QUADRO NEGRO - #3 O conservadorismo no meio Punk

Um poderia ser considerado antagônico ao outro, mas "Conservadorismo" e "Punk" vêm cada vez mais caminhando juntos, já que o primeiro voltou à primeira fila da passarela política moderna mundial.



Graças à facilidade da tecnologia, cada vez mais é possível estar envolvido na cena underground e receber notícias em primeira mão. Entretanto, isso torna-se um pesadelo quando os ícones da nossa geração começam a dar declarações na contramão dos preceitos da filosofia Punk.

Um bom exemplo é que, recentemente, Glenn Danzig, lenda viva do Misfits, deu uma declaração pró-governo Trump defendendo o banimento de viajantes muçulmanos aos EUA. Aliás, não só ele como o outro ex-vocalista da banda, Michale Graves, também manifestou apoio ao governo republicano de George W. Bush.

Johnny Rotten, do Sex Pistols, também deu seu comentário pró-direita elogiando o Brexit e o presidente americano Donald Trump. Outra polêmica parecida, mas dessa vez em território nacional, foi a briga interna dos Garotos Podres, fazendo a banda rachar-se ao meio depois de mais de trinta anos de história. 

Ao observar todas essas declarações de camarote das telas dos nossos smartphones, a pergunta que nos fazemos é: como fomos deixar isso acontecer?

Infelizmente, não vivemos nenhuma novidade e, antes mesmo de nascermos, essa já era uma realidade ruim na cena punk. Os próprios movimentos nazi-fascistas, que deturparam o conceito de skinhead há uns bons vinte anos, são uma prova disso. 

Pesquisando um pouco mais lá atrás, nos primórdios do movimento, o próprio Ramones tinha seu pé mais à direita como guitarrista Johnny, que era assumidamente apoiador do governo Bush também e, segundo a BBC, pode ser considerado o pioneiro do conservadorismo punk. 

Há, inclusive, quem saia em defesa dessa tese, como no video abaixo, onde o Youtuber tenta argumentar como "o conservadorismo é a nova contra-cultura".

https://www.youtube.com/watch?time_continue=95&v=J5-CA9wJPS0

O que podemos fazer então se não acreditamos no conservadorismo como pilar na cena Punk?

Esta é uma pergunta complexa, com múltiplas respostas, onde nenhuma estaria certa ou errada, para o que caminha junto ao Punk Rock quase que desde sua criação. 

De imediato, é importante não desistir de continuar tentando, por mais cansativo que seja. Aproveitar a efervescência política atual para informar o maior número de pessoas através de zines, leituras, videos, músicas, etc., não para tentar convencê-las de nada, mas apenas lembrar que é importante contestar sim e sempre - não é por isso que ainda lutamos para fazer o Punk acontecer?

Leia mais:

  • https://www.nme.com/news/music/danzig-misfits-trump-muslim-travel-ban-2081376
  • https://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u31508.shtml
  • https://www.independent.co.uk/news/uk/home-news/john-lydon-trump-brexit-nigel-farage-support-sex-pistols-singer-good-morning-britain-a7652981.html
  • https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/08/briga-de-idolos-do-punk-de-sp-espelha-a-polarizacao-politica.shtml
  • http://www.revistacapitolina.com.br/tutorial-de-zines-parte-ii/


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