21 dezembro, 2016

Entrevista: Marcus D'Angelo (Claustrofobia)

No último dia do Maniacs Metal Meeting, O SubSolo teve a oportunidade de trocar uma ideia com o vocalista de uma das headlines do evento. Após o show, no domingo, conversamos com o Marcus D'Angelo, vocalista e guitarrista da lendária banda paulista Claustrofobia.




Marcus, primeiramente, obrigada pela oportunidade e por dispensar de seu tempo para trocar uma ideia com O SubSolo, valeu mesmo! Cara, agora vocês estão trabalhando o Download Hatred. Conta pra gente como foi a gravação e produção desse trampo aí.
Marcus: Então, isso é trabalho do gringo né, do Russ Russel – que já produziu o Napalm e outras bandas – eu descobri ele porque eu gostava de um disco do Napalm, aí, na época, eu procurei ele no MySpace e o achei; aí eu mandei uma mensagem pra ele e mandei as músicas, ele curtiu, falou uns bagulho legal demais; desde então nós somos amigos pela internet (desde 2005); nós sempre alimentávamos a ideia de ele produzir algum dia pra gente e tudo mais, mas é complicado pra banda brasileira, né? Pagar uma produção gringa e tal. Mas ele gostava da nossa banda; todos os lançamentos eu encaminhava pra ele ficar sabendo. Até que chegou um dia e eu conheci ele pessoalmente, nós nos encontramos no Wacken, em 2008; continuamos a nos falar até que chegou o dia que deu certo. Depois do Peste, nós queríamos gravar um disco em inglês, fazer um negócio diferente, tivemos a oportunidade, ele veio pro Brasil, produzimos o disco em 15 dias, ele levou e mixou lá no estúdio dele e é basicamente isso. Ficou muito bom o resultado. Curtimos bastante.

A temática do Peste, num geral, eram os problemas sociais brasileiros. E o Download Hatred, qual é a intenção/mensagem que vocês procuram passar com esse disco?
Marcus: Cara, na verdade, quando você lança um disco, ele parece que vai ter uma mensagem, né? Mas na verdade, tanto o Peste quanto o Download, não foram feitos pensando em passar uma “mensagem” em si; nós vamos fazendo as músicas, o disco vai tomando sua forma e é aí onde nós vamos entendendo; tanto é, que o nome do Peste não era “Peste”, ia ser “Alegoria do Sangue”, que é o nome de uma outra faixa do disco, e quando a gente fez a música “Peste”, assim, de última hora, ela acabou virando a primeira música e se tornou o nome do disco. Então, não é uma coisa premeditada. E com o Download Hatred foi a mesma coisa. Foi uma das últimas músicas a entrar no disco também. A ideia inicial era fazer um disco em inglês, tínhamos algumas músicas prontas já, e assim que aconteceu, basicamente. Fomos sentindo e a coisa foi fluindo, foi meio natural o negócio. 

As letras do “Peste” são todas feitas em português, vocês têm a intenção de fazer mais trabalhos/álbuns em português?
Marcus: Com certeza, temos sim! É aquele lance, né cara, nós vamos sentindo e conforme as ideias vão rolando, nós vamos lá e fazemos. No download, tem duas músicas em português, uma é com o Andreas Kisser inclusive; sempre acaba saindo alguma coisa em português. Na real, eu tenho muita coisa guardada em português – em inglês também. Sair vai, enquanto a gente tiver saúde, sai sim! (risos).

Sobre a troca dos guitarristas da banda: saiu o Alexandre de Orio e entrou o Douglas Prado. Como foi essa transição?
Marcus: Pô, complicado falar disso, sabe? Ele ficou com a gente por 18 anos, não é qualquer um... Ele é como se fosse da família. Nós precisamos respeitar o espaço e as pessoas como elas são, todo mundo têm diferenças, ai o negócio vai rolando e rolando, nossa prioridade é a banda, não trabalhar pra manter a banda e sim simplesmente manter a banda; não sei se isso é o certo ou o errado, mas é o que a gente faz, ai, querendo ou não, o negócio foi afunilando até que, chegou uma hora, que a gente precisou sentar e conversar. O Ale é um músico que sempre gostou de estudar muito, ele fez faculdade e tudo mais, gosta de metal pra caramba, entendeu? E ele tinha outros objetivos, ele gostava do Claustro e tudo, mas né? Pra que não virasse algo pessoal, pelo bem do legado de todos que deram o sangue e pelo nome da banda, foi a hora de parar e conversar. A saída dele foi basicamente isso, não teve nenhuma “polêmica” em torno disso.
A entrada do Douglas foi mais ou menos assim: O Douglas frequentava nosso estúdio desde que ele tinha dez anos de idade, ai, ele até queria fazer aula comigo, ai a gente passou pro Ale, que é professor e tal - eu até brincava que não queria dar aula pra ele porque ele já tocava melhor que eu (risos) – tanto ele quanto a família dele sempre foram amigos nossos, então foi meio que um processo natural assim; manteve algo que é do Claustro mesmo, a gente faz parte da vida dele e ele da nossa, então eu penso ter sido a escolha certa.

E a agenda do Claustrofobia, como está?
Marcus: Esse show foi o último do ano; eu conheço o Caio – ele organizou três shows nossos em 2012 no nordeste – e foi muito louco, foi um aprendizado pra todo mundo, foi do caralho; então, quando ele convidou a gente pra tocar aqui hoje, nós nos esforçamos pra caramba para estarmos aqui. A gente não tem nada agendado pra ano que vem ainda, mas o nosso objetivo é cair na estrada, pelo menos pelos próximos 8-10 anos das nossas vidas; inspiração a gente tem, né? Vamos lutando com as armas que temos e fazendo sempre nosso melhor. 



Como estava a expectativa de vocês pra tocar no Maniacs Metal Meeting hoje? Curtiram? A galera que curtindo o show hoje estava ensandecida.
Marcus: Curti muito! Pô, hoje é domingo, já teve quase trinta bandas desde que começou o festival; galera acampando, chovendo, bandas fodidas do underground brasileiro; domingão e a gente tocando como headline e tocando com o Ratos, porra, foi do caralho mesmo; não tem nem o quê falar, hoje eu agradeci muito em cima do palco, a gente sempre reclama, né? Mas em dia de show, agradece e agradece muito! (risos). 

Marcus, diz ai, quais são suas influências? O que você ouve? 
Marcus: Ah, eu gosto de metal clássico né? Entrei no rock mesmo por causa do Guns N’ Roses, mas eu sempre queria algo mais pesado. Eu era criança, ai achava as caveiras legais, ai fui pro Iron que né, tem caveira pra caralho (risos). Ai depois eu descobri o Sepultura, eu pensava: “os caras parecem gringos mas são daqui, que foda!”. Ah, quando você gosta de música, você é aberto a tudo. Curto thrash e death metal pra caralho, amo as bandas clássicas de heavy metal; mas assim, eu procuro, hoje em dia, mais sentir a música do que me aprofundar nos álbuns, a não ser quando o bagulho é mais complexo, aí você se aprofunda na obra e tal. Mas pra mim, se eu curtir, tá curtido. Do Brasil, eu gosto muito do Surra e do Lacerated and Carbonized, do RJ; essas duas eu ouço pra caralho mesmo, curto demais.

E como você se sente ao saber que você é referência também pra muitas pessoas? 
Marcus: É muito louco, né? Eu cai na real faz pouco tempo com relação a isso; ter alguém que acredita em você, faz com que você veja que aquilo que você batalhou por tanto tempo realmente tem um significado. Não importa pra quantas pessoas tenha significado; se tem pra uma, já é alguma coisa, isso te inspira a trabalhar melhor e a se dedicar mais.

Pra gente encerrar, poderias deixar algumas palavras pro pessoal do O SubSolo?
Marcus: Boa sorte! Se vocês fazem de coração, continuem ai, batalhando pra manter isso vivo, porque todo mundo está procurando por uma oportunidade, pessoas com muito talento.  Respeito e reciprocidade sempre! E se for pra somar, a gente está sempre ai apoiando!

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