Resenha: O Tempo e a Memória - O Bardo e o Banjo (2018)

Em um cenário lotado de boas bandas, se destacam aquelas que trazem uma pitada a mais. O diferencial faz parte de toda profissão, não só do músico. Um trabalho bem feito as vezes não é o suficiente e assim, acaba se destacando aqueles que inovam, arriscam e buscam sempre colocar sua criatividade a prova. hoje o que agora é "O Bardo e o Banjo" é formado por: Wagner Creoruska Jr. no banjo, percussão e voz, Marcus Zambello com Mandolin, Maurício Pilcsuk no baixo acústico e Peter Harris  nos violinos.



Entre muitas bandas nacionais de diversos estilos e vertentes, temos O Bardo e o Banjo. O que um dia foi uma banda "de uma pessoa só", quando Wagner Creoruska pegou seu material contendo seu inseparável Banjo e sua Mala-Bumbo e resolveu fazer música nas ruas movimentadas da grande São Paulo.

O primeiro disco lançado em 2014, intitulado "Homepath" trouxe um Folk Rock cantado em Inglês, com métricas acirradas e bem conceituadas, sempre em comum acordo com a melodia empregada em cada faixa. Já recente disco com maior parte das letras em Português intitulado "O Tempo e a Memória", apresentam algumas coisas que precisam ser lapidadas, principalmente as métricas vocais.

A principal influência do bando é o Bluegrass, um estilo musical do Sul dos Estados Unidos da América, algo que conhecido por lá como "Caipira Norte-Americana", isso sem deixar de lado o diálogo com a música caipira brasileira, o Rock 'n Roll e claro, muita pitada de música irlandesa está contida nas veias dos músicos.

Uma das principais características desse disco é a mescla com elementos brasileiros com algo mais internacional, nunca antes ouvido. Assim, tornando as histórias e as mensagens muito mais claras para o público que como conta a banda, sempre pediu por algo mais "brasileiro".

No instrumental não tenho nada a opinar, tudo soa perfeito. Na verdade por ser algo tão único é difícil dar pitaco, nos meus ouvidos pessoalmente caíram "como uma luva". Mas algumas palavras das letras de algumas músicas em Português pareceram fora de tempo, com mais ênfase nos finais dos fraseados como se se sentissem obrigados a utilizarem aquelas frases, mesmo sabendo que não "caberia". Já as letras em Inglês aparentemente o grupo domina, ou sendo sincero combina mais com a temática da banda. Mas fica esse leve adendo para algo futuro, de certa forma não basta começar a compor em uma língua para se aproximar de seu país natal, a mensagem tem que ter um casamento com a melodia.



Porém como música é sentimento, é impossível ficar parado com o feeling que todo o disco contém, principalmente pela diversão e os "gritos caipiras" muito bem sacados nas músicas. Não consigo imaginar esse CD sendo gravado de forma individual como toda gravação é, parece como se todos estivessem em uma sala ao redor de uma fogueira, fazendo um churrasco, tomando uma boa cerveja e se divertindo, pois as gravações são muito autênticas, sem aquele som enlatado que muitas bandas vem apresentando.

Com certeza podemos citar que até a arte visual foi muito bem pensado. Fora todo o processo de gravação que tem uma qualidade impecável, a sonoridade do grupo beira a perfeição, lembrando que fica a dica para reverem melhor as métricas vocais, que em certos casos parecem encherem linguiça e poderiam ter sido melhor associados a melodia. Mas julgando a obra pelo um todo é um disco muito bom, os elementos musicais diferentes do primeiro disco utilizados neste, deram um brilho a mais e quem arrisca as vezes petisca, deu muito certo.

FORMAÇÃO
Wagner Creoruska - banjo, percussão e voz
Marcus Zambello - mandolin
Maurício Pilcsuk - baixo acústico

Peter Harris - violino

TRACKLIST
01) Festa no Celeiro
02) Cair e Crescer
03) Aquela Mesma Estrada (feat. Hillbilly Rawhide)
04) Moda de Banjo
05) Alvorecer
06) Terra Natal
07) Emelines Smile (feat. Rodrigo Haddad)
08) De Dentro pra Fora
09) Vida
10) Angelina
11) The Owl
12) Dez Pras 4

13) Summer Rain

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