27 dezembro, 2018

Resenha: Entropia Humana Final - Sad Theory (2017)

Vamos dar uma ouvida no material da banda Sad Theory, o quinteto Curitibano de Melodic/Prog Death que conta com algumas separações e retornos ao longo de sua história. Formada em 1998, a banda pausou suas atividades até 2008, ficou ativa até 2012 e parou novamente. Em 2015 retornou e está ativa no momento.



Na última "vida" da banda, temos dois álbuns e vamos escutar o mais recente. O disco conta com 11 faixas e tem uma capa cheia de crânios amontoados, o que eu considero convidativo para um som pesado e agressivo.

A primeira faixa é "Willard Suitcases" e eu sempre acho bem legal som cantando em português e fico prestando atenção nas ideias que o vocal teve de melodia para encaixar a letra na música. É bem difícil e menos típico do que em inglês, então a coisa já chama a atenção logo no começo. A produção está bem dentro da proposta do estilo, soa sujo, pesado, denso, porém tudo bem audível. Da pra ver que a banda tem maturidade e história pra contar.

Na sequência temos "Antífona", cheia de riffs na pegada Black Metal e a banda vai ganhando um leve balançar de cabeça deste que vos fala. Faixa 3 - "Maestro" - Um pouco mais cadenciada, nem um pouco menos pesada, começa com tambores junto com um riff harmônico bem interessante e cativante. Na sequência a música se transforma em algo que poderia facilmente ter sido composto por um dos irmãos Amott (sem comparações, apenas elogios).

Pedrada boa, cheia de detalhezinhos que enriquecem a experiência. Teve até solo no final com fade out!

Chegamos em "Inanição" e a coisa já começa densa assim como o nome sugere. Esse som fala sobre os judeus sendo deixados para morrer de fome, então a música é mais arrastada, pesadona, estou gostando da ordem escolhida pela banda, eu achei que as composições são bem variadas e a ordem no disco foi bem pensada.  Esse som começa com vocal limpo, uma coisa meio aguda, meio Bruce, e aí junta o vocal rasgado do Claudio e rola um dueto muito, mas MUITO bacana. Rolou um final com narração, negócio meio sermão, meio padre, sensacional!

Faixa 5- "Punhais longos, cortes profundos" - Voltamos com a velocidade, timing perfeito para um riff mais rápido novamente. Aqui no meio do som rolam uns blasting beats, dá uma sensação bem boa no meio da pancadaria e depois volta para os riffs do início, pesados porém melódicos. "A cadela de Buchenwald", como o nome sugere, fala sobre a torturadora mais temida no campo de concentração homônimo. O som é bem denso mas é mais diretão, mais agressivo mesmo.

Em "Occipício" a coisa ja começa rasgando com bateria agressiva e a banda vem junto no segundo momento. Rápido, agressivo e bruto. Simples assim.

Faixa 8 - "A Alvorada das Hienas" - O som começa bem mais melódico do que as outras músicas até então, com solo de guitarra bem mais agudo e quase leve por cima de uma base pesadona. Isso gera um choque bem legal para a música acontecer. notei que os riffs dessa música são mais limpos, tem mais notas musicais envolvidas.

"S-21" - o nome vem de um campo de concentração no Camboja, e a música faz jus à densidade do tema sugerido porém não é densa e lenta, é super agressiva e rápida!

Faixa 10 - "Before my turn, agonizing" - cover do Infernal - Dispensa comentários sobre a música e está perfeitamente versionada pelos paranaenses.

Agora chegou o momento mais esperado desde que peguei o disco..... uma faixa de 27 minutos (vinte e sete minutos)... Isso mesmo, a faixa título do disco tem 27 minutos de duração e é instrumental.

Para minha surpresa, a música começa bem, super bem trabalhada e morre.... rola um silêncio de 25 minutos e volta para um violãozinho com teclado pad ao fundo fazendo um tema constante e hipnótico. Me lembrou um pouco "voice of the soul" do mestre Chuck, mas só pelo estilão mesmo. Enfim, esse é Entropia Humana Final, um disco que vale demais a audição. Já ouvirei no carro, que é o que eu faço quando realmente gosto muito de uma banda!

Disco temático sobre campos de concentração, achei que a exploração do tema foi muitíssimo bem feita e as explicações junto das letras facilitam a imersão do ouvinte. Gosto demais disso, não pelo fato de explicar a piada, mas pela experiência mais completa que é gerada depois da explicação.

Parabéns aos envolvidos e mantenham o peso!

Material enviado pela Sangue Frio Produções


FORMAÇÃO
Claudio "Guga" Rovel - voz
Alysson Irala - guitarra
Wenttor Collete - guitarra
Daniel Franco - baixo
Jefferson Verdani - bateria

TRACKLIST
01) Willard Suitcases
02) Antífona
03) Maestro
04) Inanição
05) Punhais Longos, Cortes Profundos
06) A Cadela de Buchenwald
07) Occipício
08) A Alvorada das Hienas
09) S-21
10) Before My Turn, Agonizing
11) Entropia Humana Final