23 novembro, 2017

Entrevista: AlkanzA (SC Metal Fest - Otacílio Costa/SC)

Salve, salve, rapaziada! Como estão? Aposto que já estavam ansiosos pelas matérias exclusivas que fizemos no SC METAL FEST, né non? Pois bem, a ansiedade chegou ao fim e, a partir de agora, declaramos aberta a COBERTURA OFICIAL SC METAL FEST: O SUBSOLO!

A partir de hoje até domingo (26/11), teremos matérias incríveis que rolaram durante a cobertura do evento realizada pelas nossas redatoras Thabata Solazzo e Karine Nunes.

E, para começarmos os trabalhos, a Thabata conversou com esses caras incríveis que são um poço de humildade e lição de garra e perseverança. Banda de Tubarão/SC que começou suas atividades em novembro de 2013; os caras tocam um Thrash Metal com muito Groove, letras ácidas e riffs marcantes. Estamos falando deles: AlkanzA!


Para aí o que tu tá fazendo e saca só essa entrevista, com direito a novidade exclusiva para o Subsolo, hein? Curte aí:

Galera, pra gente é um prazer estar trocando essa ideia com vocês aqui no SC METAL FEST. Satisfação define! Mas agora contem aí: A banda lançou um álbum novo recentemente, "O céu da boca do inferno", qual evolução vocês perceberam do primeiro álbum "Destroyed the System", pra esse?
Thiago: Po, a gente é quem agradece! Então, ninguém compôs um “Powerslave” do nada, né, isso vai da experiência de outras composições até "acertar", assim como foi com o Iron Maiden. Do "Destroyed the System" até "O Céu da Boca do Inferno", foi uma evolução gradativa. O primeiro álbum, como de qualquer banda que está começando, é muito difícil de se produzir. A cena é difícil, todo mundo quer um Iron Maiden pronto... Nós bancamos tudo, lançamos pra download pra galera. Então, a evolução do primeiro até aqui, eu diria que foi aprender a maximizar o tempo, saber como construir as coisas em pouco tempo, na verdade. Vários fatores se somam: a entrada do Ramon, começarmos a ensaiar mais, enfim, a essência da banda sempre foi a mesma, o que mudou foi a experiência que só o passar dos anos nos traz. 
As pessoas que conhecemos do primeiro álbum pra cá também são de suma importância pra que a gente pudesse chegar onde estamos hoje.

Vocês são uma banda relativamente nova, porém já conseguiram gravar três álbuns. Qual o maior desafio de uma banda underground para se estabilizar e conseguir gravar/divulgar seu trabalho? Ainda mais longe de um grande centro...
André: Nossa principal dificuldade sempre foi a financeira, nós bancamos tudo do nosso próprio bolso. Pelo bem do Metal e por que a gente gosta mesmo. Na hora de compor, a raiva é tanta que as outras coisas ficam pra trás (risos).

Thiago: Graças ao nosso trabalho e ao nosso esforço, estamos conseguindo entrar num mercado mais profissional, assim dizendo, mas o underground é aquele negócio né: às vezes, os caras, ao invés de irem ensaiar, só ficam enchendo a cara e não focam no que realmente importa... É o amadorismo tanto por parte de bandas quanto do público... Promotores que não pagam... Bandas que não cobram... Enfim, é complicado falar, né? Nós sempre procuramos fazer o nosso melhor. Não fazemos por dinheiro, fazemos por amor, amor pelo Metal e amor pela cena. Nós somos uma banda que tocamos o que gostaríamos de ouvir e não ouvimos, então, por isso que eu acho que temos essa identidade mais diferenciada. Outro ponto é o seguinte: nunca espere a mesma coisa da gente, se você gostou do álbum, escute ele, vão vir coisas novas e diferentes dessas. Nossa conduta é fazer o que achamos ser verdadeiro. Tudo que falamos ou escrevemos é verdadeiro. A gente fala o que a gente acredita e conhece: São muitos anos entrando num mosh até poder subir num palco.

Certo, e o que vocês acham da cena e dos festivais catarinenses? Aqui, nós temos esse diferencial dos outros estados que são os festivais com camping, que tem essa pegada mais europeia...
André: Desculpa a expressão mas, pra mim, a cena aqui é uma merda! Não pelo produtores em si, longe disso. São pelas pessoas que se dizem amantes do Metal, amantes de festivais, mas não aparecem nos eventos. Os caras preferem ficar em casa falando um monte de besteira no facebook do que comparecer à um evento. Evento tem, têm vários. Enquanto tá rolando um evento na cidade dos caras com banda independente à dez pila a entrada, eles estão o quê? Tão escutando o cdzinho deles, reclamando da cena na página do facebook deles. Acho isso muito errado.

Thiago: Na minha opinião, tem muito evento, muita banda de qualidade... Porém, oportunidade, nem sempre tem. Aqui tem muita panela, muito preconceito sobre tudo. Mas meu, aqui, os produtores estão de parabéns! É muito foda tu meter a cara e fazer um evento do zero. É difícil... Pra mim, panela só serve pra fazer comida, se não tiver comida dentro, ela não serve pra nada. A galera precisa começar a dar oportunidade pras bandas. Tem muita banda foda ai só esperando a sua vez. O rolê precisa ser livre de panelas, independente de qualquer coisa. Mas enfim né, é como eu sempre falo pra galera na AlkanzA: se fosse fácil, não seria pra gente.

E como a AlkanzA conseguiu se encaixar dentro do cenário de bandas aqui do estado?
Thiago: É, a gente começou dando soco em pedra. Mas sempre tivemos certeza que valeria a pena. Foi muita virada de cara, foi muito “não”, foi muita gente não dando espaço por que não gostava ou por que tinha inveja... Mas olha, uma coisa eu digo, nós entramos pela porta da frente. Entramos sem pedir nada pra ninguém, tivemos oportunidades de pegar patrocínio com político e coisas assim, mas nunca aceitamos.
AlkanzA é uma banda consciente, nós não espalhamos o ódio ou a raiva, o que nós sempre falamos é a questão da rebeldia porém de forma consciente, com atitude, não só com palavras. Não devemos ficar esperando nada de ninguém, nem de governo ou de qualquer coisa do gênero. Nossa luta é árdua, como eu te disse no início, começamos dando soco em pedra, mas rígido do que pedra eu acho difícil (risos).
Nós devemos cuidar do que é nosso. Só o headbanger pode salvar a cena. Se o funk tá bom, bom pra eles. Nós devemos nos importar com o que é nosso. 

André: Nós só temos o que agradecer, na verdade. Agradecer a todas as pessoas que nos apoiaram e nos apoiam, que nos ajudaram a chegar até aqui. Sempre com dignidade e trabalho duro.

Thiago: É o que eu sempre falo né, cara. Nosso lema é a gratidão eterna. Sempre que estamos em cima do palco e olhamos lá pra baixo, somos extremamente gratos. É aquela né, nós só tocamos a música, quem faz o show é o público, se eu tiver em cima do palco sem público, o que é de mim? Nós sempre procuramos fazer o nosso melhor. A gente pega o nosso melhor e dá para as pessoas, sabe? Dinheiro nenhum paga o que a gente faz por amor.

Divulgando o álbum novo, quais os planos pro ano que vem? Alguma novidade? Alguns show já confirmados?
André: Nós temos uma novidade, e eu vou aproveitar a oportunidade e anunciarei em primeira mão pelo O SubSolo: ano que vem a AlkanzA sairá em turnê! Estamos planejando sair ali por março/abril, então, todos os produtores de evento do Brasil: entrem em contato aí! (risos).

Thiago: Então, estamos com vários projetos pro ano que vem; composições novas, gravação e lançamento de clipe (outra informação exclusiva), nossa turnê que o André acabou de anunciar, estamos com um projeto também com outras bandas do estado, onde vamos nos unir e fazer algumas parcerias ai, enfim, vamos fazer o que os que muitos falam e poucos fazem: promover o Metal e promover a união.

De onde surgiu a inspiração pras letras da banda e principalmente de onde veio a ideia das letras 100% em português?
André: A ideia do português foi uma parada muito louca: Nós tínhamos gravado o Destroyed the System e nós estávamos fazendo o Colonizados pelo Sistema, aí, o Thiago compôs a “Brasil”, que até então era a única cantada em português, aí ele disse “velho, vou dar minha cara à tapa, mas vamos começar a compor em português, eu assumo todo o risco e toda a responsabilidade”, e deu certo né, cara. O Thiago tem uma baita cabeça, escreve umas letras fodas pra caralho, deu muito certo!

Thiago: Cara, eu penso que pra tu poder fazer algo, você precisa ter moral pra aquilo. Eu não vou fazer como muitas bandas fazem pra ganhar o mercado: escrevem letras prostituindo tanto a música quanto o país em que vivem. Gringo não vai vir de fora resolver nossos problemas; não adianta eu falar mal do meu país pra gringo, eu tenho que falar dos meus problemas para o meu povo. A única arma que eu tenho é a palavra, então é dela que eu vou me valer. Se eu cantar em português, eu vou ser a AlkanzA, se eu cantar em inglês, eu vou ser só mais um. Eu não quero que as pessoas cantem o que eu canto, eu quero que as pessoas pensem no que eu canto; pensem, e tirem as suas próprias conclusões. 

E justamente, este é o ponto: o que vocês acham sobre essa ideia da letra e tudo que ela representa ser jogada direto nos ouvidos do público sem a necessidade de uma tradução?
Thiago: É que na realidade é assim: boa parte dos headbangers têm aquela mentalidade europeia, né? Porra, se os caras mandarem tu se foder em inglês, muitos estão lá rindo e batendo palma, sem entender. Então assim, quando tu fala em português, tu tá falando diretamente pro seu povo. Muitos também reclamam né, de ser difícil fazer música em português e não sei o quê: Cara, se tem um muro na tua frente – quebra. Cabe à você tirar essa barreira.

O AlkanzA já teve baixas de integrantes, sendo o SC Metal a despedida do guitarrista André Guterro. Como a AlkanzA lida com essas trocas e o que podemos esperar do futuro da banda?
André: É complicado né cara, às vezes a vida faz a gente fazer umas escolhas... Mas meu, minha saída da banda é algo provisório. Eu tenho alguns compromissos particulares que atrapalhariam a banda, o público não merece alguém que não se doe 100%, por isso dessa "saída".

Thiago: Essa saída é o que ele diz, né? Uma vez AlkanzA, é AlkanzA pra sempre! (risos). Então, como fundador da banda, eu posso te afirmar que assim, em todas as formações, sempre houve uma evolução. Hoje eu posso te dizer com toda a certeza: Eu tenho os melhores. Os melhores que eu preciso e isso me basta. Eu vejo muitas bandas sucumbirem por isso. Muitas vezes a AlkanzA só estava comigo, e mesmo assim eu persistia, eu lutava. Nunca desisti. Isso é amor. Isso é justo. Todos da banda são bem direcionados. Todos sabem o que querem. O público não merece ninguém desmotivado em cima do palco. Já fui em muito show gringo em que os caras estavam lá só por estar. Porra, música pra mim é minha vida. O público pra mim é o meu maior bem. São todos meus amigos!

Poderiam deixar um salve pro pessoal que curte o som de vocês e pros leitores d'Osubsolo?
André: Quero agradecer aos nossos fãs, deixo aqui o meu muito obrigado! Ao pessoal que curte a AlkanzA, entrem em contato com a gente, nós vamos até vocês. Como eu disse, ano que vem nós estamos saindo em turnê e a gente quer fazer o melhor pra cena! Obrigado!

Thiago: Cara, primeiramente eu quero agradecer ao SubSolo que sempre nos apoiou. Pra mim, hoje é a melhor mídia da região sul, vocês não fazem por amizade, vocês fazem por ser justo e correto, e isso eu admiro muito! Minha gratidão ao SubSolo sempre será eterna!
Agradecer à Nani que sempre está produzindo excelentes eventos aqui em Otacílio Costa; agradecer também à todos os produtores do estado que sempre estão se esforçando e dando a cara à tapa!
Quero também aproveitar a oportunidade e agradecer à Tatuaria Ink Garcia e a R. Nandi pelo apoio de sempre!
E ao nosso público? Meu, eu só tenho que agradecer! O pessoal que se dispõe a sair de casa, empenhar dinheiro que, nós sabemos como anda a situação no país, né. Nossa, não tenho nem palavras, sabe? Eu acho que uma banda que não tem o seu coração cheio de gratidão pelos seus fãs, nem merece os fãs que tem. Pra hoje, nossos fãs podem esperar uma bomba nuclear em cima do palco, vai ser destruição total. Nós não somos melhores que ninguém, somos todos irmãos e sempre vamos juntos!

E aí, curtiu? Segura que essa é só a primeira dessa semanada de Cobertura, viu? Te liga!

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