27 abril, 2017

Voodoopriest: Vitor Rodrigues fala com exclusividade sobre o clipe "Mandu"

Fazendo Metal da melhor qualidade, a banda Voodoopriest é muito admirada no cenário nacional. O álbum “Mandu”, lançado em 2014, conta a história de um líder indígena que, apesar de ser parte da cultura brasileira, infelizmente é desconhecido por muitos de nós. Vodoopriest faz questão de resgatar nossas raízes e valorizar nossa cultura através desse álbum, que teve um resultado incrível.



No dia 28 de março de 2017 foi lançado o clipe da música “Mandu”, trazendo cenas do vocalista Vitor Rodrigues interpretando o índio tema dessa composição. O vídeo mostra várias referências à cultura indígena. O SubSolo conversou com o Vitor para saber detalhes do clipe. Confira a entrevista:


Como surgiu a ideia para a gravação desse clipe?


Vitor Rodrigues: Tínhamos um objetivo claro: fazer um clipe à altura da figura histórica de Mandu. Daí começamos a planejar como seria, desde o conceito até os custos desse projeto e chegamos, por intermédio do Bruno, baixista do Voodoopriest, ao grande diretor André Uba da Torradeira Filmes. As ideias foram surgindo e alinhadas. Fizemos um resumo do que queríamos passar no vídeo e rumamos para a Oca da Tribo Xamã, um local, localizado em Nazaré Paulista, usado para rituais de Ayahusca, cachimbo, Sananga enfim, um local fortemente espiritualizado com as forças da natureza. E foi uma conexão imediata. Ficamos um dia inteiro por lá filmando e voltamos exaustos, mas agradecidos com a experiência maravilhosa que passamos.


O que Mandu representa para você e como foi interpretá-lo?

Vitor Rodrigues: Mandu representa um símbolo de resistência, não só das invasões, mas acima de tudo resistir em manter viva a sua cultura, o seu povo, enfim a sua memória. Retratá-lo foi de uma gratidão ímpar porque naquele momento quis representar todos os povos indígenas, a minha família, minha descendência... então foi uma espécie de resgate da  minha ancestralidade, em particular, mas também a que cada um carrega dentro de si. Espero que tenhamos atingido o coração e a alma do público.


Quais elementos culturais foram colocados no clipe?

Vitor Rodrigues: A ideia básica, como disse acima, foi representar Mandu mas acrescidos de elementos do universo espiritual dele. Do xamanismo, da pajelança. Portanto tivemos que condensar tudo isso para uma linguagem mais dinâmica de um vídeo clipe. No começo surge as mãos carregando o urucum, que seria moído no pilão, uma forma alusiva de dizer que a mãe terra é provedora de tudo. A partir daí seguimos uma sequência ritualística e simbólica como a pintura corporal, o cachimbo, a aplicação da sananga. Aliás há dois personagens no clipe. Ana Ruiz que representa a entidade feminina e Léo Ahau a entidade masculina. Isso é uma simbologia para o Universo criador. São deles que vem o urucum, são eles que semeiam a terra, o começo do mundo, as primeiras crenças, os primeiros conhecimentos, enfim... entidades que passam para Mandu - representando também todo o povo indígena - todo o conhecimento para ser perpetrado ao longo dos séculos. E no vídeo vimos os elementos se fundindo como se dissessem que nós fazemos parte de um Todo. É essa conexão que o homem perdeu ao longo dos anos e que agora há um surgimento de novos personagens, novos protagonistas para reconectar a raça humana para uma nova conexão.


Como você e a banda avaliam o resultado do trabalho?

Vitor Rodrigues: Faltam adjetivos para dizer o que senti desde o começo, lá das primeiras letras do álbum Mandu até o vídeo clipe. Fechou um ciclo de uma maneira que nos deixou eternamente agradecidos. Foi libertador. A avaliação que faço é que conseguimos exprimir, com criatividade e competência, o sentimento e a importância da figura do grande Mandu Ladino. 



Clique AQUI para conferir outra entrevista
d'O SubSolo com Vitor Rodrigues


Curta Voodoopriest no


Escute o álbum "Mandu" completo no


Conheça o Programa VOLUME 11, do Vitor Rodrigues

← Postagem mais recente Postagem mais antiga → Página inicial

0 comentários:

Postar um comentário