26 setembro, 2016

Resenha: Rise of Insanity - NoWay (2014)

A promessa é de que ainda nesse semestre saia o segundo álbum dos Thrashers de Osasco, SP, e enquanto não temos este em mãos, por que não conferir o primeiro trabalho da NoWay? "Rise of Insanity" é um disco primoroso em diversos quesitos e faz valer a pena a audição. Fugindo do Thrash convencional, a banda traz diversas surpresas em seu som. Além da mistura da receita clássica com toques pessoais, que resultam em grooves e um peso muito interessante, o vocal de Diana Arnos é sem dúvidas um grande diferencial no som da NoWay.



Logo na primeira faixa, "March Through the Fire", a banda já mostra bem seu poder de fogo. A guitarra é bastante criativa, apresentando riffs pesados e melódicos na medida certa, sem perder a brutalidade, lembrando pitadas até da saudosa banda Death. O vocal de Diana também parece ter influência de estilos extremos, abusando de uma voz bastante rasgada, que encaixa muito bem no peso conduzido pela cozinha da banda. No entanto, é na faixa seguinte que o baixo se destaca. "Praying With Bullets" começa com o baixão dilacerando, mantendo um grave intenso pelo restante da música. A bateria também é impecável. Daniel Bianchi faz linhas sensacionais com suas baquetas, enquanto o baixo de Felipe Ribeiro é um ponto muito forte da banda.

E quem diria que a faixa que mais me chamaria atenção seria a menos Thrash do CD? Com uma pegada totalmente diferente, "We Will Take You Down" é fantástica, tem uma sonoridade perigosa e a voz de Diana combina perfeitamente com os riffs ousados da guitarra. A partir do momento que entra um violão totalmente southern, a música chega a um auge. Aliás, aqui a banda exibe todo seu arsenal. Não se trata apenas de peso, mas sim de uma criatividade e musicalidade incrível. E que solo é esse de Lucas Mendes? Sem querer tirar o brilho do resto da banda, mas essa faixa é do cara, do começo ao fim. As seis cordas roubaram a cena aqui.

"Leading Way To Suicide" trás de volta a pegada Thrash da banda, com as cordas jorrando sangue e com todo peso que o gênero pede. Música pra deixar o groove dos riffs conduzirem sua cabeça. Aliás, esse é um ponto a se destacar da banda. Apesar de seguirem a escola do Thrash tradicional em diversos momentos, NoWay prefere cadência do que velocidade, seguindo algo que se mostrou comum entre as grandes bandas do gênero dos anos 80 quando adentraram os anos 90. 

É difícil uma banda manter um nível tão alto nas composições como NoWay consegue fazer. Todos os instrumentos mantém um peso absurdo nas faixas seguintes, assim como o vocal de Diana segue impecável. No entanto, as trilhas de guitarra composta por Lucas são dignas de elogios. Além de riffs cheios de peso e uma distorção que esmurra o ouvido, o cara não se perde em seus solos e demonstra grande técnica e feeling para compor-los.

Posso estar redondamente enganado, mas tem muitas pitadas de Death nesse disco. Nas guitarras dobradas de "Power and Prejudice" e na inspirada introdução de "Gates of Hell" senti um ar instrumental típico da banda de Chuck Schuldiner. E isso não é ruim, nem um pouco. É ótimo ver uma banda sabendo aproveitar tão bem uma influência como essa, e, por mais que deixe claro sua inspiração, a banda sabe tornar ela algo bastante único, pois em outros momentos da música aplica sua própria receita e traz um Metal de primeira qualidade.

E é com um dueto fantástico entre baixo e guitarra que começam o encerramento do disco. "Russian Roulette" traz o melhor que os músicos da NoWay tem para oferecer. Uma guitarra abusando de peso, um baixo que não se contem a apenas fazer uma simples base e uma bateria que acrescenta muito no som da banda. O vocal de Diana já é algo que te faz pensar que não há outro melhor para encaixar na banda. Todos os músicos da NoWay parecem muito entrosados e resultam como se fossem um ser só, que domina o Metal com maestria, sabendo as horas de fazer apostas em levadas diferentes, e as horas de trazer o bom e velho peso carregado de distorção. Os momentos finais do disco são as maiores provas disso, onde somos tomados por um encerramento épico, que dá fim as dez faixas que viajam rapidamente por nossa audição, deixando lugar para a ansiedade pelo novo disco da banda.





TRACKLIST
01 -March Through the Fire
02 - Praying with Bullets
03 - We Will Take You Down
04 - Leading Way to Suicide
05 - Collateral Murder
06 - Armies of the Night
07 - Power and Prejudice
08 - Gates of Hell
09 - Let the Blood Run
10 - Russian Roulette

FORMAÇÃO
Diana Arnos - vocal
Lucas Mendes - guitarra
Felipe Ribeiro - baixo
Daniel Bianchi - bateria

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