16 fevereiro, 2017

Especial: O Lugar de Mulher #5

É ONDE ELA QUISER!

Chegamos a edição #5 da Coluna “O Lugar de Mulher é Onde Ela Quiser!” e, para o terceiro dia desta semana especial de cobertura do Otacílio Rock Festival, tivemos a oportunidade de conversar com uma das idealizadoras do evento que perdura há 11 anos. Estamos falando dela: Nani Poluceno.

Nani Poluceno é uma headbanger bem conhecida da cena local. Residente na cidade de Otacílio Costa/SC, ela é uma das responsáveis pela organização de um dos maiores eventos de metal na atualidade do Estado de Santa Catarina; ela mostra que sim, o lugar de mulher é onde ela quiser! Confira a conversa que ela teve com uma de nossas redatoras.



Nani, para nós d’O Subsolo é um prazer poder trocar uma ideia contigo hoje, obrigada por achar um tempinho pra conversar com a gente! Primeiramente, gostaríamos de dar os parabéns pelo evento, a edição deste ano está incrível! Nani, conta pra gente: Quando e como surgiu a ideia de criar o Otacílio Rock Festival?
Nani Poluceno: Na época, eu tinha um grupo no Orkut, que se chamava “músicos e bandas de Otacílio Costa”, e lá, as vezes nós debatíamos sobre a necessidade de se ter um evento do gênero aqui em Otacílio. Então, foi lá que a gente resolveu fazer o primeiro evento/festival. Fizemos uma noite com seis bandas no ano de 2006, cinco bandas daqui e uma de Lages. Como deu certo e o resultado que tivemos foi bem positivo, resolvemos fazer uma nova edição em 2006, aqui no Parque Cambará mesmo. Ai já fizemos uma edição de dois dias, com cerca de 18 bandas, e estamos ai até hoje (risos).

Quais as dificuldades de organizar um festival underground e com pouco patrocínio? Você já sentiu algum espécie de preconceito por ser uma mulher organizadora e em algum momento você se sentiu insegura por isso?
Nani Poluceno: Na questão do patrocínio, qualquer evento underground tem dificuldades, né? Sempre é complicado, porque a gente nunca tem apoio, nosso apoio mesmo vem do público, que sempre faz questão de comparecer ao evento e ajudar. Preconceito em si eu nunca senti, o pessoal me recebe muito bem, sempre sinto o carinho das pessoas, acho que até por eu ser mulher as pessoas me recebem melhor (risos).

Onze anos de Otacílio Rock Festival, um dos maiores festivais do sul do Brasil e o festival mais antigo de SC na ativa. Lá atrás, quando vocês começaram, imaginavam que o festival iria seguir firme por tantos anos e atingir tais proporções quais tem hoje?
Nani Poluceno: Não! (risos) Eu era uma menina quando comecei, tinha 17/18 anos na época, jamais imaginei que hoje eu conseguiria trazer bandas pra cá que eu já era fã há anos atrás.

Esse ano, assim como no ano passado, o Otacílio Rock Festival está sendo feito de “forma aberta”, no estilo open air. Por qual o motivo os shows não estão rolando mais dentro do pavilhão do Parque Cambará? Pra você, o fato de ser “ao ar livre” foi melhor ou pior para o festival?
Nani Poluceno: Em 2016, a Prefeitura de Otacílio Costa nos comunicou que os shows não poderiam ser realizados no pavilhão porque a estrutura dele estava comprometida, então, foi por isso que tivemos que optar por fazer “open air”; além disso, trazer o palco pra fora do pavilhão já era um pedido do público há tempos; então foi legal, resolvemos por melhorar a estrutura para abrigar o público de uma forma melhor.

Além de você, temos também o Denilson e o Elienai que movem grandes esforços para que o festival ocorra todo ano. Como funciona a organização e o relacionamento de vocês para que o festival tenha sucesso e dure tanto tempo?
Nani Poluceno: Então, na organização, desde o início, fomos eu e o Denilson; aí, depois entrou o Elienai e há sete anos eu sou casada com o Cleberson e ele, desde então, também nos ajuda. Nós somos amigos, né? Então a gente sempre está trocando ideia sobre bandas e estrutura; como eu sempre estou participando de outros festivais, nós sempre buscamos pegar os pontos positivos de cada evento para agregarmos ao nosso.

Sabemos que vocês sempre solicitam material de bandas novas quando começam a organizar a programação do evento. Quais os critérios para montar a grade de programação?
Nani Poluceno: Nós recebemos material durante o ano todo, mas os critérios são basicamente estes: primeiro, a gente busca trazer bandas que frequentem o festival, porque tem muita banda que quer tocar, mas nunca veio prestigiar o evento; depois a gente procura dividir por estilos, o que sempre acaba predominando é o Thrash Metal, mas a gente sempre busca diversificar pra poder agradar vários públicos.

Anteriormente, você disse que como organizadora, você nunca sentiu algum preconceito explícito, mas e como mulher no metal extremo? Você acha que o conservadorismo do metal afeta de alguma forma o público feminino ou você nunca sentiu nenhum preconceito desse gênero?
Nani Poluceno: Neste sentido, também nunca senti nenhum tipo de preconceito ou algo do gênero. O público que frequenta o festival me respeita e sabe do nosso esforço pelo underground.

Nani, em nome d’O Subsolo, agradeço de coração a tua entrevista, muito obrigada! Poderias deixar algumas palavras pro público d’O Subsolo e público do Otacílio Rock Festival?
Nani Poluceno: Primeiramente, nós agradecemos o apoio d’O Subsolo; é muito importante esse apoio nas redes sociais de vocês; o pessoal, às vezes, não pode comparecer, mas tem toda uma mídia por trás do evento que ajuda a fazer a divulgação do que tá rolando aqui. O festival é isso aí: público, bandas e mídia! Muito Obrigada!



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