13 setembro, 2016

Cobertura: Santana's Sunday - V (Lages/SC, 2016)

No dia 11/09/2016 ocorreu a 5ª edição do festival Santana’s Sunday, na cidade de Lages (SC). O festival ocorre em domingos à tarde, na Pousada Refúgio do Lago e é organizado pelo Cyro Wolff (guitarrista da banda de black metal Conspiracy 666) e pelo Thomas Michel Antunes (guitarrista da banda de rock 355 e da banda de heavy metal Plunder). O nome do festival faz referência ao personagem Santana, o vilão do filme “Obrigado a Matar”, sendo que esse filme foi gravado na fazenda em que o festival ocorre. O ator que interpretou Santana é o proprietário da fazenda, Domingos Valente.

O ambiente agradável e o fato de o evento ocorrer no período vespertino, favorece o comparecimento não só de grupos de amigos e motociclistas, como também de famílias que levam seus pequenos filhos headbangers para curtir um som e aproveitar o final de semana. Todas as 5 edições do festival ocorreram em 2016, reunindo bandas locais e um número satisfatório de público.



Na 5ª edição do Santana’s Sunday, o público pôde curtir o som das bandas catarinenses: Vlad V; Neófito; Ovários; Painel de Jipe e Septikós. Foi uma tarde ensolarada de calor atípico à serra catarinense nessa época. O festival foi aberto pelo som pesado da banda Septikós, que apresenta músicas tanto autorais quanto covers no estilo death e grindcore. A segunda banda a agitar o festival foi a Ovários, banda conhecida por suas letras altamente inusitadas e um som violento. Após a porradaria, a banda Painel de Jipe trouxe o rock clássico de qualidade, também muito querido pelo público. Em seguida o momento que muitos esperavam: a apresentação da banda Vlad V, que agradou o público e não deixou nada a desejar. Talvez um dos momentos mais aplaudidos tenha sido a performance do vocalista Jean Carlo em instrumento de sopro. Ao final da apresentação da Vlad V, foi a vez da Neófito, que já tem muitos anos e estrada, sendo uma excelente banda de death metal, muito reconhecida pela qualidade do trabalho. Com o show agitado da Neófito encerrou-se mais um Santana’s de sucesso.

O SubSolo fez uma entrevista exclusiva com um dos organizadores do evento. Thomas é conhecido por ser ex-integrante da banda Mercenary Tales e atual integrante de duas bandas lageanas, além de organizar o projeto Palco Aberto Marajoara e o Santana’s Sunday.

Thomas relata que tinha vontade de promover um festival, mas faltava encontrar um local adequado, até que o proprietário da pousada Refúgio do Lago “convocou” o Cyro Wolff para organizar algum evento no local para “agitar os domingos”. Após uma apresentação da banda 355, da qual Thomas é guitarrista, Cyro e Thomas tiveram uma conversa na qual combinaram de promover um festival na pousada Refúgio do Lago em uma tarde de domingo. O nome do festival foi pensado para ser uma brincadeira com o proprietário da pousada. A primeira edição do Santana’s Sunday foi totalmente organizada e divulgada pela internet, inclusive os contatos com as bandas. A ideia foi juntar estilos diferentes de rock, para reunir mais público e integrar as “tribos”. Tendo em vista o bom resultado da primeira edição, Cyro, Thomas e Domingos decidiram que a segunda edição Santana’s Sunday deveria ocorrer já no mês seguinte. Segundo Thomas, a segunda edição já foi muito mais organizada, com direito a planilhas, orçamentos, cronograma, estratégia de divulgação e tudo mais.

Já na 5ª edição do festival, é possível perceber a satisfação dos organizadores “Foi surpreendente a quantidade de público, esperávamos um pouco menos, por conta da baixa procura de ingressos antecipados. Foi de longe o festival que mais investimos dinheiro e estávamos um pouco apreensivos por conta disso”, citou Thomas. Segundo ele, é difícil encontrar um local para promover festival onde se tenha bom preço para que seja possível tornar o valor do ingresso acessível ao público e ainda arcar com as despesas do evento. Segundo o organizador, quem ditou se as próximas edições do festival aconteceriam foram os resultados das edições anteriores. O Santana’s Sunday V teve como novidade a Feira da Estância Alternativa (feira independente, organizada pela Grazi Cantelli), teve também chopp e alguns lanches. A organização pretende manter a feira nas edições seguintes e ampliá-la, além de trazer mais atrações musicais de porte médio sempre acompanhadas por bandas locais. Outra ideia para as edições seguintes é incluir opções de gastronomia, além de promover oficinas e realizar o sonho de exibir durante o festival os filmes de João Amorim (famoso cineasta lageano, responsável pela criação do personagem Santana). Os organizadores consideram importante “não dar o passo maior que a perna”, para que o festival continue dando certo.

Sobre o rock local, Thomas, que tem experiência na música, considera a cena pobre apenas financeiramente, pois em todas as regiões do estado de Santa Catarina há excelentes bandas. “Creio que somos um pouco inexperientes [...] apanhamos para organizar um festival com qualidade ou para fazer as bandas circularem dentro do estado. Acontece sempre o ciclo das bandas nascerem, crescerem, mostrarem que são boas e desanimarem. Boa parte cai no ostracismo por conta da falta de incentivo e outras tantas sobrevivem sem o brilho do auge”, explicou ele. Citou também alguns exemplos da cena local: “Vejo com bons olhos o Fear Fest, o Metal Maniacs Meeting, o Otacílio Rock Festival e toda a cena de 'profissionalização' que está acontecendo no litoral do estado, com as iniciativas da Célula Cultural (Floripa) e do BOI (BC e arredores)”. Ele também considera que o pensamento de que bandas de rock e metal precisam fazer música só por amor está errado. Segundo ele, o amor é muito importante, mas “não enche barriga” e é justamente esse cenário ingrato que desmotiva e mata as bandas. Thomas reforça que Lages tem muitas bandas boas, fato que se confirma a cada edição do Santana’s, além de que boa parte dessas bandas já fizeram apresentações fora da cidade. “É difícil ir a um festival e ver bandas ruins. Santa Catarina é cheia de bandas excelentes, de músicos excelentes e com uma história rica. Falta só um pouco mais de integração e sustentabilidade”, finaliza ele dizendo que admira muito as bandas locais e acredita na evolução da cena.

Para acompanhar detalhes sobre uma próxima edição, confira a fanpage do evento clicando aqui.


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