12 novembro, 2016

Entrevista: Red Razor (Thrash Metal - Florianópolis/SC)

O SubSolo esteve com a Red Razor na sexta edição do Santana’s Sunday, festival que acontece na cidade de Lages/SC. Em uma conversa descontraída com as redatoras do SubSolo, os integrantes da banda falaram sobre sua carreira e também relataram algumas curiosidades. Confira como foi esse bate papo.




A Red Razor foi formada em Florianópolis (SC) no ano de 2011 e passou por apenas uma mudança de formação desde então, entretanto ocorreram somente dois shows com a formação antiga e nessa época ainda não havia nada gravado. As músicas compostas pelos ex-integrantes ainda fazem parte do repertório da banda e a autoria continua sendo dedicada a eles.
Antes de constituir a Red Razor os integrantes já se conheciam entre si e até costumavam tocar juntos. Fabrício (vocal) citou que ainda não conhecia o Gustavo (baixo), mas após o Felipe (guitarra) ter mostrado vídeos do Gustavo tocando, eles resolveram chamá-lo para fazer um teste, então Gustavo acabou ficando na banda. O último a entrar foi o Igor (baterista).
Sobre o nome da banda, eles citaram que não houve um motivo específico para a escolha: “a gente tem um grupo no facebook, aí fizemos um brainstorming para cada um ir falando os nomes que vinham na cabeça [...] então Red Razor foi um nome que soou bem, tinha uma repetição de R e permitia fazer uma logo bacana” (Fabrício).

O metal tem vários estilos, mas qual o motivo da Red Razor ter escolhido o Thrash? “Para mim foi uma escolha natural, o comum é você querer tocar o que mais gosta de ouvir” (Fabrício). “Eu entrei um pouco depois [...] Thrash é um dos estilos que eu mais curto ouvir e tocar e a proposta quando eu entrei já era essa [...] eu também escuto bastante Death Metal e já tentei montar uma banda pra tocar Death Metal, mas como a proposta aqui era Thrash... às vezes a gente até coloca algumas influências de outros estilos que a gente escuta [...] a gente tenta não ficar muito fechado [...] tanto que tem música nossa com influência de Black Metal em alguns trechinhos, por exemplo” (Gustavo).

Ainda sobre o estilo de música da banda, eles citaram: “Como música não é nosso ganha pão, a gente faz o que gosta, toca o estilo que gosta” (Fabrício). “Sem nenhuma preocupação em ser comercial, se vai dar dinheiro ou se não vai [...] primeiramente é pra agradar a gente e se as pessoas também gostam... legal!” (Igor).

Fabrício é o responsável pela composição das letras. Questionamos como ele se inspira para escrever, então o vocalista citou os seguintes tópicos: cerveja, pizza, política, a história do movimento Thrash, história de maneira geral e filmes.

Todo mundo sabe que viver de música não é fácil, ainda mais quando se fala em metal. No caso da Red Razor, cada um dos integrantes tem seu emprego e tentam equilibrar a vida comum com a banda. “A gente acaba se limitando a fazer shows tipo no fim de semana, fica difícil planejar uma turnê de semanas seguidas [...] às vezes a gente pega uns dias de folga e vai fazer uns shows, como fizemos em São Paulo, três shows no mesmo fim de semana” (Fabrício). “Dá um pouco de transtorno mas a gente dá um jeito” (Felipe). “O Brasil ainda não tem um circuito pra fazer uma turnê, nem banda grande faz isso no Brasil [...] a última banda que conseguiu fazer, que eu achei muito foda, foi o Torture Squad [...] mas se você for procurar, de muitos anos pra cá não tem tido banda nenhuma que faz isso no Brasil” (Igor). Três shows seguidos foi o máximo que a Red Razor conseguiu fazer até hoje: “a gente emendou o feriadão de Tira Dentes, fomos pra São Paulo e tocamos sexta, sábado e domingo [...] só pegamos folga na sexta e na segunda” (Fabrício).

E se eles pudessem viver só de música, eles viveriam? Sim! Com certeza! Mas, segundo eles:a gente é pé no chão” (Igor). “É uma meta, mas é uma meta que a gente sabe que é improvável, então não adianta criar expectativa pra se decepcionar depois” (Fabrício).

Sobre a repercussão do “Beer Revolution”, que também foi lançado no exterior, eles explicaram: “a gente conseguiu uma gravadora na Irlanda, dai eles mandaram pra outros lugares do mundo” (Igor). “Como eles tem um selo, eles fazem trocas com outros selos, então por causa desse lançamento o nosso CD pôde ser encontrado em outras diversas lojas em outros países da Europa principalmente, embora também tenha a venda na China, no Japão, México, graças ao selo” (Fabrício). Foram lançadas várias resenhas sobre o “Beer Revolution” ao redor do mundo: “a gente teve várias resenhas em vários países logo que o disco saiu [...] as resenhas foram iniciativa nossa, a gente mesmo mandou o disco ou e-mail [...] mandamos pra mais de 100 e conseguimos umas 20 ou 30 resenhas no exterior, em países como Turquia, Holanda, Estados Unidos, Japão, Alemanha e outros” (Fabrício).
Claro que com CD lançado no exterior a banda acabou recebendo feedback a respeito disso. “Às vezes é engraçado [...] normalmente o pessoal comenta nas postagens de bandas estrangeiras ‘come to Brazil’ [...] já aconteceu de a gente fazer postagem e alguém comentar ‘come to Mexico’” (Fabrício). Além disso, o reconhecimento foi formalizado através de uma publicação em revista: “em fevereiro deste ano a gente foi selecionado na Rock Hard, que é uma das principais revistas da Alemanha, como a banda independente do mês, então isso gerou bastante feedback” (Fabrício). Após o reconhecimento foram vendidos mais CDs da Red Razor.
Mas com todo esse reconhecimento no exterior, será que eles não vão tocar em outros países? “Lá pra fora a gente ainda não teve como ir, a gente quer ir, mas tudo no seu tempo [...] um dia a gente vai” (Igor). “Às vezes o trabalho impede a gente de fazer isso” (Felipe). “Demos uma entrevista para um blog na França e no final da entrevista o rapaz disse ‘se um dia vocês tocarem na França, me avisem que que quero ir’” (Fabrício). “Mas um dia a gente toca lá na França (risos)” (Igor).
Pro exterior eles ainda não conseguiram ir, mas já rodaram várias cidades no estado de Santa Catarina e também passaram por outros estados: “Fizemos dois shows no Paraná, um no Rio Grande do Sul e três em São Paulo” (Fabrício). “Daqui a pouco vai rolar mais coisa” (Igor). “É só a gente conseguir se organizar e fazer a turnê [...] tem as questões de trabalho [...] mas quando a gente mete a cara costuma ir atrás das coisas e conseguir [...] se puxar alguns contatos acredito que tem abertura para tocarmos em outros lugares” (Felipe).
O divertido clipe de “Wish you were beer” foi uma produção totalmente autoral da banda. Eles utilizaram uma GoPro (que estava com defeito) e também seus celulares. As imagens foram gravadas de maneira muito espontânea enquanto eles passeavam pelas ruas da cidade. “O nosso clipe foi feito basicamente saindo por Florianópolis fazendo palhaçada e a ideia que dava na hora a gente filmava” (Igor). “O problema é que às vezes a gente gravava umas coisas muito legais, ia ver e não tinha gravado nada” (Fabrício). Algumas imagens foram gravadas individualmente por cada membro da banda e colocadas no clipe. As partes em que Fabrício aparece cantando sozinho foram gravadas enquanto ele caminhava ou dirigia em direção ao seu trabalho. Eles gostaram do formato desse clipe, pois foi totalmente natural. “Eu acho que a maioria dos clipes são muito assépticos [...] é como se a pessoa estivesse atuando” (Fabrício). Outro clipe da banda mostra trechos de shows.
É bem perceptível que a Red Razor faz questão de mostrar que é uma banda de Florianópolis, pois a ponte Hercílio Luz, cartão postal da cidade, aparece em evidência na capa do “Beer Revolution” e também no clipe de “Wish you were beer”. Igor explicou que gosta muito de Florianópolis, mesmo não sendo natural dessa cidade, mas já vive lá há bastante tempo. Eles gostam de dizer que a banda é “True Florianopolitan Thrash Metal”, conforme explica o vocalista: “Quando eu viajei algumas vezes para a Europa, em festivais percebi que as bandas da Noruega fazem muita questão de dizer que são True Norwegian Black Metal [...] em todos os lugares todo mundo faz questão de dizer de onde é, mas aqui no Brasil as pessoas parecem ter uma certa vergonha, então a gente queria ir na contra mão dessa vergonha e dizer que a gente é do Brasil, é de Floripa” (Fabrício).
Sobre as influências musicais, eles não quiseram citar bandas em específico e explicam: “Acho que nosso som puxa muito pro Thrash americano, apesar de eu gostar muito do Thrash alemão [...] eu também adoro Sepultura e etc [...] eu acho que lembra bastante Exodus, ou até Metallica” (Felipe). “Se puxar umas músicas bem do início, pega uma época que eu estava muito no Violator” (Igor). Segundo a banda, na faixa intitulada “Red Razor” muitas pessoas costumam ver influências do Kreator e do Thrash alemão no geral, ou seja, não há influências exatas.

Para quem curte metal nunca faltará ídolos e bandas excelentes para ouvir. A Red Razor já dividiu palco com bandas muito admiradas por eles. Os integrantes citaram nomes como: Korzus, Havok, Volcano,Torture Squad, Voodopriest, MX e muitas outras.
A banda já tem planos para um novo trabalho. Eles pretendem concluir as músicas novas e gravá-las em breve: “a gente já está com praticamente oito músicas prontas [...] ainda precisa trabalhar um pouco mais nelas, mas acredito que para o ano que vem vamos lançar” (Gustavo). “A gente eventualmente vem tocando algumas músicas novas nos nossos shows” (Felipe).
Até agora a Red Razor lançou somente músicas em inglês. Sobre a possibilidade de compor músicas em português, os membros da banda acham que seria legal, inclusive Felipe já havia sugerido isso no início da banda.A gente tem uma abertura lá fora por fazer músicas em inglês [...] é um idioma universal e assim a gente consegue chegar mais longe [...] mas acho que mais tarde a gente deve fazer alguma música em português” (Felipe). É difícil escrever música em português [...] mas pode rolar [...] não precisa ser a letra inteira, pode ter uma palavra no meio, alguma referência [...] é possível” (Fabrício).



CURIOSIDADES SOBRE A RED RAZOR

Para encerrar a matéria, aí vão algumas curiosidades que a galera da Red Razor deixou escapar durante a entrevista:
Eles discutem política? Sim! Mas o Igor costuma não gostar dessas conversas. - Você acredita em astrologia? Eles não. Mas a gente revela os signos deles para vocês: Fabrício é leonino; Gustavo é virginiano; Igor e Felipe são cancerianos. - Fabrício não gosta de Pantera. - Gustavo é alvo de piadinhas na banda porque ele é morador de Palhoça e não de Florianópolis. - Igor também é baterista da Deadpan e o problema é quando coincidem as datas dos shows. - Fabrício é considerado  o chefe da banda, portanto ele é o "chato" (segundo ele mesmo). - Felipe, Gustavo e Igor são programadores de software, mas Igor não atua nessa área. - Na verdade Igor é jogador profissional de poker, mas não gosta muito de contar isso às pessoas. - Fabrício é formado em Direito e atua como servidor público. - Quando viajam para os shows eles vão em um carro, onde deve caber: os quatro integrantes, seus instrumentos, o merchan da banda e seus objetos pessoais. - O braço direito de Fabrício é cheio de pulseiras de festivais europeus em que ele esteve. - É meio óbvio, mas a música “Wish you were beer”  é um trocadilho com a música do Pink Floyd. - Harmonia na banda? Nem sempre. Segundo Igor, eles discutem o tempo todo e já estão tão acostumados com isso que acaba sendo natural.
A Red Razor está na Coletânea OSubSolo.

O SubSolo agradece a disponibilidade da banda e parabeniza-os pelo trabalho. Vida longa ao True Florianopolitan Thrash Metal.

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