03 outubro, 2016

Resenha: Coletânea Underground Vol. 1 - A Hora Hard (2013)

“Valendo, valendo, valendo”, como diria o grande Daniel Russo, idealizador da A HORA HARD, que me presentou com esta Coletânea Underground A HORA HARD Vol. 1 (sim, como muitos sabem já existem os volumes 2 e 3). Muitos de vocês que estão lendo esta resenha já ouviram esta coletânea, mas vale a leitura sobre um novo ponto de vista de alguém que ouviu agora este petardo do Rock independente (Do It Yourself, man!).




A história toda começa com a vinheta A HORA HARD feita pela banda UmSeteUns em 2011. Vinheta esta que deixou o Daniel Russo com cara de espanto durante a entrevista com a banda, visto que o cara nem sabia da existência desta vinheta!
PUREDIN é a banda que está lá na faixa 2 com “Aos Amigos”. Nada mais é do que um hardcore rápido, rasteiro e melódico com direito a citação de “Canção da América”, de Milton Nascimento. Energia pura começando uma epopeia de peso e fúria. Falando em fúria passamos a bola, ou melhor, a guitarra para FRENEZI com uma porrada sonora, bem produzida que critica o consumismo que vive entre nós. A pegada pesada lembra muito Avenged Sevenfold.

Depois de alguns dias ouvindo a coletânea, me surpreendo com a qualidade das gravações. É admirável saber que se trata de um trabalho independente, onde todos deram o sangue, suor e riffs alucinantes. Bandas com personalidade, com sonoridade própria e muita energia para seguir a estrada que é hard!

Mas tudo com A HORA HARD continua hard, mais hardcore na faixa 5 com a RÁDIO MENDIGO e a crônica etílica chamada “Bar”. Na faixa 6 o baixo convida e as palmas anunciam a DELONGA HC que vive “Correndo Atrás”. Na minha opinião, esta é uma das faixas mais inventivas da coletânea, com uma sonoridade alternativa e com vocal imponente.

O que chama a atenção é que quase todas as faixas são cantadas em português. Esse é um grande desafio, principalmente para quem faz Rock. A língua portuguesa é um tanto complicada quando se pensa em rock pesado. A difícil arte de rimar, encontrar a palavra que soa melhor e, ainda por cima, transmitir a mensagem perfeita são obstáculos nesse universo de sons rápidos e versáteis.

Enquanto eu ficava nos devaneios sobre a língua portuguesa, o CD rolava pesado e lá estava tocando HARDCITY com seu Rock sombrio, pesado, sujo e vocais guturais berrando os conflitos éticos da humanidade. DA CAVERNA surge com o puro rock’n’roll, letra bem sacada e cheia de humor de um tempo que muitos viveram na adolescência. Hardcore, hardcore e hardcore é o que vem chutando pela frente: FACEPALM e sua velocidade estonteante na faixa 10.

Quando eu penso que acabou, eis que surge um Thrash Metal da banda WAR OF A DAY, depois um Rock basicão e cheio de swing do VINHAS e as raízes do blues da DUPLO SENTIDO.

Já na faixa 14 ouço algo que me lembra Dead Kennedys, mas é The MOTORCOCKS com um puro punk que quebra paradigmas. “Toda Crítica” nesse mundo louco é bem-vinda, ainda mais quando quem toca é TRYPANOSSOMA CRUZI e seu ativismo evocado em guitarras fortes. “Um brinde ao bom e velho Rock’N’Roll” é o refrão de DANER MACCARI na emblemática “Vamos Brindar”. 

E, depois de tantas nuances ruidosas e energéticas que não te deixam ficar parado, é possível continuar quebrando tudo com MARCOS GAVA & VANJA numa estética mais Indie Rock com a faixa “Don’t Like Your Bands” e RAFAEL TOLDO numa “Velha Batalha” que fecha com chave de ouro (odeio clichês!) esta que é a coletânea independente que vai ficar para a história por trazer tantas bandas que estão aí fazendo um som engajado numa cena underground que dá orgulho de saber que existe.

Foi-se o tempo em que underground era sinônimo de gravações de baixa qualidade e sonoridades toscas. Hoje temos a tecnologia com inúmeros recursos que nos favorecem e a cultura do “Do It Yourself” continua viva e chutando os pessimistas.

O engajamento da A HORA HARD, a positividade de Daniel Russo, que acredita totalmente na cena underground, e a sinergia de todas as bandas desta coletânea só me fazem crer que estamos no caminho certo, quebrando barreiras, berrando nossas ideias e realizando toda a loucura sonora que sempre sonhamos.

A Vida é Hard, mas a Música é Core! 


Hermes Gregorio
Jornalista 
A HORA HARD / O SUBSOLO



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