27 outubro, 2020

Resenha: Throes of Joy in The Jaws of Defeatism – Napalm Death (2020)

Dificilmente existirá na atualidade do cenário do Metal mundial uma banda tão engajada e agressiva quanto o Napalm Death. Diluído naquela sonoridade massacrante e agressiva até os limites do que podemos chamar de música. A banda inglesa não se omite de expressar suas opiniões e visões de mundo, o que pode levar a alguns desavisados torcer o nariz mas vale salientar que o protesto e a indignação com o status que estão no DNA do Grindcore. 



Esse é mais um trabalho que não temos as guitarras de Mitch Harris e já te adianto, vá ouvir esse trabalho com uma mente bem aberta pois ele pode ser um dos álbuns mais diferentes do Napalm até hoje...

E isso quer dizer que é ruim? 

Absolutamente não, ele vai trazer influencias tão diversas que vai do Grind das épocas do Scum até momentos que podemos dizer nunca esperaríamos encontrar em um cd do Napalm Death. Más ai te jogo a seguinte inquietação caro leitor: quantas banda nos oferecem isso hoje não é mesmo? Quero começar comentando a capa que já é pra mim um dos nomes fortes a melhor capa do ano e quero uma camisa dessa capa na minha mesa pra ontem, o simbolismo da pomba branca espancada e o símbolo da igualdade escrito com sangue é uma mensagem clara a ser passada aqui. 

Então sem mais delongas a abertura vem com Fuck The Factoid direta e perfeita em seus dois minutos precisos para um moshpit incessante. Note como a linha de guitarra aqui é trabalhada, e só estamos no começo da audição.

Backlash Just Because já era uma velha conhecida nossa e ela tem o padrão Napalm de qualidade, entretanto em mais algumas audições deu para perceber uma quebra de andamento ao longo da musica o que torna ela mais dissonante.

Indo na mesma toada temos That Curse of Being in Thrall, e faz impossível não lembrar que essa banda gravou Scum, um dos maiores clássicos da música podre mundial e agora mostram essa complexidade no som, a evolução deles é empolgante e muito bem vinda. 

ContagionZero Gravitas Chamber estão aqui para te lembrar que estamos falando de uma instituição do metal extremo e é impressionante como elas combinam com os ares de renovação presentes em Fluxing of the MuscleAmoral. Note como essas duas em especial tem um acento mais groove, tente eu digo só tente ouvir elas sem querer quebrar o teu pescoço. 

Não pretendo fazer um faixa a faixa porque acredito que o leitor deve tirar suas próprias conclusões ao ouvir o trabalho, más me sinto obrigado a comentar acerca da faixa titulo que é um resumo de tudo de bom que o Napalm vem fazendo nos seus últimos 20 anos e A Belly full of Salt and Spleen que foi uma baita assombro quando a ouvi pela primeira vez (vai ter um react dessa música no nosso canal de Youtube d'O SubSolo) por ter um som atmosférico, e até mesmo teatral com a voz de Barney transmitindo agonia, desespero e raiva tudo na mesma faixa. 

Ainda estou bem impactado com a audição deste álbum e arrisco dizer que é um dos melhores trabalhos lançados pelo Napalm, ouça e saia da sua zona de conforto. 


TRACKLIST 
01) Fuck The Factoid
02) Backlash Just Because
03) That Curse Of Being In Thrall
04) Contagion
05) Joie De Ne Pas Vivre
06) Invigorating Clutch
07) Zero Gravitas Chamber
08) Fluxing Of The Muscle  
09) Amoral
10) Throes Of Joy In The Jaws Of Defeatism
11) Acting In Gouged Faith
12) A Bellyful Of Salt And Spleen


FORMAÇÃO 
Mark "Barney" Greenway - vocal
Mitch Harris - guitarra e backing vocal 
Shane Embury - baixo 
Danny Herrera - bateria