31 julho, 2017

Resenha: Nada Muda - Face Civil (2016)

Hora de sentar no sofá, abrir uma cerveja gelada e pegar algo para beliscar, vai começar o Face Civil. Nascer no Rio Grande do Sul e ser músico de Rock/Metal deve beber de uma fonte inesgotável de "como saber compor", ou o bom gosto e o talento vem de berço, rs. Formada em 2002 na capital gaúcha, a Face Civil foi composta no início por quatro amigos que almejavam aprender a tocar e fazer música juntos, de preferência de própria composição e criação. Naquela época os tempos já eram difíceis e na saída do vocalista, a banda resolveu dar um tempo e rever alguns pontos, só que já tinham iniciado a composição do EP "Nada Muda" e foi ele que os uniu novamente, vindo a lançar recentemente esse trabalho, ah, é dele que vamos falar aqui!




Com influências do Punk, como Tequila Baby, Replicantes e Ramones, a banda carrega também influências do Grunge como Nirvana e pitadas do Rock mais moderno, como Matanza. Os vocais da Face Civil são retos e objetivos, com bons timbres e boas pegadas de vozes de apoio, lembrando um Punk mais moderno. O instrumental lembra mais o Hard Rock com influências de Van Halen pela base ao fundo ser firme e moderada. As letras são bem consistentes e dão um brilho extra as músicas, principalmente nos refrões com métricas chicletes que grudam na cabeça. Os solos de guitarra são muito bem elaboradas, com uma pegada mais Heavy Metal, ótimo trabalho de Michel Suleiman e Lucas de Anhaia. Gosto de como o baixo toma forma por debaixo das músicas, dando todo o corpo necessário preenchendo pequenas lacunas que poderiam ficar expostas e aparentar vazios durante as músicas, trabalho impecável de Jair Soares. Por mais que o baterista tenha mudado, as linhas de bateria foram gravadas por Douglas Santanna, linhas que não comprometem e arcam com a função necessária, dando um bom peso e boa sintonia com os demais instrumentos.

A faixa de abertura "Quem Sou Eu?" é uma música bem pegada, lembra o rock oitentista uma pegada que lembra Barão Vermelho e com pitadas de Titãs, as linhas de guitarra chamam atenção, assim como os vocais no refrão. A segunda faixa é "Dama da Noite" que se inicia com uma pegada Punk e mescla muito grunge até o final da música, a música conta com um breaking down que da uma outra cara a música, mostrando o leque de opções que a banda carrega na hora de compor. A terceira faixa é a responsável por levar o nome do trabalho, "Nada Muda" é aparentemente a música que a banda mais aposta suas fichas, riffs que lembram Legião Urbana no tempo de "Geração Coca-Cola", porém os refrões são mais pegados, enquanto Legião usava um refrão mais Pop, a Face Civil explode justamente nessa hora. Talvez a música mais Punk Rock do disco, a quarta faixa é a "Tia Jura", que lembra muito Ramones, só que em Português. Além de ter apenas dois minutos, "Tia Jura" já inicia sem delongas, é direta e objetiva, com boas paradas e alternações constantes. Antes de fechar o disco temos a penúltima "Meu Sangue" que tem pequenas dosagens do Punk Rock, mas lembra mais o Grunge, é o refrão que mais gostei no disco "Meu Sangue, não vai cair, minha carne não vai se ferir, não me enterrarei, nas tuas leis e não morrerei mais uma vez", são os dizeres apoiados por boas segundas vozes que dão uma consistência maior a música. E fechando o trabalho temos "Não Quero Mais (Deixar Para Depois)" que também segue uma linha Punk, mas um pouco mais alternativo e é assim que a banda encerra o trabalho com chave de ouro.



A banda sabe se impor nesse primeiro trabalho, certo que pelo tempo que levaram para esse chegar até o seu destino que é o lançamento, foi um caminho árduo, mas agora é hora de correr pro abraço e divulgar. Um Rock pegado e com ótimas referencias de grandes artistas, uma miscelânea de bons riffs e boa sintonia.  A forma de compor é reta, vocais bem executados e métricas bem encaixadas, guitarras com distorções, derivadas talvez, do Grunge e a pegada do Rock gaúcho, sabemos quer quem faz música no sul, não tem como fugir dessas influências, o Rock gaúcho é uma fonte inesgotável, Face Civil é um bom exemplo disso.


Material recebido pel'A Hora Hard.

FORMAÇÃO
Néco Alves - vocal
Jair Soares - baixo e voz

Douglas Santanna - bateria
Michel Suleiman - guitarra

Lucas de Anhaia - guitarra

TRACKLIST

01 - Quem sou eu?
02 - Dama da Noite
03 - Nada Muda
04 - Tia Jura
05 - Meu Sangue
06 - Não Quero Mais (Deixar Para Depois)

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Um comentário:

  1. Amei a resenha ,ressaltou bem o trabalho deles que só quem ja viu ao vivo sente a energia total da banda e a empatia com o publico!

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