12 janeiro, 2017

Cobertura: Festival Netuno Rock Noel II (Florianópolis/SC, 2016)

O SubSolo foi convidado a realizar a cobertura de um evento muito especial e com objetivos que vão muito além do fortalecimento da cena underground da região, o Festival Netuno Rock Noel, que se propõe à proporcionar um intercâmbio cultural, promovendo a arte em prol de ações solidárias à comunidades necessitadas. 

 No dia 18 de dezembro, ocorreu, na Célula Showcase, a quinta edição do Projeto Netuno Rock, que vêm arrecadando agasalhos, alimentos e brinquedos para os povos indígenas de SC desde 2010. O projeto, em parceria com o Conselho dos Povos Indígenas de Santa Catarina (CEPIn), objetiva fomentar e divulgar talentos da região, bem como, proporcionar benefícios sociais coletivos às comunidades indígenas que apresentem alto índice de vulnerabilidade social. 

Nesta edição, apresentaram-se o Grupo de Cantos e Danças Mbyá Guarani Nhe'e Ambá e as bandas catarinenses Marreta, R.E.U.S (Renegados, Excluídos, Ultrajantes e Sarcásticos), Insurgentes e Anger Cult. O ingresso para o evento foi 1 kg de feijão e mais um brinquedo novo ou usado em bom estado, que foram destinados para os povos indígenas de SC. O evento iniciou com a apresentação do Grupo de Cantos e Danças Mbyá Guarani Nhe'e Ambá, que celebra a tradição indígena com apresentações musicais e coreográficas, apresentadas por jovens indígenas da etnia Guarani, habitantes da Aldeia Tava'í em Canelinha (SC). Segundo a sua crença, o canto é uma oração recebida pelas crianças, que atrai as energias necessárias para o momento presente.


A apresentação foi capaz de emocionar a todos, já que traz para nossa realidade um pouco da cultura e identidade indígena que seguem resistindo com muita força e encanto.

Foi a vez, então, da Marreta entrar em cena. Criada em 2015, portanto relativamente nova no cenário, a banda faz um Hardcore de altíssima qualidade, conciliando muita presença de palco e integração com o público. A banda expressa em suas letras críticas intensas e muito bem fundamentadas à estrutura sociopolítica que vivemos em nossas condições materiais.

A banda R.E.U.S (Renegados, Excluídos, Ultrajantes e Sarcásticos), power trio que transita entre as vertentes do Metal, assumiu o palco da Célula logo em seguida. Projeto que já possui 10 anos de estrada e se consolida enquanto banda a partir de 2013, traz um set com músicas de peso e críticas em relação às contradições da nossa realidade.


É a vez, então, dos anfitriões do evento. A banda de Crossover Insurgentes, com 10 anos de história e o compromisso de promover festivais beneficentes desde 2010, em parceria com a Netuno Rock e o Conselho dos Povos Indígenas de SC, demonstra em suas letras total aversão à omissão da humanidade frente às adversidades e contradições. Como já era de se esperar, a apresentação foi gloriosa. Destaque para os vocais da banda, um vocal feminino e um masculino com guturais que potencializam ainda mais o seu peso.


A responsabilidade de fechar este grandioso evento ficou por conta da Anger Cult, que não deixou nada a desejar. O trio de Jaraguá do Sul, formado em 2013, possui forte e muito comprometida influência do Thrash Metal dos anos 80's. Com músicas autorais críticas com temas como política e características da sociedade humana, a banda combina com maestria velocidade, técnicas e arranjos diferenciados, peso e agressividade. Com muita energia, movimentação e espontaneidade, a performance também é capaz de fazer com que os fãs de Thrash Metal se sintam em casa. Um detalhe muito interessante da banda é a divisão dos vocais entre baixista e guitarrista, resultando num show muito dinâmico. A empolgação tomou conta ao ponto dos músicos descerem do palco e curtirem junto com o público.

Um evento que cumpriu muito bem seu objetivo de promover a integração entre intercâmbio cultural, fortalecimento da cena underground e solidariedade. Por meio dos donativos dos presentes, foi possível arrecadar 77 brinquedos, 293 kg de alimentos não perecíveis, 96 litros de leite e 40 frascos de óleo de soja, beneficiando 17 aldeias indígenas em SC.

Fica portanto, a nossa expectativa para as próximas edições deste festival tão importante para promover o sentimento coletivo no nosso cenário. Um agradecimento especial pela confiança a todos os organizadores e público presente e nosso compromisso em sempre se fazer presente divulgando esta ação.

Todas as fotos por Evelise Oliveira Fotografias.
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Um comentário:

  1. Valeu Karine Nunes e O Subsolo pela excelente cobertura do evento!

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