Entrevista: Thiago Oliveira, Fabio Carito e Marcus Dotta (Warrel Dane)

Esta semana nós tivemos a oportunidade de entrevistar os músicos e compositores Thiago Oliveira, Fabio Carito e Marcus Dotta. Thiago, Fabio e Marcus tocaram com o músico norte-americano Warrel Dane, que faleceu em Dezembro de 2017 durante as gravações de seu novo álbum Shadow Work. A entrevista é repleta de histórias e curiosidades sobre o novo álbum, turnês e convivência com o Warrel. Confira a entrevista! 




Vocês tocaram com o Warrel Dane desde 2014. Como surgiu o convite para cada um de vocês participarem dos shows no Brasil?

Thiago Oliveira: O convite para fazer parte da turnê do Warrel em 2014, partiu da produtora TC7. Eles queriam fazer uma turnê de respectiva da carreira do Warrel, e eles conheciam o meu trabalho com o Seventh Seal. Então eles acharam que seria interessante, por trabalharmos com a mesma produtora e por causa do meu estilo, de tocar com guitarra de 7 cordas, afinação mais baixa e músicas mais técnicas. A partir desse momento, eles me pediram uma indicação para completar a banda e eu sugeri o Fabio Caritto e o Johnny Moraes. 

Fabio Carito: Tudo começou com o Tiago Claro o dono da empresa de produções TC7. Ele entrou em contato diretamente com o Warrel via Facebook, perguntando se ele não gostaria de fazer uma turnê pelo Brasil revivendo os sucessos do Nevermore, Sanctuary e carreira solo, e ele prontamente aceitou. O Tiago Claro já tinha alguns nomes de músicos na mente e esses músicos foram automaticamente convidando os outros. Entre nós (músicos) já havia um senso comum de quem deveria assumir a responsabilidade de ser da banda do Warrel. Infelizmente essa formação durou até Dezembro de 2017. 

Marcus Dotta: Eu fui o último a entrar no time. Eu já conhecia o Fábio Carito há alguns anos, porém só fomos tocar juntos em 2013 em estúdio para uma gravação a qual nós dois fomos contratados. Em janeiro de 2014 ele me pergunta se eu estava interessado em fazer a primeira tour do Warrel no Brasil que o Tiago Claro da TC7 produções estava organizando. Eu, como grande fã de Nevermore, topei na hora, ele me indicou, eu mandei um vídeo para o Warrel avaliar, ele gostou e cá estou eu.



Antes de realizarem a primeira turnê com o Warrel no Brasil, vocês já haviam recebido o convite para ser a banda oficial de sua carreira solo?

Thiago Oliveira: Não éramos uma banda oficial. O plano inicial da produtora, era fazer seguindo o modo que o Paul Dianno faz as suas turnês no Brasil, que ele seleciona alguns músicos locais e faz uma turnê tocando os sucessos da carreira. O que aconteceu durante essa turnê, foi que a química entre o Warrel e a banda foi tão boa, que ele começou a receber convites para outros lugares e quis levar a banda juntos. A partir da segunda turnê, foi selado um acordo em relação à isso. 


Fabio Carito: Não, nós não tínhamos recebido um convite porque não tínhamos vínculo com o Warrel, senão o de fã-idolo. Se não me engano, a ex banda do Marcus abriu dois shows do Nevermore na turnê do This Godless Endeavour e eu tinha assistido um show deles na turnê de 2006. 

Marcus Dotta: Não, a banda se formou para realizar a primeira tour dele no Brasil. Ele havia feito essa experiência com bandas locais uma ou duas vezes em outros países, porém para shows isolados. No nosso caso, no meio dessa primeira tour já criamos muita afinidade com o Warrel, ele gostou muito do nosso trabalho e fomos conversando para fazer outras coisas além dessa primeira tour. A partir daí veio a primeira tour internacional, as primeiras idéias do novo disco solo, a segunda tour internacional, mais duas tours nacionais nesse meio tempo, até chegarmos na pré produção e gravação do Shadow Work.



Vocês fizeram a aclamada Dead Heart In A Dead World 15th Anniversary Tour. Como foi tocar os clássicos do Nevermore com quem participou da composição do álbum e ter a chance de fazer isso em vários países? 

Thiago Oliveira: Tocar o disco Dead Heart foi muito legal, porque foi um disco que marcou muito uma época. Foi a primeira vez que eu vi uma banda tocando com guitarra de 7 cordas, um som muito pesado e com bons músicos, porque na época era muito comum apenas bandas de New Metal utilizarem este tipo de guitarra. Quando comprei o disco, fiquei impressionado com o peso das composições, a voz do Warrel, a técnica do Jeff Loomis e o restante da banda. Então tocar este disco na íntegra junto com o vocalista, 15 anos depois, foi algo muito especial e que eu nunca imaginei que aconteceria, porque a vida dá muitas voltas e pensar que antes eu assistia o Nevermore na TV e que anos depois eu estaria dividindo o palco com o cantor, foi algo inimaginável. Foi muito bacana poder levar esta turnê para fora do Brasil, pois podemos sentir o carinho dos fãs europeus. Eles não se importam se você é do Brasil ou do Sri Lanka. Se você está ali com o cara, fazendo a turnê, as coisas acontecerem, eles estão super felizes e nós fomos muito bem recepcionados, fizemos grandes shows, fiz grandes amizades e tivemos momentos inesquecíveis. 

Fabio Carito: Pessoalmente falando, o Dead Heart In A Dead World é o meu CD preferido do Nevermore e acho que foi a consagração da banda. Pra mim ele continua soando atual mesmo após 18 anos do lançamento e foi um divisor de águas no mundo da guitarra de 7 cordas, é o antes e depois deste CD. Para mim foi muito prazeroso tocar este disco, porque eu sugeri para o Warrel de fazermos uma turnê de comemoração deste disco, já que na época fazia exatamente 15 anos de seu lançamento. Como todos sabem, o Dead Heart é o maior sucesso comercial do Nevermore e ele acatou a ideia de primeira. A única coisa que não deu certo, foi colocar as músicas bônus no set list, porque após a turnê no Brasil, nós fizemos uma turnê no exterior e depois começamos a composição e gravação do Shadow Work. 

Marcus Dotta: Eu sempre fui um fã hardcore de Nevermore. Eu escutava o Dead Heart no repeat no meu discman (antes do mp3 player) voltando da faculdade para a minha cidade, no começo dos anos 2000. Me ver tocando essas músicas com o Warrel anos depois foi a realização de um sonho, simples assim.



Vocês estão trabalhando no sucessor do álbum Praises To The War Machine (2008) com o produtor Roy Z. Como chegaram ao nome dele e quem teve essa ideia? 

Thiago Oliveira: Em relação ao Roy Z, eu consegui chegar até ele através do Rafael Bittencourt do Angra. O Roy trabalhou na pré-produção do disco junto comigo. Quem na verdade fez todo o trabalho de produtor foi o Wagner Meirinho, que é produtor do Torture Squad, Trayce, e várias outras bandas da cena. Ele está sem dúvida entre os melhores profissionais no meio, aqui e lá fora. Ele entendeu exatamente a sonoridade que estava todo mundo buscando. Acho que se não fosse por ele, esse disco não teria saído.

Fabio Carito: O Wagner Meirinho, da Loud Factory, assumiu a parte de pré produção após o Roy Z, e também participou de toda a parte da pós produção, timbragem dos instrumentos, gravação dos mesmo, mixagem e também a masterização. Acredito que 90% do Shadow Work deve ser creditado à ele. O cara literalmente salvou o disco. 



Em algumas entrevistas que li sobre o Shadow Work (2018), foi dito que será um trabalho mais pesado, sombrio e com músicas mais complexas que seu antecessor. Poderiam falar um pouco sobre isso? 

Thiago Oliveira: Em relação ao Shadow Work ser um disco mais pesado e sombrio, foi algo que aconteceu naturalmente, quando começamos a compor o disco. O Praises To The War Machine, que foi produzido pelo Peter Wichers guitarrista do Soilwork foi um disco mais rock n’ roll, pois o Warrel queria fugir um pouco do metal, já que estava há anos com o Nevermore, então ele quis fazer algo mais metal moderno e rock n’ roll. Eu adoro o disco, mas muita gente acabou dividindo opinões. Eu gostava muito de tocar as músicas dele ao vivo. Mas o Shadow Work teve muito das influências que a banda teve. Eu gosto muito de metal extremo, black metal, death metal técnico e progressivo, então isso acabou somando com o peso das guitarras de 7 cordas e saiu naturalmente. Eu estava com muito sangue nos olhos quando nós começamos a compor, muita coisa dando errado, muitos problemas pessoais, então isso acabou refletindo na identidade das músicas, é algo orgânico e que sai de dentro da gente como artista, não tem como planejar. Pelos comentários que recebemos da gravadora, eles estão até supresos por terem ouvido um pouco de blast beats, mas como sempre gostei de metal extremo combinou bastante com o jeito que o Warrel compunha.

Fabio Carito: Realmente a ideia do Warrel de fazer o Shadow Work um trabalho mais pesado é válida. Desde o início ele quis fazer um trabalho mais sombrio e na tradução livre ‘’Trabalho das Sombras’’, é uma linguagem da psicologia, do Jung. Já era uma característica do Warrel falar sobre letras mais pesadas, não pessimistas em si, mas realistas. Então acredito que as letras que ele chegou a escrever e que nós chegamos a gravar, são as mais obscuras sim. 

Marcus Dotta: Creio que o Warrel queria resgatar um pouco dessa vibe do Nevermore nesse novo disco solo. E nós da banda sempre fomos entusiastas de coisas mais modernas como o Djent, afinação baixa, elementos mais técnicos na sonoridade. Juntamos as influências que queríamos botar pra fora com o desejo do Warrel de algo mais sombrio como ele já fez no passado e o resultado final será um misto dos dois.



Infelizmente o Warrel Dane veio a falecer no último Dezembro. A banda decidiu continuar trabalhando e terminar de gravar e produzir o álbum. Como está sendo feito todo esse processo? 

Thiago Oliveira: Infelizmente foi uma coisa muito triste que aconteceu com o Warrel, e nós da banda estávamos preparados porque sabíamos que isso poderia acontecer devido aos problemas de saúde dele. Nós decidimos continuar porque o Warrel estava muito orgulhoso das músicas que nós havíamos composto para o disco, então nós estamos terminando o processo de gravação agora com o Wagner Meirinho na Loud Factory e que já trabalhou inclusive com o Torture Squad, é um grande produtor. Eu estou encarregado de fazer algumas coisas, o Warrel tinha gravado a voz para várias músicas, então eu estou escrevendo alguns arranjos, fazendo algumas partes de sintetizador e infelizmente alguns backing vocals que ele não conseguiu gravar. Tudo está sendo feito da forma mais cuidadosa possível, porque nós queremos um disco que seja a obra final dele, algo que honre a memória dele e está sendo um trabalho muito prazeroso de fazer mas ao mesmo tempo muito difícil, devido as circustâncias.

Fabio Carito: A gente continua trabalhando no disco porque ele deixou metade do disco gravado. Então, nós temos 8 músicas ao todo e que compende em uma introdução e uma releitura de uma música do The Cure. Quando ele faleceu, além de ter deixado metade do disco para gravar, ainda tinham algumas partes para serem gravadas de guitarra, mas a bateria e os baixos ele esteve presente. Inclusive nas gravações do baixo ele participou por inteiro. Mas após seu falecimento, ainda haviam muitas partes de guitarra como dobras e solos para serem gravadas. 



Vocês tem ideia dos próximos planos para depois do lançamento?

Thiago Oliveira: Após o lançamento nós temos vários planos, mas a gente não sabe como vai ser a recepção do trabalho póstumo. Nós gostaríamos muito de fazer uma outra turnê com outros cantores convidados para celebrarmos e fazermos um tributo a ele, mas nós não sabemos como isso seria feito. Nós precisamos lançar o disco primeiro, esperar sair as resenhas, as críticas e a recepção dos fãs para ver se há a possibilidade disso. Mas eu pessoalmente gostaria muito de fazer isso, pela amizade e anos de convivência, mas só o futuro vai dizer. 

Fabio Carito: Nós temos algumas planos vagos para depois do lançamento do disco. Como por exemplo, fazer alguns shows em memória dele com convidados especiais como o Jim Shepard (ex Sanctuary e Nevermore) e o Leny que é o líder do Sanctuary. Talvez alguma coisa com o Atilla que foi o segundo guitarrista da fase final do Nevermore e também fazer alguns shows tributo com alguns convidados para honrar este trabalho, porque em vida nós tocamos duas músicas do Shadow Work que foram as As Fast As The Others e a The Hanging Garden do The Cure. 

Marcus Dotta: Quem sabe alguns shows em homenagem ao Warrel com convidados especiais ligados a carreira dele.



Como era trabalhar e conviver com o Warrel?

Thiago Oliveira: Eu não vou ser hipócrita, era difícil. Ele era um cara extremamente excêntrico, mas uma ótima pessoa para conversar e trocar ideia. Para trabalhar com ele às vezes era muito difícil por ser muito excêntrico, e ele gostava de criar tensão no relacionamento, principalmente com os guitarristas, porque ele se alimentava disso. Havia também os problemas notórios dele com a bebida e isso tudo com problemas de saúde e depressão. A música do Warrel refletia muito quem ele era como pessoa, toda a tristeza e melancolia da música do Nevermore, ele era aquilo. Mas ao mesmo tempo ele era um cara brilhante, e às vezes quando eu queria compor com ele, ele sumia e depois aparecia, mas quando conseguíamos fazer ele trabalhar, ele era brilhante, genial e o melhor. Só que não era fácil fazer isso, devido aos problemas citados acima, pois essas coisas o afetavam profundamente. Mas eu tenho um extremo orgulho das coisas que eu compus com ele. 
Trabalhar com o Warrel foi interessante, porque o Nevermore foi uma banda que eu demorei para digerir. Eu lembro que eu ouvia aqueles riffs pesados e os vocais melancólicos que pareciam que ele estava sofrendo, até que um dia eu cheguei à conclusão de que aquela música não teria o impacto que tinha sem a voz do Warrel. A questão de ter uma guitarra de 7 cordas, principalmente como guitarrista, foi algo que me influenciou muito. Pois eu tive um tempo que eu queria fugir de Power Metal e estava buscando algo mais pesado, e o Nevermore tinha tudo isso. O Seventh Seal de certo modo também tinha isso. 

Fabio Carito: Trabalhar com o Warrel era muito legal, porque ele era muito fã do contrabaixo. Então ele cantava algumas linhas melódicas para eu executar no disco. Eram boas sugestões e ele tinha um senso melódico para o contrabaixo muito legal. O senso crítico dele era muito bom, porque havia momentos em que ele sugeria alguma ideia e eu não gostava e ele entendia isso e não forçava a barra. Mas a maioria das sugestões eram esmagadoras e eu utilizava. Inclusive há um pequeno solo em uma música que ele cantou para mim e gravei o solo. Agora conviver com o Warrel, eu só posso falar na parte da turnê, mas era uma relação complicada. Porque o Warrel ao mesmo tempo que ele extremamente genial, ele tinha um lado bem inquieto, além de alguns problemas de ansiedade e depressão. Então isso fazia com que às vezes nós não sabíamos como lidar com ele, mas isso nunca em um âmbito agressivo ou violento. Ele sempre foi extremamente carinhoso e amoroso. 

Marcus Dotta: Uma experiência única, pois ele era uma pessoa única. Um dos caras mais amáveis e simples que já conheci, mas também um dos mais difíceis em alguns momentos. Um gênio que flertava com a loucura. E esse lado gênio nós presenciávamos principalmente na hora de compor. Era quando ele mostrava que ainda era aquele Warrel Dane, com interpretações, melodias e letras únicas que sempre o caracterizaram.



Poderiam contar a influência que Warrel teve na vida musical de vocês? 

Fabio Carito: O Warrel teve uma influência musical na minha vida mais por causa do Nevermore, já que nunca fui muito fã do Sanctuary. Mas eu sempre gostei muito das letras dele, das métricas que ele usava e o vocabulário que ele também usava, que sempre foi um diferencial entre os vocalistas. Pensar um pouco fora da caixa e de repente escrever uma música e depois quando ele colocava a voz dele, a música mudava completamente e isso era uma surpresa muito agradável. Porque pois mais reta que a música fosse, ele chegava com alguma ideia mirabolante e com certeza era a cereja do bolo.

Marcus Dotta: Eu vou contar a história que sempre conto em entrevistas ou quando me perguntam sobre isso. Como falei, sempre fui muito fã de Nevermore antes de imaginar tocar profissionalmente, ainda mais com o próprio Warrel. Em 2006, minha banda na época abriu um show do Nevermore em Curitiba e eu conheci o Warrel como fã. Dez anos depois eu estava tocando com ele todas as músicas que eu ouvia incansavelmente como fã, porém dessa vez eu convivia com ele como amigo. No começo era surreal pensar nisso. Não era um trabalho qualquer. Porém, todos nós viramos muito amigos com o tempo. Eram sentimentos mistos, pois a gente lembrava da importância dele quando estávamos em tour, toda noite vendo marmanjos chorando na plateia cantando as músicas, mas ao mesmo tempo viramos amigos próximos, compartilhamos dramas pessoais, ele conhecia nossas famílias e vice versa. Não deixamos o lado fã de lado, mas éramos um grupo de amigos no final.



De todos os momentos vividos com ele, poderiam contar alguma história engraçada que vocês presenciaram com o Warrel?

Thiago Oliveira: Eu lembro de uma história que nós estávamos na Sérvia, antiga Iuguslávia e o Warrel era um cara que quando saía em turnê, ele era muito largado, não tomava banho, doidão e vestia umas roupas esquisitas. Aí um dia ele entrou em uma farmácia e chamaram a polícia, porque acharam que ele era um mendigo. Quase que ele foi levado em cana antes do show e até provar que ele não era, demorou. Ainda mais na Sérvia que teve uma antiga guerra civil, o pessoal faz vista grossa. 
Uma outra vez, foi durante nosso primeiro show no Hangar 10 e tinha uma menina meio plus size, digamos assim, e ela queria de todo jeito beijar o Warrel. Eu falei para ele e ele disse ‘’Ah, não, não é bem assim’’, então eu falei para ela dar um beijo nele aí ele foi quase estuprado pela moça e todo mundo começou a gritar ‘’beija, beija’’. Mas ela disse que ele não tinha beijado ela direito, aí eu falei para ele dar um beijo nela e ele acabou ganhando um beijo de língua. Depois ele falou ‘’Ai meu Deus, ela botou a língua na minha boca’’, ele parecia um menino assustado. São milhares de histórias, eu poderia passar um dia inteiro contando as anedotas que passamos com ele.

Marcus Dotta e Fabio Carito: Na última tour na Europa que fizemos, estávamos na Romênia e o Warrel inventou que queria ir ao Mac Donalds do nada. Apenas eu e o Fábio estávamos acordados no momento. Ele nos infernizou e tivemos que sair pra achar um taxi de madrugada em Bucharest, sem conhecer nada, sem nossos passaportes (que estavam com o tour manager por conta de burocracias da fronteira). Achamos um que obviamente não falava inglês e fomos nos comunicando com ele com o Google tradutor. Chegamos no Mac Donalds e eles não estavam passando cartão. Não tínhamos moeda local e o taxista teve que pagar o pedido do Warrel. Tudo isso sendo comunicado bizarramente entre nós através de mímicas e o google tradutor. Na volta pra venue onde o tourbus estava estacionado, o Warrel começou a ficar enjoado. Eu que estava com ele no banco de trás do taxi e o Fábio no banco da frente. O taxista começou a entrar em pânico e escrever no google tradutor e mostrar pro Fábio: “espero que ele não vomite no meu taxi!”. O único saco que estava a mão era o do Mac Donalds, com o lanche que ele nos infernizou pra ir buscar junto dele. Resultado: pra ele não vomitar no taxi do coitado do taxista romeno que nos ajudou, ele vomitou no próprio lanche. Voltamos pro ônibus sem comida, porém chorando de rir da situação bizarra.



Por último, vocês poderiam deixar uma mensagem para os fãs do mundo inteiro que estão aguardando pelo lançamento do álbum Shadow Work?

Thiago Oliveira: Eu gostaria de dizer que ele não foi um cara que eu só tocava junto, ele foi amigo e praticamente família. Ele morou na minha casa, na casa do Johnny e nós conhecemos o melhor dele e o lado mais sombrio. Não foi uma convivência fácil, mas era alguém que nós respeitávamos e admirávamos muito. Em vários momentos pessoais ele esteve ao meu lado e nós tentamos fazer por ele tudo que nós conseguíamos e não é fácil lidar com tantos demônios pessoais que uma pessoa pode ter. Ele é uma pessoa que eu devo muito a ele, ele me deu uma grande oportunidade e foi algo que eu nunca vou esquecer. E espero que o disco que estamos fazendo esteja a altura da obra e do legado dele e que as pessoas escutem as últimas palavras do Warrel através do Shadow Work.

Fabio Carito: A mensagem que eu posso deixar para os fãs, é para apoiarem o disco. Infelizmente é um disco póstumo, então é o último trabalho de inéditas do Warrel, mas apreciem sem moderação e entendam o disco, porque ele é muito denso, embora curto, ele é muito intenso, com melodias e letras pesadas e músicas realmente cativantes. Espero que todos gostem do disco, porque todos nós demos 110% para fazer com que ele saísse. Obrigado pessoal. 

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Um comentário:

  1. entrevista simplesmente sensacional. é uma pena ter perdido um grande musico igual o Warrel. meus parabéns aos musicos sensacionais que tocaram com ele, tenho certeza que jamais irão deixar a memória dele morrer. parabéns por tudo que desenvolceram e vem desenvolvendo

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