09 março, 2020

Cobertura: Noise Bleed Fest 2 (PR)

Aconteceu no dia 07/03 a segunda edição do evento Noise Bleed Fest no histórico 92 Graus the Underground Pub de Curtiba - PR.


O SUBSOLO | COBERTURA | NOISE BLEED FEST II


Este evento contou com a presença de três bandas locais: Dopamina (Punk/HC), Crotch Rot (Gore/Grind) e Mercy Killing (Thrash/Death) e uma convidada de outro estado, a poderosa Manger Cadavre?(HC/Crust) de São Paulo. 

Todas estas bandas contam com um posicionamento político forte e explícito de repúdio ao governo atual nas suas letras, anti-fascismo, anti-racismo anti-machismo e contra qualquer tipo de preconceito.

Com orgulho destacamos que todas as bandas que participaram desta edição contam com mulheres na sua formação, sendo que Dopamina conta com um line-up 100% feminino. 

Segundo uma das organizadoras do evento e também baixista da banda Crotch Rot, Angela, a ideia era precisamente essa, trazer um evento carregado de peso com bandas com ou de mulheres com a finalidade de promover a igualdade de gêneros na véspera do Dia Internacional da Mulher.

Durante todo o evento chamou muito a atenção a grande presença e força do público que encheu a casa e agitou do começo até o fim. A data era um pouco complicada para um show do estilo pois a poucas quadras do local a banda Krisiun estava se apresentando junto a três bandas locais (Atrocitus, Choke e Redtie) o que com certeza fez que muitas pessoas precisassem escolher um evento ou outro.

A banda responsável por dar começo aos trabalhos foi Dopamina.

Dopamina, a única banda 100% feminina da noite.


Eu conheço a banda desde o início e só posso dizer que a entrada da baterista Karina fez uma diferença gigante na sonoridade da banda trazendo peso e corpo as músicas com suas influências de Doom e Stoner que aliadas com a pegada HC/Punk da banda conseguem criar um clima de agito e convidam a fazer roda.

Durante 3 dos 4 shows, infelizmente houve falhas com um amplificador de guitarra e Dopamina foi uma das bandas que sofreu com este problema, mas o chamativo foi que a energia do público não caiu sequer durante a pausa para os ajustes.

A música destaque do show desta banda na minha opinião foi “Lute”, a qual foi dedicada a todas as mulheres pela vocalista e baixista Shá

Dopamina atualmente se encontra focada em fazer shows depois de um segundo semestre de 2019 relativamente parado por conta da troca de formação. As meninas não descartam a criação de novas composições, porém a atenção da banda durante os próximos meses está completamente voltada aos palcos.

A segunda banda a se apresentar no evento foi Crotch Rot.
Crotch Rot e casa cheia.



A banda subiu ao palco usando máscaras da Turma da Mônica e quem conhece esta galera de outros bailes já está acostumado com o habitual humor deles no palco: no show da Crotch Rot tudo é possível.

Esta apresentação representou o pico de quantidade de público durante todo o evento, ficava difícil circular dentro do 92 Graus pois a casa estava cheia. Esse mesmo público foi ao delírio durante todas as músicas do set da Crotch Rot que flerta até com o funk carioca em suas composições.

Da mesma forma que Dopamina, Crotch Rot se encontra atualmente focada em tocar na maior quantidade de cidades e shows possível, tendo por exemplo turnê marcada para o mês de Julho junto a banda pernambucana Cachorro da Duença na cidade de São Paulo. Por este motivo, a previsão de lançamento do primeiro full da banda fica somente para 2021. 

Na sequência, a banda Mercy Killing subiu ao palco.
Mercy Killing no palco do Noise Bleed Fest 2

Por conta do cronograma apertado do evento, a banda fez um set curto mas sem perder a pegada. Novamente houve alguns problemas técnicos na guitarra (o ampli falhou novamente e uma das cordas soltou mas isso foi rapidamente resolvido pelo guitarrista Texa). Mais uma vez o público foi ótimo e compreensivo fazendo com que o problema não se tornasse motivo para ‘esfriar’ o clima.

O show da Mercy Killing é uma experiência única e quem já teve a oportunidade de assistir uma apresentação sabe do que estou falando, a vocalista Tati Klingel tem uma presença de palco fortíssima e consegue transmitir toda a revolta das letras da banda através do seu gutural impecável.

O destaque do show foi com certeza o novo baterista da banda, Marlonn Fabrício que soube trazer de volta uma das características primordiais da Mercy Killing: uma pegada forte e visceral nas baquetas.

A última banda da noite foi Manger Cadavre?.
"Manger Big Band"

A banda está passando por um período de transição após a saída de dois integrantes e por esse motivo estão se apresentando no formato que a vocalista Nata gosta de chamar de “Manger Big Band” com membros substitutos que revezam as apresentações de acordo com as agendas de cada um. 

Mas, por que “Big band?”. Os músicos que quebraram um galho para a Manger neste evento não foram mais nem menos do que Guilherme (baixista de Surra) e Rodrigo (Guitarrista de Crânula e Desalmado)

Manger Cadavre? provou mais uma vez que todo o destaque e reconhecimento que estão recebendo é mais do que merecido. Daqui a uma semana a banda se apresenta no palco do Overload Beer Fest 2020 novamente como abertura de uma banda internacional importantíssima, D.R.I.

Outro detalhe não diretamente relacionado as bandas mas que que merece destaque foi a presença entre o público dos donos do Lado B, outro conhecido e tradicional bar underground de Curitiba. Atitudes de parceria como essa são cada vez mais necessárias para que a cena possa crescer e se manter firme. 

O planejamento e organização do evento foi por conta da: Brado Distro, Mercy Killing e Crotch Rot.