02 setembro, 2020

Entrevista: Age of Artemis (Brasília/DF)

Tivemos o prazer de ter uma conversa com Giovane Sena, baixista da Age Of Artemis que foi formado em 2008. A banda que tem em suas veias o verdadeiro Heavy Metal, teve grandes registros ao longo da sua carreira, tendo produção de Edu Falaschi sem seu primeiro full e recentemente, teve seu trabalho reconhecido como um dos melhores do ano pelo nosso site.

Conversamos sobre praticamente tudo da banda, desde produções até o alcance da banda. Gostaríamos de frisar a atenção da banda conosco, desde o primeiro contato até o envio da pauta respondida, valorizando o nosso trabalho e isso é muito raro no cenário, porém, sem mais delongas vamos a entrevista:





Giovane, obrigado por nos receber e aceitar essa entrevista. Bom queria começar com uma pergunta bem direta. Se fosse apresentar o Age Of Artemis para alguém que nunca ouviu a banda, que som escolheria? Eu optaria por God, Kings Of Fools, do primeiro trabalho.


Giovanni Sena: Antes de tudo, gostaria de agradecer o contato, e ao mesmo tempo, gostaria de desculpa pela demora. Normalmente, não demoramos tanto. Mas vamos lá, acredito que seria interessante pra nós mostrarmos algo do ultimo trabalho – Monomyth, porque ele retrata bem o que estamos vivendo no momento. Então, opto por “Helping Hand”.  


A banda é muito ativa nas suas redes sociais, além de apresentar uma qualidade técnica impecável nos seus clipes e produções. Para vocês, qual a importância, para o desenvolvimento de uma banda, em manter esse contato com os seus fãs? 


Giovanni Sena: Hoje em dia os fãs têm um papel crucial, pois o apoio dos mesmos pode gerar um monte de coisa bacana, como a produção de discos, clipes e até shows. Então, uma banda tem que ter isso em mente, em sempre ter esse canal aberto com os fãs.  


Toda a sonoridade do Age Of Artemis é muito rica, tanto em parte temática, quanto na instrumental sendo esse um ponto forte da banda, pois corre-se o risco de, às vezes, entregar algo extremamente técnico, mas sem alma, sendo mais uma exibição de virtuose do que um som propriamente dito. Como vocês trabalham essa questão na banda, e já existiu músicas que vocês descartaram por achar que ela ao vivo não teria uma boa receptividade?


Giovanni Sena: As ideias são constantes. Muitas são descartadas. Diria que a maioria, pois no processo de composição há sempre uma preocupação de que todas as “pontas” estejam amarradas, que façam sentido nesse processo. Então, tudo é muito pensado. Com várias audições até chegar um ponto onde a gente aceita que o filho(a) nasceu. (risos) Acho que esse trabalho, ou melhor, esse sentido, é passado para quem ouve a nossa música que acaba entendendo o caminho da música. 


A pandemia, com certeza, afetou todo o cenário cultural mundial, porém muito antes dessa situação o ‘heavy’ metal já apresentava alguns problemas, como, por exemplo, shows com número de público muito menor do que merecia. Como vocês veem esse cenário, onde as bandas possuem apoio virtual, mas nem sempre apoio físico na mesma quantidade.


Giovanni Sena: Acho que tudo na vida é sazonal. Há épocas que tudo anda bem, e há épocas que tudo anda mal. Na música não é diferente. A questão é que muitas vezes bandas não conseguem administrar esses momentos ruins, e deixam de existir. Por isso sou adepto de viver o HOJE, pois sei que num piscar de olhos tudo pode mudar.


O Age Of Artemis teve na sua formação dois grandes vocalistas, sendo eles Alírio Neto e Pedro Campos. Qual a contribuição desses excepcionais músicos para a sonoridade da banda? 


Giovanni Sena: A competência dos dois. Os dois são muito diferentes um do outro, mas os dois compartilham de um técnica vocal impar. 


No ano de 2015 vocês tocaram no Rock In Rio. Apontariam esse, como um dos pontos altos da carreira? Qual outros vocês indicariam? E falando do Rock In Rio, como é a visão interna de uma banda que participou do evento?


Giovanni Sena: O Rock in Rio é um festival imenso. Falo isso em todos os sentidos. Esse fest nos proporcionou uma experiência que iremos guardar pra sempre em nossa lembrança. Mas teve momentos da nossa carreira que também foi muito legal. Tocar em Fortaleza foi muito bom pela resposta do público, tocar em Recife, Salvador, Florianópolis, Brasília, esses lugares também trazem momentos incríveis.



“Monomyth”, na minha opinião, expressa toda a sonoridade do Age, com momentos que vão do ‘power’ para algo mais intimista e muito bem feito. Agora, passado um tempo da divulgação, como vocês avaliam esse registro e quais músicas receberam maior recepção positiva do público ao vivo?


Giovanni Sena: Recebemos ótimos “reviews” de todo lugar. O disco em si como um todo foi visto da forma que queríamos. Uma unidade, como se fosse um livro que conta uma história só. As pessoas sempre elegem suas preferidas, já ouvi de tudo como: “Lightining Strikes”, “Helping Hand”, “The Calling”, “Endless Fight”, enfim, não houve uma unanimidade, isso é bom, pois prova que o disco é repleto de músicas boas.  

Vocês participaram de tributos ao Edu Falaschi e ao Helloween em versões maravilhosas! Tem algum som que gostariam de gravar um ‘cover’? E falando ainda em sons, o Japão ainda é um mercado forte para o Power Metal? 


Giovanni Sena: Nesse momento não me vem nenhum cover, porém tenho certeza seria algo inusitado e rearranjado. O Japão sempre é bom para a música em geral, não só para o heavy metal. Eles apreciam música de todos os estilos.


Olhando lá na formação inicial da banda até o momento atual, como vocês avaliam sua jornada até aqui? E quais são os planos para os próximos meses, passada essa situação complexa atual, podemos esperar algum trabalho novo?


Giovanni Sena: A gente quer trabalhar o “Monomyth” antes de lançar qualquer coisa nova. Temos muitos desejos ainda pra realizar, mas o mais importante é tocar em todos os lugares possíveis e imagináveis.


Obrigado pela entrevista! Gostariam de deixar algum recado para os leitores do O Subsolo?


Giovanni Sena: Gostaria mais uma vez de agradecer à todos os envolvidos e aos seus leitores. Esse tipo de trabalho que vocês desenvolvem é muito importante para a cena de rock pesado do Brasil. Espero que continuem por muitos anos e se tornem algo mais relevante do que já são. Grande abraço a todos! Em especial a você, LUIZ HARLEY CAIRES!!!

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