17 setembro, 2020

Talvez Desconhecido: Faidra (SWE) #20

Formado em 2019, o Faidra é um projeto sueco de Atmospheric/Orthodox Black Metal. A identidade por trás do único membro da banda ainda é um mistério. Sabe-se que a entidade por trás do Faidra teve passagens por diversos grupos de diferentes gêneros nos anos 90, optando por ocultar a sua identidade e deixando que a musicalidade das composições falasse por si só. 



Esbarrei com essa banda por mero acaso, em uma daquelas recomendações relacionadas no YouTube. E se tem algo que me atrai para conhecer algo novo com toda certeza são as artes das capas. E o Faidra foi um desses casos. 

Todo o trabalho gráfico do primeiro e até então único álbum lançado, o Six Voices Inside (2020) vem das obras do artista espanhol Jusepe de Ribera (1591-1652), famoso pela perfeição ao retratar em suas pinturas, sentimentos como a angústia, a dor e até mesmo a perversão. 

As pinturas que ilustram a capa do trabalho fazem parte da compilação “ibera: The Art Of Violence, lançada em 2018 com a curadoria Edward Payne.



Six Voices Inside teve uma ótima recepção do público, gerando a parceria com a gravadora independente alemã Northern Silence para o lançamento das versões em CD e Vinil do trabalho (ainda estou na esperança de sair uma versão nacional desse petardo). No Bandcamp a banda também foi campeã em vendas digitais. Já no YouTube o álbum conta atualmente com mais de 200 mil visualizações, estando alocado no canal Black Metal Promotion

Um mês após a estreia, o Faidra ainda lançou o seu mais recente single, a belíssima Ixion trazendo a união perfeita do estilo, com instrumentos poucos usuais, como o violino, sem soar clichê ou mesmo pomposo demais. 

Mas o que esperar do som do Faidra

É inegável que a sonoridade do projeto está atrelada a bandas da cena do Black Metal Norueguês, mas o que se destaca ao entrar em contato com a obra são elementos muito utilizados no som do Burzum

Antes que as pedras sejam lançadas, vale mencionar que a influência fica, por enquanto, no âmbito musical e não ideológico. É impossível não se lembrar da atmosfera de trabalhos como o Filosofem, por exemplo. 

Entretanto, se o amigo leitor não conhece a obra do Burzum ou consegue passar por esse mero detalhe sem percalços, se deparará com uma obra incrível, cheia de nuances, riffs marcantes e muita criatividade. 

O Faidra ou qualquer outra banda não deve ser descartado por suas influências dentro do seu DIRECIONAMENTO MUSICAL. Até mesmo porque, não podemos deixar que uma fruta pra lá de podre, como Varg Vikernes, estragasse uma cesta de frutos tão maduros e suculentos...