09 novembro, 2020

Resenha: 6 - Mercic (2020)

Bora resenhar um trabalho internacional, diretamente de Portugal, cidade de Grândola. O disco chegou a mim por meios digitais e eu fui correndo pro streaming procurar a banda. Os caras, ou melhor, o cara, tem seis discos lançados! Ok, é por isso que o nome do trabalho é 6...... fui ingênuo. O idealizador do Mercic se chama Carlos Maldito e parece que faz tudo sozinho, banda de um homem só. 

Sabendo disso, é bem legal analisar a coisa com um pouco de olhar clínico. Todos sabemos o quão difícil é lidar com banda, integrantes e etc (vide coluna de músico pra músico). 




Começando pela capa, o material parece muito bem feito, temos engrenagens moendo um feixe de luz, algo como o interior de alguma máquina destruindo luz ou algo que o valha.


Começando o disco, a primeira faixa “State of mind...burnt” é um som bastante atípico, bem carregado de teclados porém bem diferente e cheio de identidade. As baterias são eletrônicas e claramente tratadas para soarem como tal, tudo bem robótico e mecânico de um jeito bem bacana.


Stay away from us”, parece que teremos um pouco mais de voz nesse som, começamos com algo mais lento, o som é bastante industrial. O material de release da banda diz que o estilo flutua entre indie, gótico, industrial e rock. Eu confesso que fiquei bem curioso em sentir esse passeio aí.


Na sequência, “Corrosion Invades”, nesse ponto do disco posso sentir uma certa timidez nas vozes que estão bem pra trás do restante da banda e tem algo que me incomoda bastante que é uma caixa de bateria com chiados propositais rolando constantemente. Claro que isso é particular e eu entendo que o estilo de som pede timbres mais rasgados que o habitual.


Agora um som com nome quilométrico: “People surrounded by fear are easily controlled”. Seguimos com a bateria chiada e bora pra curtir esse som um pouco mais lento que os outros. A música segue num padrão constante de mudanças pequenas e repetições. O estilo com certeza mudou e flutuou conforme prometido. Cheio de identidade, admiro isso.


Seguimos com “Fear takes control” e a introdução já me prendeu um pouco, o teclado está trazendo uma linha de sons bem interessantes e em paralelo com essa trama futurista entra um piano. Isso já havia surgido na faixa anterior, mas dessa vez me chamou mais a atenção.


Faixa 6 “Here we are again”- o disco está me ganhando nas introduções das faixas, esse aqui tem 1:40min de intro e cai num som mais pesado e agressivo. O estilo permite muitas variações e Carlos Maldito com certeza explora isso com maestria.

Lembra dos nomes longos? Pois é: “They Cover your Tears But Your Mind Listens To The Truth (if you want to…)” chega batendo recordes! Já começo gostando dos Strings convencionais misturados com os teclados mais futuristas e eletrônicos que já notei serem marca registrada do Mercic. A música desenvolve numa pegada mais gótica que as outras, achei genial como a proposta de estilo foi cumprida.


Vamos de “False Tears Over Empty Words”, uma faixa mais pop, mais melodiosa e com vozes mais limpas. Até. Então o vocal estava bem escondido, como comentado anteriormente e dessa vez como veio mais limpa, deu pra sacar melhor a voz e o arranjo. 


Curtindo nomes grandes? “The Culmination of Power With Malice = Nowadays” , faixa 9, chegando ao final do disco. O que mais gostei desse som sem dúvidas foi a letra em português. A voz muito na pegada industrial clássica, falando de temas atuais, obviamente como o nome prediz. A temática casa muito bem com o resultado. Minha faixa preferida do disco sem sombra de dúvidas.


Última faixa, “Technological Progress = Human Setback?”, e mais uma vez fomos surpreendidos, o som mistura de tudo um pouco na parte de timbragem e temos strings clássicos, pianos, sons de máquina, guitarras, baterias industriais, tudo somando numa orquestra de sonoridades alucinantes.


O disco chega ao fim com um certo gosto de que poderia ter tido mais um pouco, as faixas são curtas e o material é bem linear apesar das trocas de estilo. Aí que senti a grande sacada do compositor, ele conseguiu mostrar todo o seu estilo musical flutuando por mais de cinco vertentes e mesmo assim deixar o material coeso.


Quando li a formação da banda achei deveras curioso o fato de ser um trio pouco usual (voz/teclado, guitarra só ao vivo e técnico de som). É bem interessante o técnico de som ter um papel tão crucial na banda a ponto de ser um membro de fato. Apesar de sabermos da importância desse profissional, nem sempre temos um técnico tão próximo da banda assim. 


Material enviado pela JZ Press

TRACKLIST:

01) State of Mind…Burnt

02) Stay Away From Us

03) Corrosion Invades

04) People Surrounded by Fear are Easily Controlled

05) Fear Takes Control

06) Here We Are Again

07) They Cover your Tears But Your Mind Listens To The Truth (if you want to…)

08) False Tears Over Empty Words

09) The Culmination of Power With Malice = Nowadays

10) Technological Progress = Human Setback?


FORMAÇÃO:

Carlos Maldito – voz, teclado, bateria

APOIO AO VIVO:

César palma – guitarra

Hugo Areias - técnico de som


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