhece-los melhor e trocar está ideia. Deixamos este espaço para deixarem uma mensagem a nossos leitores.. Obrigado!


Dani: Eu que agradeço pelo espaço e pelo apoio! A realização do novo álbum não seria possível sem essa força que recebemos de vocês e do público. Muito obrigada! Fiquem ligados nas nossas redes sociais que vamos manter vocês atualizados de tudo que estiver acontecendo lá no estúdio. Nos vemos logo!
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