03 outubro, 2019

#24 - De músico para músico - Comportamento - “Errei por causa do meu instrumento” - E agora?


24 - De músico para músico - Comportamento - “Errei por causa do meu instrumento” - E agora?




Quem nunca ouviu a seguinte frase: “Eu Errei só por causa do meu instrumento! Se eu tivesse um. Xyzblasterplus teria acertado!” ?

Ou melhor ainda: “No dia que eu tiver o xyzblasterplus eu serei reconhecido, farei a gravação, serei famoso, etc”?

E aí surge a questão: - Será mesmo que a culpa é do instrumento?

Na coluna desse mês vamos abordar essa questão de equipamento vs. expertise.

O caso será o seguinte:

  • Fulano sempre erra o solo de (escolha o instrumento) e culpa a qualidade do instrumento por isso.

Tanto em ensaios quanto em show o cara erra! Mas a culpa é do instrumento, claro, que não tem a qualidade desejada! 

Como proceder?

  • Primeiramente, temos que pensar nas hipóteses que podem ocorrer sobre o assunto:

1- O instrumento realmente tem uma limitação técnica e está atrapalhando o rendimento do músico. Geralmente isso ocorre muito com pedais de guitarra, pedais de bateria, teclados (timbre) ou, quando o instrumento é tão mal tratado que foi gerada uma limitação no mesmo.

2- O músico põe a culpa da sua falta de estudo no instrumento.

Analisando o caso 1:

Isso é muito comum de se ver em estúdios de ensaio, é facilmente identificado por qualquer observador. O perfil desse músico é geralmente o seguinte:
  • Humilde;
  • Calmo;
  • Dedicado;
  • Cuida do instrumento;

Normalmente esse perfil costuma ter um instrumento bem velhinho e faz seu melhor dentro das possibilidades. O que ocorre nessa situação é que o fulano erra, é repreendido mas não costuma reclamar, apenas tenta de novo.

Melhor saída é uma conversa franca com o fulano e expor que o caso está atrapalhando o desenvolvimento da banda. Sendo assim, o ideal seria verificar o que é necessário para adquirir um novo instrumento. A famosa vaquinha, ou solicitar ao fulano que se empenha ao máximo para fazer o upgrade.

Analisando o caso 2:

Caso clássico porém não tão fácil de identificar.

O músico que se coloca nessa situação, geralmente tem uma forma de convencer seus companheiros de banda que ele é um bom profissional.

Esse perfil costuma ter uma ou duas técnicas bem desenvolvidas e fica tão preso nisso que acaba por não estudar nada além. É algo complexo pois se os companheiros de banda partem para uma conversa séria, o fulano pode rebater com as técnicas que domina e então, a banda fica um tanto quanto perdida. Como pode o cara ser tão bom em x e pecar tanto em y?

O perfil é o seguinte:
  • Barulhento;
  • Alarde de como é bom;
  • Arrogante;
  • Briguento;
  • Costuma falar mal do próprio instrumento;

O termômetro indicativo para esse perfil é que a cada erro o fulano exibe sua raiva. Isso é o anti-artista mais comum que pode ser localizado.

Melhor saída nesse caso é a conversa com um músico externo, se for um produtor musical melhor ainda. Uma opinião de fora pode apontar os problemas com propriedade e pode baixar a bola”do fulano. 

A banda contratar um produtor especialmente para fazer essa análise e apontar os problemas pode sair barato perto do prejuízo causado por uma pessoa com tal perfil.

Ninguém quer a saída de um membro da banda, o ideal é apenas a sinalização e correção.

Boas práticas:

  • Estudar antes dos ensaios;
  • Regular, limpar, preparar seus instrumentos;
  • Fazer o possível para ter equipamento de reserva;
  • Buscar novas sonoridades;
  • Estar em dia com técnica;
  • Ouvir músicas atuais de bandas similares à sua;
  • Localizar seus pontos críticos de erro e malhar muito para minimizar erros;
  • Aceitar uma crítica;
  • Perceber se seus companheiros estão incomodados com alguma atitude sua.

Como em qualquer relacionamento, os erros pequenos podem se tornar grandes problemas se não forem tratados e trabalhados.

Sejamos bacanas e vamos estudar!