07 fevereiro, 2017

Resenha: Coletânea Underground Vol. 2 - A Hora Hard (2013)

Por Hermes Gregório

Depois de ouvir algumas vezes esta obra do underground, as percepções foram ativando as ideias para mais uma resenha. Escrever é uma estrada sem volta na vida de um narrador do cotidiano. Melhor ainda se este cotidiano é a cena underground da música de Santa Catarina. E é nesta coletânea que o underground continua em sua estrada tortuosa e cheia de aventuras. A vibrante “Coletânea Underground A HORA HARD – Vol 2” foi lançada em 2013. Uma compilação idealizada pelo grande Daniel Russo e sua atitude colaborativa, que mais uma vez reúne várias bandas com suas porradas autorais e sempre carregando a bandeira do “Do It Yourself”.



O CD que foi presente do próprio Russo vem com numeração (o meu é o 198) e tem faixas que vão do Hardcore direto e reto, pesado, bem trabalhado ao Rock com riffs marcantes. Faixas como “Amigo Imaginário” da Delonga HC, que é hardcore daqueles que chamo de rápido e rasteiro, mas com uma letra reflexiva. Os vocais em português ficam bem situados na construção de peso.

A voz inconfundível de Daner Maccari e um provável hino Rock para o Tricolor de Criciúma estão em “ As Cores Do Meu Coração”, com um riff bem Rock’N’Roll que lembra AC/DC. A história vai ficando boa, numa velocidade intensa e, de repente, chega “Believe Or Die” da Duplo Sentido com seu sentimentalismo em meio a guitarras ecoando um futuro promissor. É o tipo de música para se ouvir no alto de uma montanha com aquele sol imponente te encarando.

O hardcore de garagem da Puredin em “Coragem”, a imponência da Delonga HC que reaparece em “Hesitar” e o punk com elementos anarquistas da Trypanossoma Cruzi em “Liberdade Perdida” dão o tempero especial da coletânea, sem clichês de uma sonoridade que sobrevive a tantas cenas repletas de rótulos.

O peso e a bateria forte de Vetor Unitário em “Produção em Série” derrubam todos os estigmas sobre a atitude Rocker, enquanto a irreverência de “Sexo Oral” da Da Caverna traz um pouco de humor a toda seriedade do Rock’N’Roll. The Motorcocks poderia ser uma homenagem ao Motorhead com sua “We’re Not Losers” num estilo jaqueta de couro e um bom Jack Daniel’s. Os vocais femininos da Five Boob Jobs em “Who I’m Gonna Be” dão brilho ao peso e barulho de guitarras em boa performance, anunciando a derradeira faixa que vem ao estilo Led Zeppelin com a Na Veia Da Velha em “Vai Mole Mesmo”.

A cena underground está bem representada na segunda coletânea A Hora Hard. Cada banda com sua personalidade, fazendo de suas histórias de vida a música sincera e que retrata o cotidiano que é feito de suor e lágrimas, guitarras e berros. Valorizo a música autoral e todo o esforço de uma geração que tem a ânsia de mostrar sua potência e criatividade, sem desistir na primeira porrada forte de um sistema que nunca ajuda. É aquilo que sempre digo: “A vida é Hard, mas a música é Core”

Em breve a resenha da Coletânea Underground Vol. 3!
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